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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Especialistas contestam laudo da FAB sobre queda de helicóptero em SP


Aeronave que levava Thomaz Alckmin teria componentes desconectados. Engenheiro aeronáutico diz que sem conexão é impossível decolar.

Especialistas em engenharia aeronáutica reagiram com estranheza à versão divulgada nesta terça-feira (2) pela Força Aérea Brasileira (FAB) sobre o acidente com o helicóptero PP-LLS, que caiu em abril em Carapicuíba, na Grande São Paulo, matando cinco pessoas, entre elas Thomas Alckmin, filho do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

De acordo com a FAB, os "controles flexíveis" e as "alavancas", dois dos componentes apontados como "fundamentais" para o controle da aeronave durante o voo, estavam desconectados antes da decolagem. do helicóptero PP-LLS.

Fernando Martini Catalano, professor de Engenharia Aeronáutica da USP, diz que acha estranho a afirmação de que as peças estavam desconectadas antes do vôo. "Se são vitais para o voo o helicóptero estaria desgovernado desde sua decolagem, que foi um pouco radical, mas mostrou que ainda havia controle e veio a cair minutos mais tarde", afirma.

"Outra questão é como se sabe que as peças estavam desconectadas antes do vôo e não se desconectaram durante o vôo por má fixação anterior? Se a investigação não foi concluída esses tipos de afirmações não deveriam ser anunciadas."

As peças conhecidas como "ball type" e "bell cranck" servem para transmissão de movimento de vários sistemas da aeronaves por exemplo acionar o rotor de cauda para movimento de guinada ou o rotor principal para subir descer ou movimentos laterias. Também podem ser usadas para o controle do motor. Normalmente se localizam internamente à fuselagem do helicóptero e são acessíveis para manutenção, segundo o professor.

"Ser forem as peças de controle do rotor de calda, o piloto não conseguiria evitar a rotação do helicóptero pois o controle de guinada não funcionaria, Se for uma peça do controle de movimento do rotor principal, as manobras de subida e descida e movimentos laterias seriam seriamente comprometidas", diz Catalano. Ele disse ainda que é muito raro estarem desconectadas sem que o piloto perceba no cheque antes do voo, dependendo da peça não é possível realizar uma decolagem.

Ricardo Chilelli, piloto particular, engenheiro aeronáutico e sócio proprietário de uma empresa de segurança no voo nos Estados Unidos, também estranhou o documento. “O que está sendo dito nesta nota é absurdo. Com essa peça solta, nenhum piloto sai do chão”, disse. “Na hora o piloto detecta, ela não responde aos seus comandos. Não tem controle da aeronave com isso solto.”

Rodrigo Duarte, piloto e conselheiro da Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros. “Imagine um carro saindo com a barra de direção solta. O que a nota diz é mais ou menos isso: que o helicóptero acionou já com essa cadeia de comandos desconectada e, estranhamente, ele saiu para o voo”, afirmou ao Jornal Nacional. “Ele voou por alguns minutos, ele chamou a torre de controle do Helicentro para pouso e só depois que veio a cair. Então não faz sentido que essa cadeia de comandos estivesse solta já antes da decolagem.”

Cinco mortos

No dia 2 de abril, o helicóptero caiu em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Além do caçula de Alckmin, morreram o piloto Carlos Haroldo Isquerdo Gonçalves, de 53 anos, e os mecânicos Paulo Henrique Moraes, de 42, Erick Martinho, de 36, e Leandro Souza, de 34.

Por meio de nota, a FAB informou que os "controles flexíveis" e as "alavancas", dois dos componentes apontados como "fundamentais" para o controle da aeronave durante o voo, estavam desconectados antes da decolagem.

Embora o texto da nota informe que os dispositivos estavam desconectados "antes da decolagem", a FAB esclareceu, em resposta a consulta do G1, que permaneceram desconectados durante o voo. A nota não informa o motivo da desconexão.

A Helibras diz que só vai se manifestar quando as investigações estiverem concluídas.

A Helipark, empresa responsável pela manutenção da aeronave, disse em nota que "causa estranheza que, mesmo antes da conclusão das investigações, a FAB faça afirmações sobre o acidente, o que não é comum nesse tipo de investigação sempre pautada pela cautela", e que "a FAB diz que os controles flexíveis e alavancas são fundamentais para controlar a aeronave em voo. Portanto, como afirmar que o helicóptero decolou e voou mesmo com esses componentes desconectados?"

 Destroços

O exame dos destroços do acidente aponta que os danos nos demais componentes da aeronave foram consequências, e não causas, da queda, informou a FAB.

Além disso, o órgão declarou que as evidências, até o momento, apontam que o comandante pilotou o helicóptero em todas as fases do voo.

O voo do dia do acidente foi o primeiro daquele helicóptero após quase dois meses de intervenções previstas de manutenção, conforme a FAB. O órgão comunicou que a comissão que investiga o acidente estuda os documentos do helicóptero e os serviços realizados pelas empresas de manutenção.

A nota da FAB informa que, "pelo fato de a investigação estar em andamento, ainda não é possível apontar conclusões acerca dos fatores contribuintes que desencadearam o acidente".

Além disso, de acordo com a FAB, os acidentes aeronáuticos não ocorrem por uma causa isolada, mas por uma série de fatores contribuintes encadeados.

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