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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Acordo define cessar-fogo na Ucrânia a partir do dia 15

Ucrânia pode receber armas dos Estados Unidos caso negociação com rebeldes não leve a cessar-fogo

Após se reunirem em Minsk, Belarus, os presidentes de Rússia, Ucrânia, Alemanha, e França anunciaram um cessar-fogo na Ucrânia previsto para entrar em vigor a partir do dia 15 de fevereiro.

"Conseguimos chegar a um acordo sobre as principais questões", disse o presidente russo, Vladimir Putin, após a maratona de negociações.

Putin afirmou ainda que as milícias separatistas pró-Rússia aceitaram retroceder respeitando a linha de cessar-fogo estabelecida em um outro acordo assinado no ano passado.

Segundo os líderes europeus, os rebeldes no leste da Ucrânia concordaram com o acordo de paz, que prevê ainda a liberação de prisioneiros, a remoção de armas pesadas e a retomada, por parte da Ucrânia, da fronteira com a Rússia - informação que foi dada pelo presidente ucraniano Petro Poroshenko.

Leia abaixo quais foram os principais fatores que transformaram a crise ucraniana em um conflito de larga escala que já custou mais de 5.400 vidas.
Por que o a crise na Ucrânia se transformou em um conflito de larga escala?

A luta começou em abril de 2014 e assolou o país por meses, até se amenizar em 5 de setembro do ano passado, quando a Ucrânia e os rebeldes separatistas assinaram um acordo para reduzir a violência e libertar prisioneiros.

Mas o cessar-fogo nunca vigorou inteiramente. Os dois lados usaram a calmaria para reforçar suas fileiras. Além disso, por meses os rebeldes tentaram tomar o aeroporto de Donetsk das forças do governo – considerado um alvo tanto simbólico como estratégico.

Mas no início de 2015, os rebeldes lançaram uma nova ofensiva e, em 22 de janeiro, o aeroporto foi definitivamente tomado.

A violência superou as linhas do cessar-fogo de setembro e o número de vítimas aumentou:

    Civis foram mortos por fogo de artilharia em áreas rebeldes, particularmente nas cidades de Donetsk e Luhansk.
    Trinta pessoas morreram na cidade portuária de Mariupol atingidas por fogo de artilharia. Segundo observadores internacionais, os disparos partiram de áreas controladas pelos rebeldes.
    Os rebeldes alegaram ter cortado a linha de suprimentos para a central ferroviária de Debaltseve, onde estão baseados 8 mil militares ucranianos.
    Foguetes foram disparados pelos rebeldes nas áreas civis de Kramatorsk, uma cidade controlada pelo governo fora da zona de conflito.
    Um batalhão de voluntários ultranacionalistas ligado ao governo capturou vilas antes controladas pelos rebeldes fora de Mariupol.

Ainda há esperança para um novo cessar-fogo?

A esperança recai sobre um eventual novo acordo, negociado nesta quarta-feira por lideranças da Alemanha, França, Ucrânia e Rússia. Os termos dele aparentam ser uma revisão das condições que constavam no fracassado cessar-fogo de 5 de setembro do ano passado.

Uma tentativa anterior de retomar a trégua já havia falhado em 31 de setembro, porque parte dos negociadores rebeldes não apareceram e os que estiveram na reunião não estavam preparados para discutir uma trégua, segundo observadores internacionais.

O presidente russo Vladimir Putin apresentou uma proposta que foi avaliada como inaceitável para a Ucrânia e o Ocidente. Um novo plano foi proposto por líderes da França e da Alemanha durante visitas a Kiev e Moscou.


Qual é o novo plano de cessar-fogo?

Os principais pontos em negociação são: uma zona desmilitarizada com extensão aproximada de 50 a 70 quilômetros que abrangeria toda a linha de frente e maior autonomia para os separatistas apoiados pelos russos.

Embora maiores detalhes ainda não haviam sido divulgados, outros fatores na mesa de negociações são:

    Localização precisa e demarcação da linha da zona desmilitarizada
    Quem monitorará a zona desmilitarizada
    O status dos territórios controlados pelos rebeldes
    Quem controla a fronteira com a Rússia
    Retirada das armas pesadas d alinha de frente

Acredita-se que a Rússia queira que a Ucrânia retire suas armas pesadas, mas por outro lado teme-se que os rebeldes se aproveitem da manobra para capturar mais território.

Se nenhum acordo for estabelecido, os dois lados já anunciaram que pretendem enviar dezenas de milhares de combatentes para reforças suas fileiras. A aproximação da primavera também eleva a possibilidade de que o conflito se intensifique ainda mais.
Guerra da Ucrânia: o custo humano

    5.486 pessoas foram mortas e 12.972 feridas no leste da Ucrânia
    As baixas incluem os 298 passageiros do voo MH17 da Malaysia Airlines, abatido em 17 de julho
    263 civis foram mortos em áreas habitadas entre 31 de janeiro e 5 de fevereiro
    5,2 milhões de pessoas estariam vivendo nas áreas de conflito
    978.482 pessoas foram deslocadas internamenta na Ucrânia, incluindo 119.832 crianças
    600 mil pessoas fugiram para países vizinhos, mais de 400 mil deles para a Rússia

Fonte: ONU, 6 de fevereiro.


Por que o cessar-fogo anterior falhou?


Líderes mundiais negociam cessar-fogo e criação de zona desmilitarizada na Ucrânia
Cada lado culpou o outro de rasgar o acordo de paz.

Para o governo, a violação ocorreu quando os rebeldes resolveram organizar eleições locais em novembro de 2014, desafiando autoridades de Kiev.

Os separatistas reclamaram da decisão do governo de acabar com o status especial das regiões de Donetsk e Luhansk.

Entre os termos da trégua estavam a promessa de retirar as armas pesadas da linha de frente e retraí-las em ao menos 15 quilômetros, a libertação de prisioneiros e um acordo para que observadores internacionais monitorassem a trégua e uma zona na fronteira da Ucrânia com a Rússia.

A Ucrânia também garantiria uma maior autonomia para Donetsk e Luhansk.

Os dois lados usaram o primeiro cessar-fogo para se rearmar, mas os rebeldes parecem agora contar com blindados e armas de melhor qualidade que o governo.
Quem está em vantagem agora?

Os rebeldes certamente tiveram grandes vitórias com a captura do aeroporto de Donetsk e avanços na área de Debaltseve.

A Ucrânia afirmou que os separatistas também controlam novas áreas que totalizam 500 quilômetros quadrados, principalmente próximo a Debaltseve e Mariupol.

Capturar Debaltseve daria aos rebeldes um maior controle de Donetsk e Luhansk.

Porém, as baixas foram grandes dos dois lados – contudo mais pesadas do lado dos rebeldes, segundo jornalistas.

Mas as forças ucranianas também avançaram no último verão e muitos dos territórios retomados ainda permanecem em seu domínio.

Os separatistas também haviam aberto uma fronte na costa do Mar de Azov antes do cessar-fogo – deslocando-se em áreas próximas a Mariupol. Mas ultranacionalistas pró-Ucrânia, do batalhão Azov, recapturaram diversas vilas na região no início de fevereiro.
Por que toda essa luta começou?

Em abril de 2014, ativistas pró-Rússia tomaram o controle de prédios governamentais em cidades nas regiões de Donetsk e Luhansk.

O mesmo havia acontecido pouco tempo antes na Península da Crimeia, quando homens armados capturaram prédios do governo em fevereiro de 2014, logo após a fuga do presidente eleito Viktor Yanukovych para Moscou devido a massivos protestos favoráveis à União Europeia em Kiev.

Em referendo realizado na Crimeia os moradores da região optaram em sua maioria pela anexação da península pela Rússia.

Houve pouco derramamento de sangue na Crimeia, porque na ocasião o governo ucraniano não tinha um número suficiente de tropas mobilizadas para se opor à anexação.

Na medida em que separatistas lançaram um novo movimento para conquistar o leste industrial da Ucrânia, o governo lançou uma operação militar "antiterrorista".
O que acontecerá se a negociação do cessar-fogo falhar?

O presidente americano Barack Obama advertiu que se as negociações de paz não surtirem efeito, os Estados Unidos enviarão "armas letais de defesa" para os ucranianos, como mísseis antitanque.

Países europeus, incluindo a Polônia, estão mais reticentes sobre o envio de armamentos.

Se a guerra se intensificar, teme-se que os rebeldes tomem mais território, com apoio da Rússia.

O presidente russo reviveu recentemente a ideia de "Novorossiya", uma faixa de territórios no leste e sul da Ucrânia que já pertenceram à Rússia. Mas a questão é se ele vai ou não apoiar avanços além de Mariupol.

A Rússia já estabeleceu um contrato para a construção de uma ponte ligando seu território à Crimeia, mas se os rebeldes capturarem Mariupol poderão abrir um corredor terrestre até a península.


BBC- Brasil


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