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quinta-feira, 31 de março de 2016

Militares brasileiros que vão integrar missão de paz no Haiti realizam treinamento

Brasília, 31/03/2016- Nesta semana, militares que vão compor o 24º contingente do Batalhão Brasileiro de Força de Paz (Brabat) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) finalizam a fase específica de treinamentos. Os exercícios ocorrem no Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG), no Setor Militar Urbano, em Brasília.

A capacitação teve início em 11 de janeiro e é divida em quatro etapas: preliminar e específica, e os estágios básico e avançado de operações de paz. Segundo o comandante do Esquadrão de Fuzileiros de Cavalaria Mecanizado, capitão Carlos Eurico Alencastro Teixeira Brandão, na fase específica são treinadas as situações que podem ocorrer no Haiti, a fim de preparar a tropa para um melhor emprego na manutenção do ambiente seguro e estável.


Desde o ano de 2004, as tropas brasileiras participam da Minustah e atuam nas áreas mais violentas do país caribenho, além de prestar apoio às atividades de assistência humanitária e de fortalecimento das instituições nacionais daquele país. A cada seis meses, homens e mulheres da Marinha, do Exército e da Aeronáutica deixam o Brasil para representar o País na missão. O 24º contingente do Brabat conta com a participação de 850 militares. No RCG, 131 homens participam do treinamento, divididos em pelotões, além da seção de comando.

A partir de junho, os militares treinados estarão sob o comando do coronel do Exército José Arnon dos Santos Guerra, já no Haiti. De acordo com ele, a tropa está na fase final do preparo e, devido ao adequado adestramento ao qual são submetidos, eles se destacam no ambiente da ONU. “Praticamente o tempo todo realizamos instruções táticas com os nossos soldados. É um método bastante interessante nas Forças Armadas, o aprender fazendo. Por isso, os nossos soldados são tão capacitados e profissionais”, avalia.

Com duração de quase três meses, as duas primeiras etapas da habilitação desenvolveram simulações de situações que podem acontecer no Haiti. Em abril, os militares partem para Cristalina (GO), onde irão realizar os estágios básico e avançado de operações de paz. O capitão Brandão acrescenta que o Centro Conjunto de Operações de Paz (CCOPAB) nivela e coordena os conhecimentos desses tipos de operações. Localizado no Rio de Janeiro, o centro possui cursos e exercícios regulares para o desempenho de militares em diversas atividades em operações de paz da ONU.

Dackson da Silva Pereira, soldado e auxiliar da seção administrativa do RCG, relata que durante o treinamento para a Minustah recebeu instruções acerca da cultura do país caribenho, o modo de tratar e a postura que deve ser mantida diante da população do Haiti. O soldado diz que a seleção para missão é um sonho que irá se tornar realidade e que almeja o cumprimento da Minustah desde que entrou na carreira militar. “Sinto-me bastante honrado por estar pré-selecionado para essa missão. Pra mim, será um conhecimento adquirido que irei levar durante toda minha vida. Vai ser uma experiência única”, comemora.

A Assessoria de Comunicação do Ministério da Defesa acompanhou algumas das instruções práticas que os militares recebem durante a fase do treinamento especifico para seguirem para o Haiti. Confira, a seguir.

Patrulha


Consiste na simulação de uma das atividades mais executadas pelos militares brasileiros em solo haitiano. Nesta atividade, o pelotão é adestrado de maneira que possa fazer patrulhas a pé ou motorizadas. Durante o exercício, são treinados repetidamente o embarque e o desembarque do veículo urutu, blindado que oferece proteção e mobilidade aos militares; e da viatura marruá, automóvel que permite mais agilidade no exercício.

O comandante do Esquadrão de Fuzileiros Mecanizados do Brabat 24, tenente Gustavo Senra Gonçalves, explica que as patrulhas desembarcadas são usadas geralmente em situações menos arriscadas, enquanto as embarcadas são empregadas quando o grau de risco é maior, porque servem como espécie de proteção para os militares.

Regras de engajamento


Essa instrução é simulação voltada a situações urbanas no cotidiano do Haiti. O Grupo de Combate (GC), formado por oito militares, entra em uma sala onde são projetadas cenas gravadas no país caribenho. A partir das imagens exibidas e das instruções adquiridas na regra de engajamento, eles interagem com a tela e executam comandos verbais do momento de atirar, usar gás e acionar sinal de alerta, entre outros. O som das gravações ajuda a aprimorar o treinamento dos militares que são avaliados pelas atitudes tomadas durante as situações.

Combate ou progressão em áreas edificadas


A progressão em área edificada simula uma situação de combate dentro da cidade. Os militares avançam em ambientes que representam casas, edifícios e ruas do Haiti. Durante a instrução, são treinadas duas formas de progressões: contínua e ponto-a-ponto. No tipo de progressão contínua, o fator velocidade é priorizado em relação às condições de segurança. Dessa forma, as tropas utilizam mais velocidade e progridem mais no terreno. Já na progressão ponto-a-ponto, o grupo de comando preza mais pela segurança, em detrimento da velocidade de progressão. Neste tipo, o deslocamento ocorre quando um combatente se abriga em um local e outro militar segue para a posição do primeiro. Somente com a chegada do segundo militar, o primeiro irá seguir para um próximo ponto.

Busca e apreensão


É uma simulação de entrada tática na qual um grupo de combates adentra um cômodo, residência, ou construção, com o propósito de apreender algum material ou até mesmo salvar pessoas em perigo. O tenente Magalhães é o instrutor da matéria de operação de busca e apreensão no RCG.

Segundo ele, primeiramente o grupo realiza um estudo prévio da área e, ao entrar, os militares possuem um curto intervalo de tempo para tomar a decisão adequada para dar continuidade com a operação.

Lutas


A instrução faz parte da formação do combatente básico de paz, no caso da missão da Minustah. O treinamento é composto por procedimentos de lutas de jiu-jitsu, boxe, aikido e outras artes marciais. Os militares aprendem a prática da defesa pessoal por meio de imobilizações e golpes traumáticos. Durante a instrução, o responsável pela instrução de lutas no RCG, tenente Viana Pio, relata que a técnica oferece subsídios aos militares para defenderem sua integridade física, tanto armados quanto desarmados. Ele ressalta que situações de desarmar o oponente não são recomendadas.

Ministério da Defesa.

Por Lane Barreto

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