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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

MI5 quer que empresas de tecnologia denunciem terroristas


Chefe do MI5, em entrevista inédita, diz que as novas tecnologias permitem aos terroristas conspirar fora do alcance das secretas e defende que as empresas devem avisar voluntariamente as autoridades.

O chefe dos serviços secretos britânicos MI5 alertou hoje que os avanços tecnológicos estão a permitir que as comunicações entre terroristas fiquem fora do alcance das autoridades e defende mesmo que as empresas que gerem estes serviços têm a “responsabilidade ética” de alertar as autoridades para potenciais ameaças.

Numa entrevista inédita da parte de um alto responsável das secretas britânicas (o MI5 é o braço doméstico das secretas britânicas, o MI6 o braço internacional), Andrew Parker avisa que os serviços secretos podem não conseguir informação crucial para parar atentados terroristas.

Andrew Parker explica que o nível de encriptação de dados usado nos novos serviços, como as redes sociais, impede as autoridades de aceder a informação crítica, mesmo quando têm autorização judicial para o fazer.

“Não é do interesse de ninguém que os terroristas possam comunicar e conspirar fora do alcance das autoridades”, disse em entrevista à BBC.

Por isso mesmo, defende, as próprias empresas devem tomar a iniciativa de passar informações às autoridades, uma questão polémica, especialmente após as reações ao escândalo de escutas da agência de segurança norte-americana NSA revelada por Edward Snowden, que tinha a participação de várias empresas, em especial redes sociais e empresas de telecomunicações.

A pressão para ter mais poderes surge numa altura em que o governo e o parlamento britânico estão a preparar nova legislação relativa à vigilância eletrónica. O chefe do MI5 diz que o que deve integrar a nova lei é uma questão do Parlamento e não dos serviços secretos, apesar de surgir em público a pedir mais poderes para a agência que lidera.

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nmartins@observador.pt

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