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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Pilotos de prova trocam Xavante por Supertucano

Supertucano faz passagem sobre a pista do Aeroporto de São José. Foto: Claudio Vieira

Primeiro caça fabricado pela Embraer em São José dos Campos foi aposentado em 2013 no Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo do DCTA; nova turma passa a usar o turboélice

Marcelo Pedroso - Editor De Cidades

Ao invés do estrondo da turbina do Xavante rasgando o céu de São José dos Campos a baixa altitude, a discrição do motor turboélice do Supertucano. Após a aposentadoria do primeiro caça fabricado pela Embraer em 2013, o Supertucano foi escolhido para ser o substituto em parte das missões de formação dos pilotos e engenheiros de prova do Ipev (Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo).

Elite da Força Aérea Brasileira, estes profissionais passam por um curso intensivo de um ano de duração. O funil é estreito e poucos podem ostentar os codinomes de “prova” (piloto) ou “coringa” (engenheiro). Desde 1987, foram formados 104 “provas” e 76 “coringas”. Os cursos são realizados a cada dois anos no Ipev, localizado no DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) em São José.

Turma. Uma nova turma, composta por três pilotos e dois engenheiros, começou a ser formada este ano. Ao longo dos próximos meses, os pilotos serão submetidos a uma maratona que inclui voos em 15 tipos diferentes de aeronaves. Aos engenheiros, cabe estudos dos sistemas destes equipamentos. Além das aeronaves de asa fixa, helicópteros também fazem parte da rotina de treinamentos. Para isto, o Ipev utiliza um BlackHawk.

Investimento. A exclusividade na formação destes profissionais se revela nos custos envolvidos. Para se ter uma ideia, a formação de um piloto de prova nos Estados Unidos sai por US$ 1,5 milhão. Metade disto é o gasto para a formação de um engenheiro de prova. “Poucos países do mundo têm essa capacidade. Formamos pilotos e engenheiros de prova desde 1987”, disse o major Diogo Silva Castilho, 35 anos, piloto de prova do Ipev. Entre as missões realizadas pela equipe estão os voos de calibração anemométrica, que começaram na última semana em São José. Além dos militares da Aeronáutica, pilotos e engenheiros da Marinha e do Exército também participam de treinamentos no Ipev. O curso de recebimento de aeronaves, porém, é mais resumido, realizado em 4 meses.

Memória.

Acidente demanda criação de equipe. A investigação do acidente com um helicóptero protótipo Beija-Flor em 11 de julho de 1966 durante um teste resultou em recomendações que impunham "a formação de uma equipe fixa para execução de ensaios em voo, constituída por pilotos, engenheiros e instrumentadores”. A partir daí começou a formação dos especialistas brasileiros.

Aposentado

Carcaça do Xavante é usada para testes. Mesmo depois de aposentado, o Xavante ainda tem serventia para a realização de testes no Ipev em São José. Carcaças das aeronaves são empregadas para ensaios em solo, com testes com armamento, por exemplo. O Ipev mantém três carcaças de Xavantes. Foram fabricadas 182 unidades deste avião pela Embraer, das quais 166 para a FAB.

Projeto FX-2

Acordo deve ter início no 2º trimestre. Na publicação dos resultados de janeiro a março de 2015, a empresa de defesa e segurança Saab informou que aguarda para o segundo trimestre do ano o início do acordo firmado com o governo brasileiro, pelo qual serão produzidas 36 unidades do Gripen NG para a FAB. O contrato, assinado em outubro passado, foi fechado por US$ 5,4 bilhões.

O Vale

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