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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Bombardeios americanos na Líbia


AFP / MAHMUD TURKIA, STR

Os Estados Unidos abriram na Líbia uma nova frente de combate contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) lançando, a pedido do governo de união nacional (GNA), ataques aéreos contra alvos extremistas em Sirte, 450 km a leste de Trípoli.

Esta intervenção americana poderia ajudar as forças do GNA a retomar o controle de Sirte, principal reduto do EI na Líbia, mas também poderia complicar a situação nesse país mergulhado no caos.

Quem combate o EI em Sirte?

Além das milícias da cidade de Misrata, os melhor armados do país com aviões MiG, helicópteros de ataque e tanques, várias outras milícias baseadas no oeste do país participam desde 12 de maio na ofensiva para retomar Sirte, bem como instalações militares e instalações petrolíferas.

Estas milícias são formadas principalmente por ex-rebeldes que derrubaram o regime de Muammar Khaddafi em 2011 e que, em seguida, se recusaram a depor suas armas.

Sob um comando comum, com base em Misrata, aliaram-se ao GNA, a autoridade reconhecida pela comunidade internacional e com sede em Trípoli.

E desde segunda-feira, os aviões de combate americanos realizam ataques na região.

Como os ataques americanos ajudam o GNA?

Embora tenha aeronaves que realizem ataques contra EI, as forças pró-GNA, que perderam mais de 300 homens desde o início da ofensiva de Sirte, não têm armas de precisão e não podem importar em razão do embargo imposto pela ONU à Líbia desde 2011.

Com veículos 4x4 equipados com metralhadoras e DCA e alguns tanques, entraram nos combates de rua com os extremistas, que dispõem de franco-atiradores e minas terrestres colocadas entre as casas, e que recorrem frequentemente a atentados suicidas.

"Armas eficazes e precisa vão provavelmente ajudar a ganhar a batalha", indica à AFP Reda Issa, um porta-voz das forças do GNA, referindo-se aos ataques aéreos americanos.

Mas de acordo com Patrick Skinner, especialista em assuntos da Líbia na empresa de consultoria Soufan Group, os ataques americanos - oito desde segunda-feira - "não mudaram as regras do jogo, mas seria interessante ver se eles vão continuar."

Por que os Estados Unidos?

Os Estados Unidos, que atacam o EI no Iraque e na Síria desde 2014, afirmaram repetidamente o seu compromisso de "destruir" este grupo, responsável por atrocidades em áreas sob seu controle e ataques mortais especialmente em países do Ocidente.

Além de suas enormes capacidades militares, as forças dos Estados Unidos também contam com informações preciosas sobre as táticas e movimentos do EI, obtidas por meio de suas relações com os serviços de inteligência regionais.

Segundo Mattia Toaldo, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores, os pró-GNA "lutam contra o EI em sua fortaleza, e é normal que (o presidente Barack) Obama concorde em ajudá-los".

No âmbito doméstico, o GNA "quer mostrar às demais forças líbias, particularmente aquelas estabelecidas no leste, que também mantém boas relações com as potências estrangeiras", declarou em alusão ao governo paralelo com base em Bayda, que denunciou a intervenção americana.

No final de julho, o GNA havia acusou a França de "violação" do território, após o anúncio por Paris da morte de três de seus soldados que realizavam uma missão de inteligência junto com as forças ligadas às autoridades de Bayda, que governam as regiões de leste.

Quais as consequências para a Líbia?

Desde a queda de Muammar Khaddafi em 2011, a Líbia é atormentada por disputas de poder e violência, que favoreceram o estabelecimento do EI no país.

Depois de muitos protestos na Líbia contra a presença militar francesa no leste, a intervenção dos Estados Unidos poderia, por sua vez, agravar a crise política no país.

Para Skinner, o GNA vai aproveitar a ajuda militar americana "a longo prazo", mesmo que apenas por ter "aberto canais de comunicação" com Washington.

Também poderia contar com o apoio americano para desviar a atenção da grave crise econômica, com uma escassez de liquidez e serviços públicos ineficientes, de acordo com Toaldo.

A intervenção americana "desagrada as autoridades do leste, que há muito lutam contra os extremistas", acrescenta.

A mais alta autoridade religiosa do país, o controverso Dar al-Iftaa, também considerou que o apoio dos Estados Unidos "rouba" o show das forças líbias.

Líbia, um novo front?

Ainda não é certo se outros membros da coalizão internacional que combate o EI no Iraque e da Síria vão estender sua luta para a Líbia.

Obama defendeu a intervenção na Líbia, afirmando que derrotar a organização extremista era uma questão de "segurança nacional" para o seu país e seus aliados europeus.

O Pentágono sugeriu, por sua vez, que os ataques vão continuar "durante semanas, não meses".

"É muito cedo para dizer se essa operação vai continuar", de acordo com Toaldo. "Quantas alvos você pode atingir em uma área que não excede 20 km2"?

Agence France-Presse (AFP)

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