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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Por que o sucesso da SpaceX com o foguete Falcon 9 é tão importante

Por Emerson Alecrim

Na noite de segunda-feira (21), a SpaceX conseguiu fazer o Falcon 9 atingir a órbita da Terra e retornar, abrindo caminho para o conceito de foguetes reutilizáveis.

É difícil acertar de primeira. Histórias de sucesso frequentemente são precedidas por tentativas frustradas. Mas a persistência é a locomotiva de todo grande feito. A SpaceX está aí para provar: na noite da última segunda-feira (21), a companhia espacial fundada pelo bilionário Elon Musk conseguiu fazer o foguete Falcon 9 aterrissar com sucesso depois de conduzir 11 satélites à órbita baixa da Terra.

Tamanha proeza pode trazer grandes avanços para as missões espaciais.

Uma façanha histórica

Às 23:29, no horário de Brasília (20:29 no horário local), o foguete Falcon 9 FT decolou do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral, na Flórida, para cumprir a missão ORBCOMM-2 (PDF), que consiste, basicamente, em colocar em órbita 11 satélites Orbcomm Generation 2.


A Orbcomm é uma companhia especializada em comunicação Machine-to-Machine (M2M). Os satélites recém-lançados deverão atuar nesse tipo de comunicação por cinco anos, aproximadamente, permitindo o monitoramento de veículos em campos de mineração e o rastreamento de embarcações, só para exemplificar.

Os satélites chegaram à órbita baixa da Terra sem nenhum incidente. Mas essa é só uma parte da missão. A outra, mais desafiadora, consistia em fazer o foguete retornar ao planeta depois de “entregar” os satélites e aterrissar na vertical em uma plataforma em terra firme. Deu certo, como mostra o vídeo baixo. A missão foi um sucesso do início ao fim.

Tamanha proeza havia sido tentada pelo menos três vezes. Na primeira, no início do ano, o Falcon 9 deveria ter pousado em uma embarcação, mas o foguete ficou sem um fluído hidráulico, o que dificultou a realização de manobras. Resultado: o Falcon 9 não conseguiu chegar à plataforma na posição correta e acabou colidindo.


Na segunda tentativa, executada em abril, o Falcon 9 deveria ter pousado em uma plataforma marítima, mas, por causa de uma falha em uma válvula, o foguete perdeu velocidade tardiamente. Isso fez o Falcon 9 chegar com muita força à plataforma, tombando na sequência.

Em junho houve a terceira tentativa. Nessa, o foguete nem se aproximou do solo — o pouso seria feito em terra firme. Pouco mais de dois minutos após a decolagem, uma anomalia fez o foguete explodir no ar:

Na noite de ontem, em uma conferência realizada logo após a aterrissagem, Elon Musk revelou que não estava muito confiante no sucesso da última missão, mas não escondeu a euforia com o pouso do Falcon 9: “passaram-se 13 anos desde que a SpaceX foi criada. Chegamos perto [do objetivo] várias vezes. Acho que as pessoas aqui estão muito felizes”, disse.

Por que isso é tão relevante?

A SpaceX realizou algumas mudanças nessa missão. Isso certamente contribuiu para o êxito de ontem. Uma delas foi a escolha de uma área de pouso em terra (uma antiga área de testes da Força Aérea dos Estados Unidos) que, obviamente, é mais estável que plataformas marítimas. Outra foi o uso de motores mais toleráveis a manobras rigorosas.

Graças a esses motores (ao todo, nove), o primeiro estágio do foguete — o propulsor, aquele que fornece potência à decolagem — se desprendeu alguns minutos após a decolagem e iniciou seu regresso à Terra. Depois de 11 minutos do início da missão, esse estágio estava pousando em posição vertical. Nos minutos seguintes, o segundo estágio continuou seu trajeto e liberou, também com sucesso, os 11 satélites Orbcomm.

Você não precisa ser engenheiro aeroespacial para saber que foguetes são caros. Só os custos de produção do Falcon 9 estão estimados em US$ 16 milhões (desconsiderando custos de projeto). É nesse ponto que a SpaceX quer fazer diferença: se a empresa conseguir oferecer foguetes reutilizáveis, os custos das missões espaciais cairão drasticamente. Sem falar que a reutilização diminui a geração de lixo espacial.

É fácil entender. Quando um foguete é lançado para colocar satélites em órbita ou cumprir uma missão de reabastecimento, por exemplo, o equipamento é completamente descartado após o cumprimento da tarefa. Por conta disso, cada missão precisa de um novo foguete.

Ao recuperar o primeiro estágio do Falcon 9, a SpaceX poderá reutilizá-lo várias vezes em missões com os mais diversos fins.

É só o começo

Com o aprimoramento da tecnologia, a SpaceX espera alçar voos mais altos, com o perdão do trocadilho. Um feito como esse pode abrir portas não só para missões convencionais mais frequentes, como também para o tão sonhado turismo espacial, por exemplo. Musk, que nunca foi de pensar pequeno, acredita até que a tecnologia poderá viabilizar missões para Marte. Já pensou?

Tudo acontece no seu tempo, porém. A SpaceX não detalhou os próximos passos, mas já se sabe que a companhia continuará realizando testes de reutilização — é provável até que insista na ideia de realizar pousos no mar.

Agora, o momento é de comemoração. Até Jeff Bezos enviou a Musk os seus cumprimentos, o que não surpreende: o fundador da Amazon também está na “corrida espacial”. Bezos é dono da Blue Origin, companhia que, no final de novembro, também fez um foguete pousar. Só que as circunstâncias foram diferentes: o BE-3, como é chamado, atingiu uma altitude de 100 quilômetros e depois voltou. Já o Falcon 9 cumpriu uma missão de verdade, alcançando, como você já sabe, a órbita terrestre baixa.

Você pode conferir todos os detalhes do lançamento no site da SpaceX.

Com informações: ExtremeTech, Ars Technica.


Tecnoblog 

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