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sábado, 27 de junho de 2015

Ocupação das Forças Armadas na Maré acaba após usar 85% do efetivo do Haiti


Missão de Paz no país arrasado por terremoto empregou 27,7 mil pessoas ante 23,5 mil no complexo do Rio; operação acaba dia 30, após 15 meses e investimentos de R$ 559,6 milhões

RIO - A ocupação das Forças Armadas no Complexo da Maré termina no próximo dia 30 sob críticas e após empregar em 15 meses um total de 23,5 mil militares, efetivo equivalente a 85% de todos os profissionais do Exército, Marinha e Aeronáutica que integraram a Missão de Paz do Haiti (27,7 mil), de 2004 a 2015. Nesta quinta-feira, 25, moradores protestaram a contra a morte de um morador a tiros. A partir da próxima terça-feira, só a Polícia Militar (PM) patrulhará a área.


Entidades representativas dos moradores do maior conjunto de favelas da zona norte carioca relatam que no período em que a Força de Pacificação da Maré (nomenclatura da tropa de ocupação militar) atuou houve constantes trocas de tiros e violações aos direitos humanos.


Para os moradores, o problema mais recorrente, as abordagens violentas, deriva da alta rotatividade das tropas. Desde a ocupação, houve sete comandantes da Força de Pacificação à frente de diferentes efetivos - a gestão média de cada um foi pouco superior a dois meses. “O (comportamento da tropa) dependia muito do comandante e suas orientações.
 

Houve oscilação no período, tivemos momentos de mais comunicação e outros de menos comunicação”, disse Edson Diniz, um dos diretores da ONG Redes de Desenvolvimento da Maré. Ele conta que a truculência militar em revistas e abordagens foi a principal denúncia de moradores durante a ocupação.

A Força de Pacificação destaca que a taxa de homicídios caiu de 21,29 por 100 habitantes para 5,33 nos 15 meses em que esteve na Maré. “Após um ano e dois meses de missão no complexo da Maré, a Força de Pacificação estabeleceu janelas de oportunidades para uma atuação conjunta do poder público visando desarticular facções criminosas e alavancar as condições de cidadania da população”, ressaltou, em nota.


As 16 comunidades do complexo são habitadas por 129.770 pessoas, segundo o Censo  2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cerca de 3.000 militares ainda ocupam nove delas, todas área de atuação de traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP) e alvo de investidas da inimiga Amigos dos Amigos (ADA), expulsa da região em 2009.


A presença militar já custou R$ 559, 6 milhões ao governo federal desde abril de 2014. O objetivo dela era preparar o território para a instalação de quatro Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). A última só deverá ser inaugurada em março de 2016, segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.


O último dos 21 mortos durante a presença militar na Maré foi Vanderlei Conceição de Albuquerque, de 34 anos, empregado de lava jato. Ele levou um tiro dentro de casa em 18 deste mês. Enquanto a Força de Pacificação diz que ocorria troca de tiros entre militares e traficantes, a família sustenta que um soldado disparou contra Albuquerque.


Durante o protesto realizado na Vila do João, um irmão da vítima disse que os militares não o socorreram. “No meio do caminho, encontrei o pessoal do Exército e disse: ‘pelo amor de Deus, me socorre, vocês estão preparados para isso, para socorrer, para ajudar, para fazer paz na comunidade, não para fazer o que vocês estão fazendo”, disse Sidney Conceição de Albuquerque.

Agência Estado

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