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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Gás mostarda é usado por rebeldes na Síria

Em 2013, especialistas da ONU investigaram uso de armas químicas em Damasco

Segundo relatório da OPAQ, não é possível confirmar qual grupo foi autor de ataque. Crescem, no entanto, indícios de que jihadistas do "Estado Islâmico" possuem armas químicas.

Especialistas comprovaram o uso de gás mostarda em combates entre jihadistas do "Estado Islâmico" (EI) e grupos rebeldes na Síria, afirmaram nesta quinta-feira (05/11) fontes da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

O gás foi utilizado em Marea, uma cidade da província de Aleppo, no dia 21 de agosto. "Nós confirmamos os fatos, mas não determinamos os responsáveis", disse a fonte à agência de notícias AFP.

Um relatório confidencial sobre o tema foi enviado aos países membros da organização que se reunirão em Haia, no final de novembro. Essa é a primeira vez que gás mostarda é usado no país.

A agência de notícias Reuters teve acesso a um resumo do relatório que afirmou que um bebê, provavelemente, morreu em decorrência do ataque. Ativistas sírios e ONGs de saúde já haviam afirmado, no fim de agosto, que um ataque com armas químicas atingiu dezenas de pessoas naquela cidade.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse ter tratado de quatro civis da mesma família atingidos por gás mostarda. Segundo os pacientes, um morteiro atingiu a sua casa e "após a explosão, um gás amarelo encheu a sala".

O relatório é mais um indício de que o EI possui armas químicas e está as utilizando em confrontos na Síria e Iraque. Autoridades curdas afirmaram que jihadistas usaram gás mostarda no ataque a forças peshmerga, também em agosto. Exames de sangue de 35 combatentes teriam comprovado o uso.

O gás mostarda é muito tóxico e provoca graves lesões na pele e irritações nos olhos e no aparelho respiratório, assim como lesões neurológicas e gastrointestinais e destruição de tecidos e vasos sanguíneos. Ele foi usado pela primeira vez por alemães na Bélgica, em 1917, e foi proibido pela ONU em 1993.

Em 2013, o governo sírio concordou em destruir suas armas químicas, para evitar investidas militares dos EUA que surgiram como ameaça após um ataque com gás sarin que matou centenas de civis num subúrbio de Damasco. O estoque declarado da Síria de armas químicas foi destruído.

No país, forças do governo e da oposição negaram o uso de armas químicas no conflito que já dura mais de quatro anos.

Deutsche Welle

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