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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Marinha utiliza scanners alemães para medir poluentes lançados em incêndio

GDA e SIGIS chegaram ao Brasil para serem utilizados na Copa do Mundo.

Equipamentos são capazes de identificar até 200 compostos químicos

Do G1 Santos

A Marinha do Brasil está utilizando dois scanners para identificar possíveis poluentes no ar, próximo ao terminal do Porto de Santos onde ocorreu um vazamento de gás e um incêndio, na última semana, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Os equipamentos são importados da Alemanha.

O GDA e o SIGIS 2 chegaram ao Brasil para serem utilizados na Copa das Confederações e na Copa do Mundo. Eles também serão usados durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto deste ano.

Os equipamentos são capazes de identificar até 200 compostos químicos, por conta de um sistema de infravermelho. Podem ser utilizados em uma área distante da atingida e, por isso, facilitam a descoberta de qualquer substância nociva à saúde em um raio de 5 km.

Com as informações coletadas, as autoridades poderão preparar um relatório e avaliar quais substâncias foram lançadas com a cortina de fumaça tóxica durante as 37 horas de incêndio no terminal da Localfrio.

Fim dos trabalhos

O incêndio terminou 37 horas após o vazamento de gás ter ocorrido no Distrito de Vicente de Carvalho. As chamas acabaram depois de o Corpo de Bombeiros começar a abrir os últimos contêineres em chamas para lançar água em seu interior.

A informação foi confirmada pelo comandante do Corpo de Bombeiros, Eduardo Nocetti Holms. “Agora, nós iremos fazer a desmobilização das equipes. Os trabalhos foram concluídos", disse.

Durante os trabalhos, 22 bombeiros e 4 brigadistas tiveram complicações por conta do incêndio. Três bombeiros tiveram de ser atendidos na Santa Casa de Santos. Todos foram liberados.

As autoridades se reuniram neste sábado (16) para decretar o encerramento do gabinete de crise, que envolveu diversos órgãos do setor público. A conclusão do gabinete foi definida após os órgãos chegarem a um consenso de que a situação de momento é tranquila, e que os moradores da região estão seguros.

Investigação

Os órgãos que atuam no incêndio que atingiu o terminal de cargas da Localfrio continuam os trabalhos para identificar os gases que foram lançados na atmosfera por causa do acidente.

Enedir Rodrigues, engenheiro da Cetesb, explica que as investigações continuam.

"Não tem como falar, neste momento, quais foram os produtos. Temos a relação dos produtos fornecida pela empresa e ainda iremos checar essa situação. É cedo para falar quais eram os produtos", disse.

- Choveu forte na região no Porto de Santos
- Alguma estrutura nos contêineres do pátio de armazenamento provavelmente cedeu
- A água da chuva entrou em contato com uma carga de um produto à base de cloro (ácido dicloro isocianúrico de sódio)
- Da reação química, surgiram focos de incêndio e a nuvem tóxica
- A fumaça causa irritações de pele e de olhos e, caso seja inalada, também nos pulmões

Combate a incêndios

Na manhã desta sexta-feira, os bombeiros informaram que entre 20 a 25 conteineres foram atingidos pelas chamas.

O trabalho foi feito por várias equipes que se dividem para resfriar o conjunto de conteineres e também atuavam no combate individual em cada um deles. Os bombeiros utilizaram 23 viaturas, um navio e um rebocador para captar a água do mar no combate ao incêndio.

Cidades atingidas

Várias áreas do complexo portuário precisaram ser evacuadas. A fumaça rapidamente se espalhou pela cidade de Guarujá e fotos registradas por moradores mostravam a Avenida Santos Dummont, a principal do município, coberta por uma névoa.

Por volta das 22h de quinta-feira (14), a fumaça já tinha se espalhado pelas cidades de Guarujá, Santos e São Vicente e invadido várias casas ocasionando problemas respiratórios nos moradores.

A fumaça também invadiu o Pronto Socorro de Vicente de Carvalho. Os pacientes que estavam internados foram transferidos, juntamente com as equipes e ambulâncias, para a UPA Boa Esperança, na Rua Alvaro Leão de Carmelo, onde a Secretaria de Saúde de Guarujá afirmou que os pacientes terão tratamento especializado.

Efeitos da fumaça

As pessoas atendidas apresentaram ardência nos olhos ou mal-estar ocasionado pela fumaça. Apesar do transtorno, as vítimas não correm risco de morte.

Segundo Flavio Zambrone, médico toxicologista e professor aposentado da Unicamp, "esse produto é extremamente tóxico". Ele produz irritações de pele e de olhos e, caso seja inalado, causa irritação também nos pulmões.

"É um produto à base de cloro. Ele é estável, mas tem alto teor de cloro, que se dissolve na água. Por isso, outro problema será a questão ambiental que virá depois".

Segundo o professor, o produto é usado na maioria das vezes em desinfecção de água, mas em grandes quantidades passa a ser tóxico.

Vários moradores recorreram a equipamentos de proteção. "As máscaras acabaram nos postos e nas farmácias.

Consegui pegar uma das últimas. Tem muita gente passando mal por causa da fumaça", afirmou a doméstica Maria Rita.

O engenheiro Felipe Pavan, de 27 anos, que trabalhava na Santos Brasil no momento do acidente, conta que ninguém entendeu o que estava acontecendo quando o produto começou a vazar.

"Fomos orientados a ir ao local de resgate. O problema é que estava tudo tomado por fumaça. Depois orientaram a sairmos por outra área. Nos disseram que era amônia e nitro álcool. Nunca tinha visto uma emergência dessas", disse.

Quem precisar de atendimento médico por irritação nos olhos, dificuldades de respirar, tontura ou náuseas deve procurar somente as UPAs Boa Esperança, Rodoviária e Enseada.

Áreas evacuadas

Por conta do vazamento, a orientação era para que as pessoas que moram em um raio de até 100 metros próximo ao local – ou seja, pessoas que residem no quadrante das avenidas Alvorada, Adriano Dias dos Santos, Santos Dumont e Rua Santidade Papa Paulo VI, além do Sitio Conceiçãozinha – procurassem a casa de amigos ou parentes.

A evacuação foi pedida pela prefeita de Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB).

"A situação é grave. Quem está nos quarteirões próximos ao local deve deixar as casas imediatamente. Os moradores precisam ir para a casa dos vizinhos e ficar longe do local da explosão. Quem estiver em casa, a orientação é pegar panos secos e colocar nas portas e janelas. Não saiam de casa. Se o morador se sentir mal deve procurar a UPA imediatamente. Cuidado com a chuva, porque ela contém elementos químicos e pode queimar a pele", afirmou a prefeita.


A assessoria de imprensa da Dersa, empresa responsável pelas travessias entre Santos e Guarujá, afirmou que a travessia de pedestres entre Vicente de Carvalho e a Praça da República foi temporariamente suspensa no final da tarde desta quinta-feira, por conta do acidente, mas foi liberada cerca de uma hora depois.

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