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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Novo jato da Aerion almeja ocupar espaço do Concorde

Por Doug Cameron E Robert Wall | The Wall Street J
Quanto custam duas horas e meia para executivos apressados e ricaços? Doug Nichols, diretor-presidente da fabricante de aviões Aerion Corp., estima algo em torno de US$ 120 milhões. O ex-executivo da Boeing Co. passou sete anos desenvolvendo um jato executivo supersônico que pretende ocupar o nicho de mercado que ficou vago quando o Concorde parou de voar, em 2003. Seu público-alvo são aqueles que absolutamente precisam voar de Londres a Nova York ou vice-versa em quatro horas e meia, em vez de sete.

A Aerion tem o projeto mais avançado entre outros semelhantes. Há pouco tempo, Nichols recebeu encomendas para seu planejado avião, o AS2, que terá capacidade para 12 passageiros. Por US$ 120 milhões, o comprador pode percorrer quase 8.800 quilômetros a uma vez e meia a velocidade do som.

Mas antes que Nichols alcance seu objetivo de fazer o primeiro voo em 2021 e entrar em serviço dois anos depois, a Aerion precisa superar o ceticismo há muito existente entre financiadores e fabricantes de jatos executivos sobre a viabilidade de aviões supersônicos. Ela necessita também convencer possíveis compradores e reguladores dos méritos dessas aeronaves.
A Aerion estima que o AS2 custará US$ 4 bilhões para ser desenvolvido, produzido e certificado, o que vai exigir um novo financiamento, dado que a empresa desistiu de um plano de licenciar sua tecnologia para outro fabricante. Seu cronograma para chegar ao mercado também é bastante agressivo até para fabricantes mais experientes.

O principal obstáculo permanece a proibição de voos de jatos comerciais a velocidades supersônicas sobre os Estados Unidos. Outros países também exigem que aviões de alta velocidade passem o maior tempo possível sobre o oceano para evitar o estrondo característico produzido pela ultrapassagem da velocidade do som.
"A rota mais direta não é necessariamente a mais rápida", diz Nichols a respeito do plano de voo que o AS2 terá que adotar para se desviar das costas dos Estados Unidos e do Canadá e ligar Nova York a Londres - reduzindo, ao mesmo tempo, duas horas e meia do tempo gasto por um jato executivo convencional seguindo uma rota mais direta numa velocidade próxima à do som.
A trajetória da Aerion também foi cheia de desvios. A empresa americana de capital fechado foi criada em 2002 por Robert Bass, um bilionário da área de private equity e entusiasta do setor aeroespacial, que injetou recursos de sua firma, a Oak Hill Investment, no empreendimento.
O primeiro avião conceitual da Aerion foi lançado em 2007 e recebeu 50 encomendas, mas o projeto foi cancelado dois anos depois, quando a crise financeira reduziu as vendas de novos jatos executivos, um colapso do qual o setor ainda está tentando escapar.
A Dassault Aviation AS e a Gulfstream, unidade da General Dynamics Corp., estão pesquisando o mercado supersônico, mas nenhuma delas pretende lançar novos modelos em vários anos. As concorrentes da Aerion continuam céticas sobre o mercado supersônico, que elas afirmam se limitar à travessia transatlântica. "Um jato executivo naquele espaço não faz sentido", diz um executivo de uma fabricante de jatos.
Ainda assim, em novembro, o AS2 garantiu seus primeiros pedidos, feitos pela Flexjet LLC, uma empresa especializada em aviões de propriedade fracionada. A Flexjet encomendou até 20 unidades, embora com depósitos estornáveis."O avião tem uma missão muito específica", diz Kenn Ricci, que, como presidente do conselho da Flexjet, já encomendou dezenas de aviões executivos convencionais de fabricantes como Gulfstream, Bombardier Inc. e Embraer SA.
Ricci diz que a Flexjet passou um ano estudando o AS2 como uma adição à sua frota crescente, de olho nos passageiros endinheirados e com pouco tempo que viajam por rotas populares de jatos executivos, como Londres a Nova York ou Dubai, ou entre cidades do Golfo Pérsico ou da China. Embora o custo de operação do AS2 será 35% maior que o de um jato convencional, os possíveis clientes não são sensíveis a preços.
As leis da aerodinâmica exigem que os aviões supersônicos sejam longos e finos. O AS2, da Aerion, terá 52 metros de comprimento e um peso máximo de decolagem em torno de 55 toneladas, o que limitará seu uso em aeroportos menores como o de Teterboro, em New Jersey, favorito dos altos executivos de Wall Street.
Nichols diz que, apesar dessas limitações e do desafio dos estrondos sônicos, o avião seria uma adição viável ao mercado mesmo para viagens entre as duas costas dos EUA, pois maximizaria os voos a altas velocidades subsônicas.
A Aerion não está sozinha. A Spike Aerospace Inc., de Boston, tem promovido o projeto de seu avião S-512 em feiras de aviação. O avião de US$ 100 milhões pode ficar pronto em 2022, diz o diretor-presidente da Spike, Vik Kachoria, e alcançar uma velocidade máxima de cruzeiro de 1,6 vez a velocidade do som, com uma autonomia de voo de 10,3 mil quilômetros.


Valor Econômico. 

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