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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Wallenberg alerta para excesso de capacidade global e segura aportes



No comando de um grupo de € 250 bi, empresário defende presença no Brasil

Por Assis Moreira - De Linkoping (suécia)

Marcus Wallenberg, líder da legendária família sueca que controla um império industrial com capitalização de mercado de € 250 bilhões (R$ 993 bilhões), assumiu a postura de esperar para ver o que acontece no Brasil e na economia global em geral.

As companhias que controla ou tem participação importantes, atraves da Investor, vão do grupo de defesa Saab ao farmacêutico AstraZeneca, passando pelo produtor de bens de consumo Electrolux, de equipamentos de telecomunicações Ericsson e a líder global de tecnologias em energia e automação ABB, todos com presença no Brasil.

Em entrevista ao Valor, Wallenberg, uma das vozes que pesam no capitalismo europeu, afirmou que "continua convencido" de que é bom estar no mercado brasileiro, quando examina a viabilidade de longo prazo do país. "Agora (o Brasil) está numa situação política que é questão interna do o país. Esperamos que essa situação política seja resolvida o mais rápido possivel", afirmou.

Indagado se, superada a crise política, as empresas sob sua influencia voltariam a pisar no acelerador do investimento no Brasil, Wallenberg foi prudente.

"Vivemos numa economia globalizada e todos vemos o que está acontecendo", disse referindo-se ao crescimento medíocre. "Um dos principais desafios para os empresários no momento é o excesso de capacidade em vários setores industriais [no mundo]. Para começar a investir precisamos ver se há realmente demanda, para não gerar mais oferta num mercado já com excesso." Ou seja, "temos que esperar que as coisas estejam mais seguras no lado economico. Estou falando globalmente, e não apenas do Brasil".

A posição do empresário sueco está em linha com estimativas de consultorias internacionais, apontando a existência de pelo menos US$ 6 trilhões na tesouraria das grandes companhias, globalmente, esperando melhores sinais sobre os rumos da economia global para decidir investir.

O Relatório Global sobre Investimentos, que a Agência das Nações para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) apresentará nas próximas semanas, confirmará que em 2015 o fluxo de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) cresceu 25%, alcançando US$ 1,7 trilhão, mas ainda é US$ 300 bilhões inferior ao montante de 2007, de antes da crise financeira global. O IED caiu em quase todos os grandes emergentes. Parte do aumento no fluxo global foi resultado de reestruturações financeiras e corporativas, mais do que novos investimentos produtivos.

Por outro lado, Marcus Wallenberg não esconde o entusiasmo com o contrato de venda de 36 jatos Gripen, da Saab, para o Brasil, valendo 39,3 bilhões de coroas suecas (US$ 4,7 bilhões).

"Estamos extremamente felizes com essa parceria da Saab e Embraer, da Suécia com o Brasil", afirmou, à margem da cerimônia de apresentação do protótipo do Gripen da nova geração que será utilizado pela Força Aérea Brasileira.

A expectativa do embaixador brasileiro na Suécia, Marcos Pinta Gama, é de que esse contrato alavanque o comércio bilateral. O Brasil exporta muitas commodities, desde café a minérios, num intercâmbio de US$ 1,5 bilhão que é mais favorável à Suécia.

Já na area de investimentos, o movimento em direção ao Brasil não parou. Mesmo no auge da desaceleração economica "algumas pequenas empresas suecas passaram a também fazer aquisições no Brasil, já que os ativos estão baratos". Duas grandes empresas populares da moda e moveis de design, H & M e Ikea, observam o Brasil mas o país não está na lista de prioridades delas, segundo o diplomata.

Há 250 empresas suecas instaladas no Brasil. E, na crise, várias estão reorientando suas estratégias, afirma o embaixador. Ele exemplifica com o caso da Electrolux, de produtos da linha branca. Com a queda muito grande do consumo interno, e também a depreciação do real, a empresa está transformando a operação no país como plataforma de exportação para o Oriente Médio e outros mercados.

Ele destaca que no setor automotivo a Volvo e a Scania perderam bastante com a retração do mercado no Brasil, mas considera possivel que também elas optem por exportar a partir do país.

Valor Econômico

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