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sábado, 26 de setembro de 2015

Em Jornada Climática, Defesa debate impactos das mudanças ambientais nas operações militares


Brasília, 25/09/2015 – Nesta sexta-feira (25), militares das Forças Armadas estiveram reunidos para a Jornada de Trabalho sobre Mudanças Climáticas. O evento, que aconteceu durante todo o dia, no auditório do Ministério da Defesa, teve o objetivo de apresentar impactos das mudanças climáticas em operações marítimas, terrestres e aéreas. Ademais, foram apresentados relatórios prospectivos de alterações no clima para até o ano 2100.

Além de palestras com integrantes das Forças, as exposições contaram com profissionais dos ministérios do Meio Ambiente; Relações Exteriores; Integração Nacional; Ciência, Tecnologia e Inovação; e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Logo pela manhã, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Fernando Perondi, explicou o funcionamento de seu órgão. Ele disse que a instituição está dividida em três camadas: acesso ao espaço, infraestrutura espacial e aplicações. Esses setores cuidam de temas como meteorologia e ciência do sistema terrestre, entre vários outros.

Perondi mostrou, também, como são gerados cenários futuros para chuvas, precipitações e temperaturas, no formato de gráficos. “Esses mapas servem de entrada para outros estudos”, alertou. Com tecnologia, as prospecções são realizadas em períodos bem espaçados, como os anos de 2040, 2070 e até mesmo 2100.

Sobre o clima, destacou que de acordo com estudos do Inpe, a tendência é que a temperatura seja cada vez mais quente em toda a América do Sul. No Brasil, o máximo de aquecimento será na região Centro-Oeste em todas as estações do ano. No caso das chuvas, haverá aumento no extremo oeste da Amazônia.

Forças Armadas

A apresentação da Marinha ficou a cargo do capitão-de-fragata Felipe Santos. O oficial citou alguns eventos climáticos que já estão em andamento no país, tais como ondas de calor, chuvas pesadas, furacões, inundações e secas, geleiras e niveis do mar subindo.

“A mudança no clima de ondas pode alterar o transporte de sedimentos e a morfologia costeira, gerando impactos sobre as estruturas e benfeitorias, como, por exemplo, em instalações portuárias”, falou.

A nível mundial, segundo ele, pode haver escassez de alimentos, água potável, energia e terras agrícolas, o que geraria aumento das tensões entre países e colapsos econômicos.

Para o capitão-de-fragata, “o acompanhamento e as possíveis consequências das alterações climáticas devem estar previstas nas estratégias de defesa e segurança nacionais. É fundamental o monitoramento de dados ambientais e a realização de estudos científicos para refinar as projeções e permitir a reavaliação regular dos riscos, vulnerabilidades e oportunidades”.

Já o Exército ficou sob a responsabilidade do coronel Moacir Rangel Junior. Ele acredita que é necessária uma nova estruturação da Força Terrestre, já que a instituição vem sendo constantemente empregada para ações de ajuda humanitária no caso de catástrofes naturais. Por conta disso, está em experimentação doutrinária uma equipe do Exército só para atuação nessas situações. Inicialmente, os testes acontecem em Recife (PE).

O coronel exemplicou, ainda, iniciativas sustentáveis em curso. Uma delas é o programa de baterias de sódia da Usina de Itaipu, que servirá, por exemplo, para suprir energia dos pelotões especiais de fronteira. A tecnologia recarrega o equipamento por meio de força eólica ou solar.

No que diz respeito às soluções para o problema do clima, o militar sugeriu que o tema seja estudado pelo Estado-Maior do Exército e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia da Força. “Não existe, ainda, nenhum desdobramento da temática em curso.”

Por fim, a Aeronáutica apresentou os impactos das mudanças climáticas nas operações aéreas por meio do tenente-coronel Paulo Roberto Bastos de Carvalho. De acordo com seus estudos, com a variação de temperatura, há diferença no desempenho das aeronaves.

Também advertiu que, com o tempo, os aeroportos sofrerão impactos e a malha aérea deverá ser alterada. Acerca do aumento no nivel do mar, detalhou que as consequências vão de encontro à alta incidência de tempestades, principalmente em áreas costeiras.

“O Brasil vai sofrer grandes variações climáticas de Norte a Sul e vai impactar nas operações aéreas. É uma situação nova para a Força que deverá ser pensada”, afirmou.

O chefe da Assessoria de Doutrina e Legislação da Defesa, general Manoel Lopes de Lima Neto, acrescentou que no caso do ministério, já existe um protocolo de intenções para atuação em casos de desastres naturais, quando o apoio da Marinha, do Exército e da Aeronáutica é solicitado. “Este memorando é em conjunto com os ministérios da Integração e da Saúde.”

Por Marina Rocha
Ministério da Defesa.

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