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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Entenda como funciona a investigação de acidentes aeronáuticos no Brasil



Relatório de investigações feitas pelo Cenipa não aponta culpados por acidente, mas apresenta recomendações para que ocorrência não se repita

Com Informações Da Força Aérea Brasileira

Nos últimos meses, o Brasil testemunhou duas grandes tragédias aeronáuticas. Em novembro, o time de futebol, Chapecoense, foi vítima de um acidente a caminho da Colômbia e, em janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki faleceu enquanto viajava para Paraty, no Rio de Janeiro. Em momentos como esses, fica em evidência a investigação de acidentes aeronáuticos. Muita gente acaba questionando como ela realmente funciona?

Prevenção em primeiro lugar

O foco principal do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) é impedir que acidentes aconteçam. Afinal, por mais que o órgão também trabalhe na investigação , é ainda mais importante entender quais fatores levaram a qualquer tipo de incidente, a fim de impedir que se repitam em circunstâncias semelhantes futuramente.

Sempre alerta

Os passageiros também podem colaborar para que o voo ocorra bem. Ao notar qualquer indicação de algo está fora da normalidade, qualquer pessoa pode - e deve - avisar à tripulação para que a situação seja verificada. De acordo com o Código Brasileiro de Aeronáutica, “qualquer pessoa que tiver conhecimento de uma ocorrência aeronáutica no território brasileiro deverá alertar a autoridade pública mais próxima”.

Uma vez avisadas, as autoridades alertarão o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa). Existem sete unidades espalhadas pelo País. Elas atuam de forma regional, porém não seguem a divisão convencional de regiões brasileiras.

Etapas de investigação

Caso aconteça um acidente, o Cenipa atuará em três etapas. Primeiro, a ocorrência deverá ser notificada e confirmada. Em seguida, as informações da notificação podem ser complementadas ou confirmadas. Na terceira etapa, as informações da ocorrência passam por autenticação.


Como o principal objetivo das investigações é prevenir futuros acidentes, a investigação pode ser interrompida a qualquer momento caso o órgão constate que não haverá benefícios neste sentido em próximas ocorrências.

Primeira ação

Quando a ocorrência é processada como acidente aeronáutico, o primeiro passo é verificar o local onde ocorreu. Nessa visita, o Cenipa preserva os indícios, coleta novos dados e confirma as informações já recebidas e verifica danos à aeronave ou provocados por ela. Assim, poderá designar o Seripa para esse primeiro reconhecimento.

O responsável pela ação inicial recebe acesso irrestrito à aeronave, aos destroços e a qualquer material que considere relevante. Um exame detalhado deverá ser feito logo após as operações de resgate.

Caixa Preta

O centro de investigações da Aeronáutica também é responsável pelos dados de gravação do voo armazenados na caixa-preta. A decodificação é feita no Laboratório de Leitura e Análise de Gravadores de Voo (LABDATA) em Brasília. Em algumas ocasiões, os gravadores poderão ser enviados para laboratórios credenciados ou para o laboratório do fabricante.

Destroços

Depois que a coleta de todas as informações essenciais é feita e a cena do acidente é liberada pelo responsável para a investigação policial, o operador ou proprietário da aeronave fica encarregado da remoção de objetos e destroços e limpeza do local. É importante que nenhum objeto seja retirado da aeronave, exceto em casos de resgate. Todos os indícios podem colaborar para que a investigação seja feita com detalhes exatos.

Relatório

O final da investigação é marcado por um relatório com o objetivo de prevenir futuras ocorrências. Este documento não aponta culpados e é recomendado que não seja utilizado em processos criminais. Os relatórios podem ser acessados no site do Cenipa.

Recomendação

A partir dos aprendizados retirados da investigação do acidente, é formulada uma recomendação de segurança, com sugestões de como evitar futuras tragédias. Emitida pelo centro, essa recomendação é enviada ao órgão competente para colocá-las em prática.

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