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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Brasileiro acusado de extremismo será extraditado para a Espanha


Kaíke Ribeiro será julgado por suposta tentativa de viajar à Síria para se unir ao Estado Islâmico.

Jovem que vivia perto de Barcelona foi detido no meio da viagem, na Bulgária; ele e 2 colegas negam as acusações


DIOGO BERCITO EM ROMA

Um tribunal búlgaro do distrito de Haskovo decidiu, nesta segunda-feira (5), extraditar o brasileiro Kaíke Ribeiro, 18, para a Espanha, onde responderá à acusação de ter tentado viajar à Síria para se unir à milícia radical EI (Estado Islâmico).

A informação foi confirmada pela Embaixada do Brasil em Sófia.

Ribeiro deve chegar à Espanha, onde vive, em até dez dias. A Audiência Nacional --tribunal superior espanhol-- não detalhou os próximos passos legais, mas é esperado que Ribeiro seja enviado a Madri, onde deve permanecer detido.

O Estado lhe indicará um advogado de defesa, caso não tenha um.

O Itamaraty informou que acompanha o caso, mas não deu detalhes "em respeito à privacidade de cidadãos brasileiros no exterior e de suas famílias".

O brasileiro e os dois marroquinos que foram detidos com ele em 15 de dezembro negam as acusações. Eles afirmam que planejavam ir à Grécia e à Turquia durante as férias, quando foram detidos em Kapitan Andreevo, fronteira no sul da Bulgária.

A detenção havia sido pedida pela Polícia catalã, a partir das informações de que os jovens tentavam chegar à Síria para aderir ao EI.

A Espanha tem registrado casos semelhantes, nos últimos meses, e respondido com rigor.

De acordo com o jornal búlgaro "Dneven Trud", o marroquino El-Gharbi entoava, durante o julgamento, versículos do Alcorão, o livro sagrado do islã. Ele reclamou do frio na cela e disse esperar ir para a Espanha em breve.

Ribeiro já havia pedido também para ser enviado de volta ao território espanhol, onde prefere ser julgado. Ele teria concordado, durante o julgamento, com a decisão búlgara.

A reportagem procurou a família de Ribeiro e a advogada dele. Desde o início do caso, porém, eles têm evitado se manifestar.

MESQUITA

Sabe-se que Ribeiro vivia em Terrassa, próximo a Barcelona, e que frequentava a mesquita Badr --visitada pela Folha em dezembro. A cidade tem uma comunidade marroquina coesa, e a mesquita foi acusada no passado pelo radicalismo de seu líder anterior, já fora do cargo.

Ribeiro --que atende pelo nome árabe Hakim-- foi descrito à reportagem como "o brasileiro alto" que não conversava com pessoas fora de seu círculo de amizades, formado especialmente pelo marroquino Tawfiq, que teria tido um importante papel em sua radicalização.

Membros da mesquita negam, porém, que a radicalização de Ribeiro tenha ocorrido em Terrassa.

O brasileiro nasceu em Formosa (GO), perto de Brasília, em 1996. A Folha encontrou, na cidade, vizinhos que ainda se lembravam do garoto, descrito como alguém "muito educado".

A mãe dele, Amaurinda Ribeiro, havia estado recentemente em Formosa e contado novidades sobre o seu filho caçula: segundo ela, Kaíke estava andando com "panos amarrados" na cabeça na Espanha e frequentando uma "igreja" não cristã.


Folha de S.Paulo.

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