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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Drones viram armas para terroristas e criminosos

Policiais em Tijuana, na fronteira com o México, encontraram um drone tentando transportar drogas para os EUA Secretaria de Seguridad Pública Municipal de Tijuana/Associated Press
JACK NICAS

Os drones estão se tornando uma ferramenta para criminosos e terroristas, preocupando autoridades, que dizem ser difícil detectar e interceptar a pequena aeronave não tripulada. Os temores se agravaram esta semana, depois da queda acidental de um drone na Casa Branca.

Autoridades policiais descobriram que drones disponíveis no mercado consumidor e cada vez mais populares entre os empresários e amadores estão sendo usados no tráfico de drogas e em outros tipos de contrabando na fronteira dos Estados Unidos e em prisões. E autoridades dos EUA, Alemanha, Espanha e Egito já impediram pelo menos seis potenciais ataques terroristas com drones desde 2011.

As autoridades americanas temem que o problema esteja aumentando e que drones possam ser modificados para executar ataques com explosivos ou armas químicas, de acordo com uma apresentação feita este mês por agentes federais de inteligência para oficiais de forças policiais e administradores de infraestruturas críticas do país. Vários participantes revelaram detalhes do evento ao The Wall Street Journal, que também analisou os slides da apresentação.

“A ameaça não vai desaparecer”, disse um analista de contraterrorismo dos EUA, segundo um participante.

Na segunda-feira, um drone de 1,3 quilo caiu nos jardins da Casa Branca antes que o Serviço Secreto pudesse identificá-lo, chamando a atenção para os riscos de um possível ataque. O Serviço Secreto informou mais tarde que o drone havia caído acidentalmente durante um voo recreativo e não era uma ameaça.

Em resposta, a SZ DJI Technology Co., fabricante chinesa do dispositivo, informou que planeja alterar o software em seus drones para impedi-los de voar sobre Washington. A DJI acrescentou que planeja impedir seus drones de atravessar fronteiras nacionais, depois que a polícia de Tijuana, no México, descobriu um drone da DJI que aparentemente caiu ao tentar transportar drogas para os EUA. Michael Perry, porta-voz da DJI, diz que a empresa está trabalhando para evitar que criminosos possam contornar essas novas funções de segurança. “Há mais coisas que a indústria pode fazer como um todo para melhorar a segurança geral” dos drones, diz Perry.

A maioria dos drones de pequeno porte permanece limitada pela curta duração da bateria e pequena capacidade de carga. Os drones mais populares no mercado de consumo podem transportar apenas alguns quilos. Mas alguns aspectos que tornam os dispositivos cada vez mais atraentes para as empresas e fotógrafos — o fato de que são pequenos e fáceis de voar e que podem capturar imagens de alta definição —, também os torna uma ferramenta potencialmente poderosa para criminosos e terroristas.

Até agora, grande parte da discussão pública sobre a segurança dos drones tem sido sobre os usuários que operam os dispositivos muito perto de aeronaves, aeroportos ou áreas congestionadas. O presidente Barack Obama disse na terça-feira que os EUA precisam de regulação para os drones que proteja a segurança e privacidade dos seus cidadãos.

Agentes de segurança dos EUA estão buscando maneiras de controlar os drones de forma eficiente para proteger alvos potenciais como infraestruturas importantes, edifícios governamentais, presídios e estádios lotados.

Toda uma indústria está surgindo para enfrentar o problema, oferecendo sistemas para detectar drones e alertar as autoridades. A DroneShield LLC, de Washington, informa que instalou cerca de 200 de seus sistemas de detecção de áudio em todo o mundo nos últimos 18 meses, incluindo nas proximidades de prisões, edifícios governamentais e usinas de energia.

A Resilient Solutions Ltd., outra firma americana, informa que está trabalhando com uma empresa de defesa europeia para desenvolver um sistema sofisticado que pode detectar e rastrear um drone e identificar se é uma ameaça.

Mas as empresas reconhecem que essa é uma missão difícil e os métodos disponíveis são imperfeitos. Muitos drones pequenos não são detectados por radar, dizem. Nem sempre os sensores acústicos captam o som de um drone em meio aos ruídos da cidade e muitas vezes os confundem com outros dispositivos ruidosos, como um cortador de grama. E sensores visuais não funcionam bem à noite e podem ser imprecisos.

“Não há um sistema” de detecção perfeito, disse uma autoridade dos EUA na apresentação deste mês, de acordo com um participante.

O Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA lidera um grupo de trabalho sobre a ameaça dos drones que já conta com 65 membros. Um porta-voz do centro, que analisa dados de inteligência sobre terrorismo, diz que “os esforços dos terroristas em usar a tecnologia de drones são, obviamente, uma preocupação. [...] Nosso foco permanece na identificação dessas ameaças e em apoiar as agências responsáveis pela luta contra elas.”

As autoridades já conseguiram frustrar alguns planos de supostos terroristas, dizem elas. Em meados de 2013, forças policiais alemãs prenderam militantes islâmicos e extremistas de direita que supostamente estavam planejando ataques separados com drones, de acordo com uma apresentação na conferência.

A polícia recuperou materiais de fabricação de bombas e um drone dos extremistas de direita, que supostamente planejavam usar o dispositivo para bombardear um acampamento de verão, de acordo com a apresentação.

Mas as autoridades não conseguiram apreender suspeitos em muitos dos casos notificados de drones que são usados no tráfico de drogas nas fronteiras ou em prisões. Na semana passada, a polícia de Tijuana, no México, que descobriu o drone depois que ele caiu, informou que ainda estava procurando os suspeitos.

THE WALL STREET JOURNAL (EUA)


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