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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Navio russo começa a abastecer base argentina na Antártida.

O navio polar russo Vasily Golovnin – um gigante de 160 metros, de 13.514 toneladas e velocidade de 15,9 nós – começou a abastecer a Base Carlini, que a Argentina mantém na Ilha 25 de Maio, na Antártida, descarregando equipamentos, material científico e pesquisadores argentinos e de outros países que vão participar da Campanha Antártica 2016.

A base, administrada pelo Instituto Antártico Argentino e pela Direção Nacional do Ártico, é a única da região dotada de câmara hiperbárica e capaz de promover mergulhos de pesquisa no Estreito de Bransfield para estudo da vida marinha. 

Atualmente trabalham na base 37 pesquisadores argentinos, quatro alemães, três italianos e um espanhol que estudam o impacto do aquecimento global nos glaciares, além de outros aspectos do ecossistema, da fauna e da flora locais.

A base Carlini também integra a rede de cooperação científica que o Brasil mantém com outros países na Antártida. A base brasileira, a Estação Comandante Ferraz, encontra-se ainda em fase de reconstrução, após ter sido destruída por um incêndio em 25 de fevereiro de 2012, no qual morreram dois militares.

Segundo informou o Centro de Comunicação Social da Marinha à Rádio Sputnik, após o incêndio, foi realizado um complexo planejamento logístico-operacional, de modo a atender à continuidade das pesquisas, que contou com pesquisadores, militares e civis, além do emprego de cinco navios, para instalação dos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE) que permitiram a permanência brasileira na Antártida.

Segundo o diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha, contra-almirante Flávio Augusto Viana Rocha, as obras da reconstrução foram iniciadas em dezembro de 2015. A nova estação contará com 17 laboratórios e terá capacidade para abrigar até 64 pessoas. A conclusão da obra e a inauguração estão previstas, no contrato, para março de 2017, desde que não ocorram fatos supervenientes que atrasem a obra.

A empresa vencedora da licitação foi a chinesa Electronics Import and Export Corporation. Quanto ao pagamento decorrente da reconstrução, consta, na Lei Orçamentária Anual de 2016, recursos orçamentários (ação da Marinha do Brasil para reconstrução), o valor de R$ 137,5 milhões. Os valores para pagamento para 2017 serão de R$ 120 milhões e, para 2018, de R$ 180 milhões, que estão previstos no Plano Plurianual 2016-2019.

A Marinha lembra que, nas suas três décadas, o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) pôde realizar uma média anual de 20 projetos de pesquisas nas áreas de Oceanografia, Biologia, Biologia Marinha, Glaciologia, Geologia, mudanças climáticas, Meteorologia e Arquitetura.

O Brasil está na Antártida desde 1982, quando foi iniciada a missão voltada para pesquisas científicas. Foi apenas em 1975, porém, que o país passou a fazer parte do grupo de países signatários do Tratado da Antártida, firmado em 1959, por 12 nações, e que hoje conta com 48 integrantes. Desses, 28 são membros consultivos (incluindo o Brasil), participando da tomada de decisões do grupo sobre a realização de pesquisas científicas relevantes no continente antártico.

A Marinha inicia, anualmente, no mês de outubro, a “Operação Antártica”, que consiste no apoio logístico-operacional à Estação Antártica Comandante Ferraz. São empregados nessas tarefas basicamente duas embarcações da Marinha: o Navio Polar “Almirante Maximiano” e o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”.

Os navios executam tarefas de apoio logístico aos MAE e também auxiliam projetos de universidades brasileiras nas áreas de Oceanografia, Hidrografia, Biologia, Geologia, Antropologia e Meteorologia, realizando levantamentos oceanográficos, coletas de amostras de água e solo marinho, estudo das aves, pesquisas geológicas nas ilhas do arquipélago das Shetland do Sul e península antártica, além de observações meteorológicas e do comportamento das massas de água na região, que tanto influenciam o clima do planeta.

O contra-almirante Viana Rocha lembra que, para cumprir tais tarefas, os navios transportam helicópteros modelo Esquilo e Destacamentos Aéreos Embarcados (DAE), composto por militares do Primeiro Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1).

Contam, também, com o apoio de equipes de mergulhadores, oriundos da Força de Submarinos da Esquadra Brasileira, aptas a realizar suas tarefas nas geladas águas antárticas.

Os voos de apoio à “Operação Antártica” são realizados junto com a Força Aérea Brasileira, para abastecer a estação com material necessário para a sua manutenção e funcionalidade. A aeronave utilizada é o Hércules C-130, um avião de transportes de cargas, que, durante o inverno, realiza o reabastecimento dos suprimentos por meio de lançamento de paraquedas, tendo em vista que a região é inacessível aos navios nesse período.

Essas missões de apoio à estação brasileira são organizadas pela Marinha do Brasil por meio da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) que, além da parte logística e operacional prepara, também, o cronograma de revezamento dos pesquisadores ao longo da operação.

As pesquisas são concentradas no verão quando, anualmente, cerca de 200 pesquisadores realizam suas atividades. Os cientistas poderão ficar alojados a bordo dos navios, na estação e, ainda, há aqueles que ficam em acampamentos, dadas às características de seus projetos, que exigem localização específica. O Proantar dispõe também de quatro refúgios, pequenas instalações capazes de abrigar até seis pessoas.

Quanto ao intercâmbio científico do Brasil com outros países, o contra-almirante explica:

“Há cooperação em pesquisa regular com a Argentina e o Chile. Transportamos, normalmente, pessoal e carga de diversos países, entre os quais Alemanha, Bulgária, Peru, Polônia e Portugal. No momento, se encontram na estação brasileira chineses trabalhando na reconstrução, um pesquisador colombiano dentro do projeto de mudanças climáticas e um italiano trabalhando na pesquisa sobre a ionosfera.”

Todo esse trabalho exige disposição, pois o clima da Antártida é caracterizado por temperaturas extremas nas altitudes centrais. Na Estação Russa de Vostok, situada a 1.240 quilômetros do Polo Sul geográfico, foi registrada a temperatura mínima de menos 89º C. Nas altitudes mais baixas, próximo ao litoral e com a influência das águas, a temperatura média anual é de menos 10º C. Fortes e frequentes ventos, com intensidade de até 100 nós, afetam a sensação térmica e as condições climáticas, no conjunto, contribuem para a rarefação da vida natural terrestre.

Dentro da estação brasileira, em função do aquecimento e do conforto, o regime de trabalho é de oito horas por dia. Entretanto, algumas atividades são ininterruptas (24 horas/sete dias por semana) como coletas de dados para pesquisas, geração de energia e outras.

Os 15 militares selecionados compõem o Grupo Base que permanece na estação pelo período de um ano, realizando atividades de logística, apoio e manutenção.


Sputnik News 

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