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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Argentina fecha acordo nuclear de US$ 15 bi com a China

Marli Olmo

A presidente Cristina Kirchner encerrará a gestão com um financiamento chinês bilionário. A menos de um mês de encerrar o mandato, o governo argentino assinou acordos para investimento de US$ 14,5 bilhões para construir duas usinas nucleares no país. Desse total, a China financiará 85% com prazo de pagamento de 18 anos.

O governo argentino aproveitou a reunião de cúpula do G-20 na Turquia para firmar os acordos que começaram a ser negociados em meados do ano passado, durante viagem do presidente Xi Jinping a Buenos Aires.

Nos últimos meses, os entendimentos com o governo chinês foram questionados por analistas, pela oposição e por ambientalistas em razão da falta de detalhes da negociação. Mas, como resultado da força da bancada de deputados kircheneristas, os acordos foram aprovados pelo Congresso em fevereiro.

O pacote negociado com os chineses também prevê a instalação de uma estação espacial em Neuquén, ao sul do país. A oposição reclamava a necessidade de pelo menos proibir o uso da estação espacial para fins militares.

O acordo firmado esta semana na Turquia prevê que a usina que receberá a maior parte dos recursos (US$8,5 bilhões), utilizará urânio enriquecido, uma tecnologia não disponível na Argentina, segundo analistas. A segunda usina absorverá US$ 6 bilhões.

Entre empresários, a maior preocupação é que os acordos contenham causas que obriguem a Argentina a contratar empresas e até mão de obra da China. O governo não confirma esses detalhes. O Ministério da Economia destaca que as obras vão "garantir ao país o abastecimento energético no futuro".

"O maior problema dessas negociações é não apresentar nenhuma clareza do que foi efetivamente acertado e nos parece muito estranho a pressa em assinar os papéis quando faltam poucos dias para a entrada de um novo governo", destaca Emilio Apud, analista para a área de energia da Libertad & Progreso.

O acordo foi assinado pelos três ministros que representaram Cristina no encontro do G-20 - Axel Kicillof, da Economia, Julio de Vido, doPlanejamento, e o chanceler Hector Timerman.

Cristina deixa para o sucessor um país amarrado com os chineses. Além das obras na área de energia, estão também previstos contratos com estatais chinesas da área ferroviária. Essa negociação envolve financiamentos em torno de US$ 4 bilhões. Desse total, US$ 2,4 bilhões já foram acertados por meio de uma carta de intenções assinada pelo governo argentino e a China Machenery Engineering Corporation para investimento em transporte de carga.

Outra amarra está nas reservas do Banco Central argentino. Segundo cálculos de economistas, dos pouco mais de US$ 26 bilhões que sobrarão nas reservas em moeda estrangeira quando o sucessor de Cristina assumir o cargo, em 10 de dezembro, metade é formada por yuan. Trata-se da soma de vários "swaps" (trocas de moeda) que o governo fechou com os chineses.

O "swap" foi a forma encontrada pelo governo para tentar aliviar a perda de reservas, que têm servido também para financiar o gasto público.

Valor Econômico.

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