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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Filho de brasileira acusado de jihadismo é condenado a 5 anos de prisão

Acredita-se que Brian de Mulder esteja na Síria, onde viveria com mulher e filho
A Justiça da Bélgica condenou à revelia o jovem Brian de Mulder, belga de mãe brasileira, a cinco anos de prisão por ligação com terrorismo.

De Mulder, de 21 anos, está na Síria desde janeiro de 2013, onde acredita-se viver com a mulher e filho. Ele foi acusado de integrar um grupo terrorista - o autodenominado 'Estado Islâmico' - e de ameaça de ataques terroristas na Bélgica.

O jovem, filho da brasileira Rosana Rodrigues, integrava a lista de 46 pessoas acusadas pela Justiça belga de pertencer ao antigo grupo Sharia4Belgium que, segundo procuradores, enviou combatentes à Síria.

As sentenças foram anunciadas nesta quarta-feira. Apenas oito dos acusados estiveram presentes no julgamento, realizado na Antuérpia. Os demais estariam lutando na Síria ou já teriam morrido.

O juiz do caso considerou o grupo Sharia4Belgium uma "organização terrorista". O líder da organização, Fouad Belkacem, negou a acusação de recrutar combatentes e foi condenado a 12 anos de prisão.

Procuradores disseram que Belkacem fez uma "lavagem cerebral" em jovens europeus para convencê-los a lutar no Oriente Médio. Cerca de 350 belgas teriam viajado à Síria e ao Iraque para lutar, disseram autoridades. Segundo elas, 10% dos belgas teriam ligações com o Sharia4Belgium, que pregava a instauração da lei islâmica no país europeu.

Agências de segurança europeias temem que jihadistas que retornam destes países realizem ataques contra alvos domésticos.

'Não acredito', diz pai


De Mulder foi descrito como um jovem de educação católica, jogador de futebol, bom aluno e filho obediente, que nunca teve problemas com drogas ou com a polícia.

Ele se converteu ao islamismo em 2010 após ter sido dispensado pelo time de futebol no qual jogava. Morava com a mãe, o padrasto e a irmã mais nova numa ampla casa antes de ir à Síria.

O pai do jovem, Stephen De Mulder, disse que o filho saiu sem dizer adeus. "Para mim, ele continua no meu coração. A mesma pessoa", disse o pai belga à BBC antes do anúncio da sentença. "Eu não conseguia acreditar (que era ele)".

Pai de Brian de Mulder disse que não havia provas para condenação do filho
Perguntado se acreditava que o filho deveria ser condenado à prisão, ele disse: "Não. Você consegue provar que ele fez alguma coisa errada? Tem fotos disso? Primeiro, você tem que provar isso".

Outro caso que recebeu proeminência no julgamento foi o de Jejoen Bontinck, de 20 anos. O pai dele, Dmitri, viajou à Síria para trazê-lo de volta para casa. A família disse que ele foi "aliciado" pelo grupo Sharia4Belgium e negou que o jovem fosse uma ameaça à segurança.

Antes do julgamento, Dmitri disse a repórteres: "Eu não fui à Síria e tirei meu filho de lá para vê-lo ser jogado numa prisão aqui".

Segundo ele, o grupo atraiu jovens em momentos conturbados da adolescência - no caso de Jejoen, um romance mal-sucedido.

* Colaborou Márcia Bizzotto, de Bruxelas


BBC - Brasil

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