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sábado, 2 de janeiro de 2016

Filha do militar que prendeu Che Guevara vira chefe do Exército boliviano

Gina Reque Terán é a primeira mulher a chegar à cúpula militar no país

Fernando Molina

Gina Reque Terán, a primeira mulher boliviana a chegar ao grau de general do Exército, em março passado, continua cumprindo o seu papel de pioneira militar com a sua recente indicação como Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, o segundo cargo de maior importância na hierarquia militar do país.

Gina é filha de Luis Reque Terán, o comandante que dirigiu os militares bolivianos em 1967 quando estes enfrentaram, capturaram e mataram Che Guevara, que havia organizado uma guerrilha no país como parte da estratégia de esquerda de “exportar” a revolução cubana para o restante da América Latina. As mulheres foram admitidas nas escolas de formação de oficiais na Bolívia pela primeira vez em 1979, quando o país voltou a viver sob uma democracia. Desde os anos noventa, elas podem prestar, voluntariamente, o serviço militar, que é obrigatório para os homens aos 18 anos.

Gina Reque Terán, como afirmou nesta quarta-feira o presidente Evo Morales durante a posse do novo Alto Comando (cujo mandato será de um ano e do qual Reque Terán faz parte), representa o resultado das mudanças efetuadas em favor da igualdade entre os gêneros. No entanto, a instituição militar continua a ser essencialmente masculina. A administração de Morales, em 10 anos, tem se caracterizado por uma elevada participação feminina nos cargos públicos. Com a aplicação da cláusula de paridade nas candidaturas ao Legislativo, introduzida na Constituição de 2009, pouco mais de 50% das cadeiras da Assembleia do país são ocupadas por mulheres. E, em diferentes momentos, o Governo foi composto meio a meio por ministros dos dois sexos.

Ao mesmo tempo, a Bolívia registra um índice de violência praticada por homens que está entre os mais elevados do continente: 60% das mulheres afirmam ter sofrido algum tipo de abuso ao longo da vida e, anualmente, ocorrem cerca de 100 assassinatos de namoradas e esposas por parte de seus parceiros. Os grupos feministas bolivianos criticam o fato de que o poder maior das mulheres dentro do Governo não se tenha traduzido em políticas mais efetivas para reduzir o machismo, que, segundo eles, o presidente tende, ao contrário, a estimular com as suas “brincadeiras” sobre a aparência e a vida pessoal de suas companheiras na política.

No gabinete de Morales há uma fotografia de Che Guevara. As Forças Armadas, entre outras medidas adotadas pelo político boliviano para criar um sentimento militar “anticapitalista”, adotaram o grito de guerra cubano “Vitória ou morte: venceremos!”. 

Ao mesmo tempo, Morales tem aumentado e estimulado a participação das Forças Armadas no Governo de forma inédita sob um regime democrático país. As mesmas Forças Armadas que, internamente, continuam a considerar a sua vitória contra as guerrilhas dos anos 60 e 70, obtida com o apoio norte-americano, como uma de suas glórias castrenses.


El País  

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