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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Atletas do tiro criticam burocracia na liberação de armas

Foto: COB

No Pan-Americano de Toronto, Júlio Almeida acertou no alvo e conquistou pela primeira vez uma medalha de ouro no tiro esportivo. E ele não foi o único. O desempenho da delegação brasileira na modalidade surpreendeu com três medalhas de ouro e uma de prata. Os atletas já estão de olho nas Olimpíadas de 2016. No entanto, reclamam da dificuldade em importar armas e munições.]

Para Julio Almeida, a burocracia é um das principais barreiras para o desenvolvimento do tiro esportivo no Brasil.

Sonora:  “Uma pistola que já era para estar usando eu levei um ano e oito meses para conseguir registrar, consegui registrar em fevereiro. Em fevereiro, depois que eu registrei, eu já não tinha mais stand de 50 metros pra treinar, porque fechou o CNTE ( Centro Nacional de Tiro Esportivo, na Zona Oeste do Rio), e aqui só tinha 10 metros até então. Então não consegui usá-las ainda. Estou esperando passar essas competições para depois disso eu começar a treinar, eu começar a me adaptar a essa arma nova que estou querendo usar na competição. O processo, por exemplo, do tiro na Receita, eu levei cinco meses pra conseguir tirar minha arma de lá, e você vai ver, tinha uma pane no software do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior)”.

O atleta Julio Almeida contou que as armas costumam ficar presas no Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados, ligado ao Ministério da Defesa, e ou então na Receita Federal.

Sonora: "O que você tem que enfrentar de dificuldades para conseguir ter sua primeira pistola, seja ela de ar comprimido que nem tem tantas regras assim, é tão grande que é difícil alguém começar hoje no Brasil. Então hoje o Brasil não em quase juniores."

O presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), Durval Balen, também se queixa da burocracia e aponta que os atletas encontram dificuldades até mesmo para transportar as armas de treino.

Sonora: "Há uma dificuldade muito grande na aquisição de armas, de munições, inclusive na obtenção de guias de tráfego para permitir o deslocamento dos atletas de suas residências aos locais dos eventos e treinamentos. É uma luta constante."

Já o diretor executivo do Sou da Paz, Ivan Marques, defende maior controle as armas de fogo na mão de civis mas acredita que isso não deve impedir o desenvolvimento do esporte.

Sonora: "Não é possível que o esportista seja cerceado do seu direito, da sua vontade de exercer uma atividade esportiva por conta de uma situação bastante peculiar de violência no país. É preciso sim que haja olhar especial, para que o esportista possa praticar sua atividade. No entanto, o esportista também precisa ter consciência de que o material que ele usa para a prática desse esporte não é um instrumento comum, não é um instrumento que não causa malefícios à sociedade, e para isso ele também precisa ter sua parcela de responsabilidade. "

O ministro do esporte, George Hilton, garante que os atletas que vão disputar os jogos olímpicos não terão dificuldade.

Sonora: "Existe hoje um cuidado muito grande do Ministério da Defesa, do Ministério da Justiça, e tenho certeza que isso não será obice. Os atletas vão poder ter, a seu tempo, o material que precisam para desenvolver o esporte que é tão importante e que vai trazer muitas alegrias, que é o tiro esportivo."

A Receita Federal informou que o tempo médio de despacho de importação não chega a 40 horas, mas que importações sujeitas a controle de outros órgãos, como armas e munições, podem demorar mais.

O Ministério da Defesa não respondeu aos questionamentos da reportagem.


EBC. Rádio Agência Nacional.

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