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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Recife estratégico para Nasa



Em missão de pesquisa, aeronave da Agência Espacial Americana fez parada tática na Capital

A Capital pernambucana está na rota da Nasa para uma missão de pesquisa sobre resfriamento das nuvens do Atlântico. Um dos dois laboratórios aéreos da Agência Espacial Americana pousou na manhã da última terça-feira (23) no Aeroporto Internacional do Recife, após dez horas de viagem a 750km/h, vindo da Georgia, nos Estados Unidos.

A aeronave ER-2 parou para ser reabastecida com combustível especial, produzido no seu país de origem e trazido com cuidado em um navio. Também foi preciso realizar uma manutenção preventiva antes da aeronave levantar voo com destino a Walvis Bay, na Namíbia, país do continente Africano, na próxima sexta-feira. A aeronave volta aos Estados Unidos com nova parada no Recife no dia 28 de setembro.

Esta é a segunda vez que o ER-2 vem à Capital pernambucana. A primeira delas foi entre os anos 2000 e 2001, também num voo técnico programado da mesma missão. É na África onde as pesquisas serão realizadas. De acordo com a Nasa, o ER-2 coletará dados que constituirão a pesquisa Oracles. Ela analisa como a fumaça causada pelos incêndios na África afeta o resfriamento das nuvens do Oceano Atlântico. E faz parte da missão Oracles, sigla para ObseRvations of Aerosols above CLouds and their intEractionS, ou “observações do aerosol acima das nuvens e suas interações”, em tradução livre.

“Quando ele veio da outra vez foi para fazer a medição dos poluentes atmosféricos. Ele está a caminho da África para saber se a situação melhorou ou piorou”, conta Valter Andrade, especialista em defesa e aviação. Desta vez, alguns pilotos do Aeroporto Internacional dos Guararapes ficaram sabendo da visita na segunda-feira, por causa da chegada de equipamentos e conteiners da Nasa antes do avião aterrissar.

O modelo é pequeno. Comporta um ou dois tripulantes.“O uniforme que o piloto usa é de astronauta, porque a altitude é grande e faz muito frio. Ele leva três horas para se preparar para entrar no avião, desde a hora que começa a colocar a vestimenta. É preciso três pessoas para ajudá-lo a se vestir”, explica. O uniforme comporta uma bexiga para as necessidades do piloto, cuja alimentação é principalmente pastosa e feita por meio de uma mangueira fina por dentro da roupa. Alguns voos podem chegar até 14 horas, com transmissão ao vivo para a Nasa.

Domadores de dragões

O ER-2 é considerado um grande ícone da aviação e não é qualquer piloto que pode comandá-lo. O modelo é tão instável que os pilotos são chamados de “domadores de dragões”, por causa da dificuldade em equilibrar a aeronave na hora do pouso. Como tem asas muito grandes e só tem rodas no meio, não tem um centro de gravidade definido e o piloto precisa fazer com que o veículo não se jogue nem para a direita, nem para a esquerda. “É como se você tentasse se equilibrar na ponta de um lápis com um pé só, mantendo a coluna reta”, explica Valter.

A aeronave possui muitas particularidades, uma delas é a capacidade de levar até três toneladas de equipamentos científicos. “O combustível é produzido nos EUA e é transportado de navio e caminhão pra chegar antes no local onde ele pousará”, aponta Andrade. O avião vai para a República da Namíbia e de lá voa rumo à Antártida para coleta de dados na Estratosfera, uma das camada da atmosfera terrestre situada entre 11 km e 50 km de altitude. “Tem que aproveitar porque esse modelo de avião será aposentado daqui a um ano e meio”, informa. O próximo modelo que vai substituir o ER-2 será o Global Hawk, que pode ficar 24 horas no ar, já que é uma aeronave sem tripulação.

Não é novidade a Nasa se beneficiar de aviões da Força Aérea americana. A diferença é que eles desmilitarizam as aeronaves, colocando equipamentos científicos no lugar dos armamentos. “A Nasa faz a adaptação para o uso científico e os usa em missões de pesquisas de poluentes em altas camadas da atmosfera. O ER-2 também é usado para mapear tornados e furacões nos Estados Unidos.”

Folha de Pernambuco‎

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