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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Hezbollah pode atrair brasileiros, diz coronel

Especialista de Israel afirma que grupo recruta pessoas para ações de represália

Richard Furst Jerusalém


A presença de grupos criminosos ligados ao Hezbollah, do árabe "o Partido de Alá", no Brasil pode ser uma ameaça não só à comunidade judaica, mas à sociedade em geral devido à suspeita de tráfico de armas e drogas.

A advertência é do coronel reformado do Exército de Israel Michael Segall, analista na infiltração xiita na América Latina e na África. Para o israelense, a notícia, divulgada pelo Globo no domingo, de que traficantes de origem libanesa ligados ao Hezbollah se associaram a uma facção criminosa que atua em São Paulo confirma indícios de algo que especialistas no Oriente Médio já suspeitavam.

Segundo Segall, o Hezbollah pode ser uma ameaça à comunidade judaica e à população em geral, que será afetada com o uso de armas. Ele avalia que os membros do grupo começam a integrar os problemas comuns aos países onde atua, além do tráfico de drogas.

- O Brasil é um lugar muito bom para um tipo específico de ação: o recrutamento de pessoas. Grupos de brasileiros podem ser acionados no caso, por exemplo, de Israel atacar o Irã ou o Líbano. Basta lembrar o caso na Argentina, no ataque que deixou mais de 200 mortos em Buenos Aires. Primeiro, eles procuram pessoas que conheçam a área e as facilidades para depois agir de alguma forma.

O militar israelense, também analista em estratégia, não vê um risco para Israel diretamente, mas para a população judaica no Brasil. Ele acha que, no caso de Israel derrotar algum líder radical no Oriente Médio, grupos poderiam retaliar também na América Latina.

- É de conhecimento que o Hezbollah trabalha com tráfico de drogas na América Latina, no chamado narcoterrorismo. A região de Foz do Iguaçu (no Brasil) é a maior delas e com uma ação ainda diferente das práticas na Nigéria e Iêmen, por exemplo. O que pode assustar é o fato de os islamitas procurarem pessoas locais, garantir as facilidades, para em seguida dar início a outras operações de terrorismo mais explícito. Há uma cooperação crescente entre o Irã e o Hezbollah. Em outra parte, há o envolvimento com os cartéis de drogas na América Latina. Se os Estados Unidos já apontaram que poderia ter algo sério, era preciso observação criteriosa com esses grupos.

Especialista em Síria, Líbano e Hezbollah, o professor da Universidade Hebraica Moshe Maoz desconhece casos de significativa cooperação com o grupo libanês fora da Europa e dos Estados Unidos. Mesmo assim, especula que exista algum tipo de espionagem ou investigações pelo fato de o Brasil ser o maior celeiro de descendentes do Líbano:

- Eu sabia de relações dos extremistas com integrantes na Europa e nos Estados Unidos, mas sempre trabalhei com a hipótese forte na América Latina devido à relação com a imigração.

(Especial para O Globo)

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