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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Por dentro da fábrica de superfoguetes da Nasa


Richard Hollingham
Da BBC Future
 

Se você quiser se lembrar de apenas um dado desta reportagem, escolha isto: o mais novo foguete dos Estados Unidos será capaz de carregar 12 elefantes adultos para a órbita terrestre.

Mas antes que alguém proteste contra o uso indevido do dinheiro do contribuinte ou possíveis violações dos direitos dos animais, é importante entender que essa é uma visão puramente hipotética que a Nasa usa para tentar ilustrar a escala de seu novo lançador.

O Space Launch System (SLS) será mais alto que a Estátua da Liberdade, pesará quase o mesmo que oito Boeing 747 lotados e terá mais potência do que 13,4 mil locomotivas.

Além disso, será um foguete capaz de levar o homem para além da órbita terrestre pela primeira vez desde que o último Saturn 5 conduziu os astronautas da Apollo até a Lua, em 1972.

Sim, a Nasa reabriu sua fábrica de foguetes gigantes.

'Para a Lua e além'
 

Nasa prevê que foguete será capaz de viajar 50 mil quilômetros além do ponto atingido pelo Apollo
"Este será um foguete único", afirma Dawn Stanley, engenheira de sistemas do SLS. "Ele nos levará de volta à Lua e além – para asteroides e para Marte. Mais longe do que jamais fomos."

Stanley trabalha no Marshall Spaceflight Center, em Huntsville, no Alabama, atrás dos portões de segurança máxima de Redstone Arsenal, que por mais de 60 anos abrigou o programa de mísseis e foguetes dos Estados Unidos.

Ciente de toda história à sua volta, Stanley afirma que a nova espaçonave é projetada para ser mais versátil do que qualquer outra que já tenha decolado.

O SLS está sendo construído para carregar a nova cápsula tripulada Orion, testada com sucesso em dezembro, sem tripulação.

Apesar de ter um design novo, o foguete emprega muitas tecnologias vindas de outras naves da Nasa.

Os primeiros quatro SLS usarão motores extras que sobraram do programa de ônibus espaciais e os sólidos jatos propulsores dos foguetes são versões mais longas daqueles usados naquelas espaçonaves. O motor do andar superior é baseado em um projeto do Saturn 5, dos anos 60.

Stanley defende essa "reciclagem": "Para sairmos da Terra, ainda precisamos de um foguete, por isso estamos usando tecnologias dos ônibus espaciais e do Apollo. Mas também estamos adotando novas técnicas de fabricação que nos permitirão ter um projeto eficiente e barato", diz.

Bicicletas e carrinhos
 

Núcleo da espaçonava está sendo montado com a técnica de soldagem de agitação por atrito
O SLS em si está tomando forma em outro local, a cerca de seis horas de carro de Huntsville, na gigantesca Michoud Assembly Facility da Nasa, em Nova Orleans.

Com quase um quilômetro de extensão, a fábrica foi usada para construir o Saturno 5 e, mais recentemente, o tanque de combustível externo dos ônibus espaciais.

Por causa do tamanho do lugar, os funcionários circulam pela fábrica de bicicleta. Ou, se tiverem sorte, em carrinhos elétricos no estilo Austin Powers, decorados com o logotipo da Nasa.

É em um desses carrinhos que eu me desloco pela fábrica ao lado de Pat Whipps, gerente de engenharia em Michoud.

Passamos pelos cilindros, anéis e domos do novo foguete, dispostos no chão como uma espécie de Stonehenge futurista. Cada um é feito de folhas de alumínio com pouquíssimos milímetros de espessura, aplicadas sobre uma grade metálica interna mais espessa.

Essas estruturas daqui a pouco serão unidas para formar o núcleo central do foguete, que abrigará tanques de combustível, motores e sistemas de controle.

"Tudo neste programa é em grande escala: as ferramentas, os equipamentos... Mas a margem para erro é muito pequena", afirma Whipps, enquanto estacionamos ao lado de um gigantesco robô de soldagem. "Temos que zelar pela precisão de um milésimo de centímetro em algo que você não consegue enxergar, de tão alto."

Mas a parte mais impressionante da fábrica é o saguão de montagem final, onde o núcleo da espaçonave será agregado. Este prédio de 17 andares é preenchido por uma única máquina de soldagem agitação por atrito.

Rumo ao desconhecido


Novo projeto se inspira no Saturn 5, que lançou as missões da Nasa à Lua nos anos 60
O primeiro foguete SLS deve ser lançado em 2018, o que significa que os engenheiros em Michoud e Marshall têm pouco mais de dois anos para construir a parte central, testar os motores e jatos propulsores, e mandar tudo para o Kennedy Space Center, na Flórida, onde a nave será concluída.

A primeira missão será para um ponto mais longe do que qualquer veículo tripulado já chegou, mas não contará ainda com astronautas a bordo.

"Vamos viajar quase 50 mil quilômetros além do que foi atingido pelas missões Apollo", afirma Stanley. "Temos que equilibrar segurança com desempenho e temos que nos assegurar que estamos adotando os riscos certos."

É uma visão com a qual Whipps concorda, falando de seu escritório onde nas paredes estão fotos das tripulações das fracassadas missões Challenger e Columbia.

Segundo ele, todos em Michoud estão cientes de estarem construindo um foguete que, em algum momento, terá pessoas a bordo. "Sempre recebemos visitas de astronautas e suas famílias, o que ajuda a nos lembrar que estamos fazendo algo incrível mas também perigoso", conta.

Se tudo der certo nos testes, a primeira tripulação poderá viajar antes de 2020. Mas ainda não se sabe para onde, já que as autoridades americanas ainda estão debatendo o que querem que a Nasa faça com a nova máquina.

No entanto, qualquer que seja a decisão da Casa Branca e do Congresso, depois de mais de 40 anos, os Estados Unidos terá novamente a capacidade de levar o homem para as profundezas do espaço.

BBC - Brasil.

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