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sábado, 19 de dezembro de 2015

Israelenses reagem com irritação a veto do Brasil a novo embaixador

Diplomatas e políticos israelenses reagiram com irritação nesta sexta-feira (18) às indicações, publicadas pela Folha e pelo site Times of Israel, de que o governo brasileiro não tem intenção de aceitar a nomeação do embaixador designado por Israel.

O indicado, o argentino naturalizado israelense Dani Dayan, é ex-líder do Conselho Yesha, que representa 500 mil colonos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Um diplomata israelense acusou o Brasil de boicotar Israel, afirmando ao canal 2 da TV local que se trata de atitude "horrenda".

Há temor de que o impasse abra um precedente e que outros países se recusem a receber diplomatas israelenses que morem em colônias.

À Folha um dos principais envolvidos na nomeação, que pediu para não ser identificado, disse que Israel não vai abrir mão da indicação, mesmo que o posto fique vago por muito tempo. "Israel vai insistir. Se o impasse continuar, não haverá embaixador em Brasília", disse.

"Netanyahu e líderes do Ministério do Exterior terão que intervir no assunto e enviar mensagens claras ao governo do Brasil."


A nomeação foi em agosto, e a Chancelaria israelense iria esperar só até o fim deste mês para pedir esclarecimento formal de Brasília.

Dayan foi indicado pessoalmente pelo premiê israelense, Binyamin Netanyahu (que acumula o Ministério do Exterior). Mas, até agora, não recebeu o "agrément" (aceitação oficial) do Itamaraty.

O embaixador anterior, o druso-israelense Reda Mansour, voltou a Israel na quinta-feira (17). Ficou no Brasil um ano e três meses, abrindo mão do cargo a pedido de sua mulher, que não se acostumou com Brasília.

"FUGA" DE DILMA

Para a mídia israelense, o impasse está levando Israel e Brasil a uma crise diplomática sem precedentes.

Há duas semanas, Netanyahu confidenciou a um grupo de parlamentares brasileiros em visita a Israel que a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, "fugiu" dele durante a conferência da ONU sobre o clima (COP21), em Paris, para não falar no assunto.

Segundo presentes ao encontro relataram à Folha, Netanyahu disse ter conversado com líderes árabes e com os presidentes François Hollande (França), Barack Obama (EUA) e Vladimir Putin (Rússia) –mas não com Dilma.

A rejeição da nomeação seria uma mensagem de que o Brasil não aceita um colono israelense atuando como embaixador no país, sob perigo de parecer dar algum tipo de aval aos assentamentos.

Fora isso, o Brasil ficou irritado com o fato de que a nomeação de Dayan foi anunciada primeiro por meio do Twitter de Netanyahu, e não diretamente ao Itamaraty.

PLANO B

Nos bastidores da diplomacia israelense, há quem já comece a pensar em opções para o caso de Dani Dayan não receber o "agrément".

Uma alternativa seria indicar Dayan à embaixada em Buenos Aires e sugerir para o cargo em Brasília o indicado para a capital argentina, o brasileiro Ilan Sztulman.

Outros acreditam que Israel precisa esperar o resultado de processos políticos no Brasil, como o eventual impeachment da presidente.

A crise diplomática também está no radar de empresários que promovem negócios entre os dois países.

"Duvido que a questão influencie no comércio", diz Roy Rosenblatt-Nir, presidente da Câmara Israel-Brasil. "Mas pode haver problema com os contatos de segurança entre os dois países."


Folha de S.Paulo

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