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sábado, 24 de outubro de 2015

ONU celebra 70 anos sob pressão para mudar


Fracasso em crises recentes, como na Síria, reforça questionamentos sobre capacidade das Nações Unidas de cumprir sua principal tarefa: assegurar a paz mundial. No centro das críticas, o Conselho de Segurança.

Terrorismo islâmico, a guerra fria em torno da Ucrânia, as constantes ameaças nucleares por parte da Coreia do Norte e um Oriente Médio que afunda em caos. E isso é somente uma pequena parte de todos os conflitos que atualmente mantêm o mundo em suspense. Se já não houvesse um vigilante mundial da paz, como as Nações Unidas, ele precisaria ser inventado.

No entanto, as comemorações de seus 70 anos de existência são ofuscadas pela crítica crescente de que, em vez de vigilante da paz, a organização seria antes um clube de debates dispendioso e titubeante.

Escuta-se sempre que os escritórios climatizados na sede da ONU em Nova York estariam muito distantes das crises e guerras. As críticas mais recentes são relacionadas principalmente à crise na Síria. Em março, 21 organizações de ajuda humanitária acusaram a ONU de um fracasso completo – ou "um fracasso vergonhoso" perante um dos maiores desafios do século 21, como disse o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty.
Falta de cooperação

De acordo com o ex-embaixador alemão nas Nações Unidas Hans Heinrich Schumacher (2001/2002), a responsabilidade por esse desenvolvimento é, principalmente, dos países-membros. Em situações de crise, afirma, eles teriam com muita frequência "impedido a solução de um problema através da resistência à cooperação e por uma atitude de bloqueio".

"Há cinco anos os Conselhos de Segurança e de Direitos Humanos das Nações Unidas adotaram declarações que lamentaram a morte de 5 mil pessoas. Hoje, temos 250 mil, ou talvez ainda mais mortes", completa o diplomata. "A situação está mais "confusa e descontrolada do que nunca", avaliou.

O ex-embaixador alemão na ONU critica principalmente a estrutura do Conselho de Segurança. Seus cinco membros permanentes – EUA, Rússia, China, França e Reino Unido –podem bloquear qualquer resolução com poder de veto.

Nesse grêmio, decisões necessárias não são tomadas por interesses particulares desses paíes. Como foi o caso, recentemente, dos conflitos da Síria e da Ucrânia. Ao mesmo tempo, os cinco membros permanentes impedem qualquer tipo de reforma que poderia limitar seu poder. Por isso, desde 1990 o tema é motivo de discussão.

Fracassos

Em declaração de governo perante o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), há cerca de dez dias, o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, deu início a uma nova tentativa para convencer o grêmio mais poderoso do mundo "de se adequar às mudanças da política mundial". Isso inclui em particular uma restrição do direito de veto.

"Não é admissível que esse privilégio venha a condenar toda a organização à inatividade em face dos maiores crimes contra a humanidade", criticou o ministro.

Junto à falta de disposição para reformas, relatos de abuso sexual por parte de voluntários e soldados das missões de paz da ONU proporcionam regularmente manchetes negativas. No momento, estão sendo realizadas investigações sobre missões das Nações, especialmente em Haiti, Congo, Libéria e Sudão do Sul.

Além disso, a reputação das Nações Unidas ainda sofre com o fracasso de missões anteriores. Desde que os capacetes azuis se retiraram de Ruanda, em 1994, em vez de evitar o genocídio contra a etnia tutsi, e desde que os soldados da ONU permitiram que acontecesse o massacre de civis na cidade bósnia de Srebrenica, em 1995, a opinião pública internacional observa de forma muito mais crítica as missões.

O êxito mais importante

Na história das Nações Unidas, também houve uma série de sucessos. Para o também ex-embaixador alemão na ONU Gunter Pleuger (2002 a 2006), a descolonização teria sido a história mais longa e de maior êxito. Da década de 1940 até 2002, as Nações Unidas ajudaram 120 colônias a se tornarem independentes. Segundo Pleuger, esse processo teve um impacto profundo na política em geral.

Pois o processo e a discussão sobre a descolonização fizeram que o uso da força para a manutenção da soberania não democrática não fosse mais lícito, explica o ex-diplomata. Ele diz estar convencido de que "isso também contribuiu para os movimentos de democratização no Leste Europeu e, principalmente, para a ausência de violência na Reunificação da Alemanha".

De acordo com Pleuger, apesar de todas as críticas, a ONU continuará a desempenhar um papel importante, pois problemas globais, como o grande número de conflitos regionais ou a proteção ambiental, precisam de soluções globais:

"Nenhum Estado isolado pode encontrar tais respostas. Soluções globais exigem também instituições globais e a única organização que temos desse tipo é a ONU", conclui o ex-diplomata.

Deutsche Welle

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