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domingo, 15 de janeiro de 2017

Da Polônia, Otan manda um sinal para Moscou



Após 20 anos de discussões, soldados americanos finalmente vão além do leste da Alemanha e se instalam, por tempo indefinido, em território polonês, enquanto tropas alemãs e britânicas reforçam fronteiras no Báltico.

É uma ocasião especial na Polônia. A chegada dos americanos foi celebrada na Praça Pilsudski, em Varsóvia, na praça do Mercado de Cracóvia e em muitas outras cidades ao londo da semana. Orquestras militares se apresentaram, tanques e outros equipamentos foram expostos, e havia ainda goulash para "armar" o estômago.

A última vez que tantos poloneses celebraram a chegada de tropas estrangeiras ocorreu mais de 200 anos atrás – quando os soldados de Napoleão vieram. Mas desta vez são os americanos que vieram à Polônia.

A ideia de transferir a presença militar da Alemanha – onde bases ainda abrigam 36 mil soldados – para o leste europeu foi discutida repetidamente. A Alemanha não precisa mais de proteção após a queda do bloco comunista, e a manutenção de tropas era dispendiosa.

As mudanças começaram a acontecer em 2014, com a agressão russa à Ucrânia. À época, o então ministro polonês das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, pediu o deslocamento de "duas brigadas" para melhor defender a Polônia.


Até agora, chegaram ou estão a caminho 3.500 soldados do estado americano do Colorado, assim como 87 tanques e 400 veículos humvee. A ação foi chamada de "Resolução Atlântica". Os soldados foram especialmente saudados neste sábado (14/01) na cidade de Zagan, na Silésia, a apenas 100 quilômetros da fronteira da Polônia com a Alemanha.

A maior parte das tropas vai ficar estacionada em Zagan. Após nove meses, elas devem ser substituídas por novas tropas em um processo de revezamento. Cada "turno" também deve ser posto em prática em outros países da região, como a Romênia.

Após a desintegração da União Soviética, a Otan garantiu a Moscou que nenhuma grande unidade de combate seria permanentemente estacionada a leste da Alemanha a não ser que a situação sofresse mudanças. O revezamento é na verdade um despiste: ele permite ter a disposição soldados e equipamento na região, mas não de maneira "permanente".

Ainda assim, Moscou protestou contra a mobilização. Só que desde 2007 a Rússia vem repetidamente executando exercícios com dezenas de milhares de soldados nas suas fronteiras ocidentais ou na Bielorússia. Houve também manobras mirando Varsóvia e a Estônia.

Estados bálticos sob ameaça

A unidade americana é um favor especial dos EUA aos seus aliados. Em breve, no entanto, será realizada o que a Otan chamou "presença avançada aprimorada". Os Estados-membros Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia devem receber cada um a presença de tropas multinacionais. Em 19 de janeiro, 500 soldados alemães vão ser deslocados para a Lituânia.

Na Lituânia, a Alemanha vai ser a principal força – mais 500 soldados de outros países também devem ser deslocados. A presença militar na Estônia ficará sob liderança britânica, e na Letônia, canadense. A Polônia deve receber mais tropas americanas, que devem chegar em abril.

Esse batalhão (também de "revezamento") deve ser estacionado no nordeste da Polônia. Lá fica o particularmente vulnerável "brecha de Suwalki" junto ao território russo de Kalinigrado. Além disso, a Bielorússia, aliada de Moscou, fica a apenas 60 quilômetros dali.

Especialistas militares tem soado o alarme há tempos: se a Rússia lançar uma ação convencional ou "híbrida" contra algum Estado báltico, ela também pode cortar facilmente os parceiros da Otan da sua rota de abastecimento em Suwalki. Os bálticos são considerados por todos os outros membros da Otan como os mais vulneráveis, ainda que desde 2014 eles tenham armado pesadamente seus exércitos enfraquecidos.

Fator Trump

A decisão de reforçar a Polônia e os Estados bálticos com tropas multinacionais foi a mais importante da reunião de cúpula de Varsóvia, que ocorreu em julho de 2016. No entanto, após a eleição de Donald Trump, surgiram dúvidas na região se o novo presidente vai cumprir os compromissos do seu antecessor, Barack Obama.

Existe até mesmo o temor de que Trump possa lançar uma espécie de "nova conferência de Ialta" e, a exemplo de 1945, dividir com Moscou o mundo em esferas definidas de influência. Assim, ele poderia retirar as tropas de um dia para o outro.

Trump já disse anteriormente, entre outras coisas, que os EUA não deveriam defender países que não cumprem com suas obrigações (financeiras) com a Otan. No entanto, a Polônia e os Estados bálticos seguem respondendo bem com seus gastos de defesa.

A mídia estatal russa criticou o envio de tropas de outros países da Otan como "uma mobilização agressiva". Só que as unidades, que agora devem fornecer mais segurança da Estônia à Romênia, são menos numerosas do que as tropas aliadas que protegiam Berlim Ocidental até 1989.

DW - Deutsche Welle

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