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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Quem são os ídolos dos nossos filhos?

Uma antiga campanha contra as drogas concitava as pessoas a adotarem seus próprios filhos antes que os traficantes o fizessem. Não sei se ela conseguiu fazer com que mais Pais se preocupassem em se aproximar de seus filhos para lograrem resgatá-los da esfera de influência dos traficantes, mas era um objetivo que deveria ser permanente em nossa sociedade. Infelizmente nossos Pais (e consequentemente, as nossas famílias) estão perdendo a guerra para os "maus costumes", e além do crack que se alastra como fogo no mato seco, hoje somos os campeões mundiais no consumo de cocaína.

Na nossa sociedade os pais estão deixando de ser a boa referência e esse espaço vem sendo difusamente ocupado não somente pelos ídolos do Big Brother, pelos jogadores e artistas bem sucedidos, mas também pelos bandidos, com suas armas poderosas, roupas de grifes caras, jóias de ouro, motos, carrões e mulheres gostosonas. Houve uma vez, em 7 de setembro de 2000, que um garotinho, se espelhando no seu Pai, policial da tropa de elite da PM de Brasília, desfilou fardado e com uma submetralhadora de brinquedo, como um autêntico policial em miniatura. O mundo caiu em cima do pequeno menino que, é claro, tinha seu pai como um ídolo. Caiu em cima de seu Pai e de seu oficial comandante que tanto autorizou o desfile do menino como via isso como algo muitíssimo positivo. 

Isso rendeu até pronunciamento condenatório do Presidente da República na ocasião, já motivado para emplacar o desarmamento dos homens de bem... Agora nós temos visto cada vez mais crianças posando para fotos, não com réplicas de armas e fardamentos institucionais, mas com fuzis e metralhadoras militares obtidas clandestinamente e usadas de forma criminosa por violentos traficantes de droga. Esses garotos idolatram o crime, se entusiasmam com o poder que esse poderoso armamento militar confere aos bandidos que o portam e nós quase não ouvimos pronunciamentos condenatórios de parte das ONGs e dos parlamentares ditos defensores dos Direitos Humanos. É quase como se houvesse uma assunção tácita de que, a esses meninos pobres, realmente facultasse a familiarização e o emprego dessas armas contra nós. 

Nesses dias em que os policiais vem sendo caçados nas ruas a tiros de fuzil, precisamos atentar para quem, na realidade, são os heróis das nossas crianças? Se elas continuarem se espelhando nos bandidos, estou certo de que não vai adiantar baixar a maioridade penal pra 16,15 ou 14 anos, pois os garotos passarão a se armar cada vez mais cedo! Nossa sociedade precisa adotar seus filhos antes que os traficantes o façam, até para que não tenhamos, nós próprios, "os mocinhos", que no futuro ensinarmos nossos filhos a usarem fuzis, pistolas, agentes químicos, agentes biológicos, material radioativo, venenos e explosivos, a fim de tentarem defender o pouco de valores e patrimônio que lhes sobrarem.


VINICIUS DOMINGUES CAVALCANTE, CPP, o autor, é consultor em segurança certificado pela American Society for Industrial Security,membro do Conselho de segurança da Associação Comercial do Rio de Janeiro e Diretor da Associação Brasileira de profissionais de Segurança – ABSEG – no Rio de Janeiro.

E-mail: vdcsecurity@hotmail.com

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