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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Irã ameaça abandonar acordo nuclear



Presidente iraniano afirma que país voltará atrás em relação ao pacto "dentro de horas", se EUA impuserem novas sanções. Teerã e Washington acusam-se mutuamente de violar espírito do acordo.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, afirmou nesta terça-feira (15/08) que seu país pode abandonar o acordo nuclear com potências mundiais caso os Estados Unidos imponham mais sanções.

"Se os EUA querem retornar à experiência (de impor sanções), o Irã certamente voltaria em breve – não dentro de uma semana ou um mês, mas dentro de horas – à condições mais avançadas [do programa nuclear] do que antes do começo das negociações", disse Rouhani numa sessão do Parlamento transmitida ao vivo pela televisão estatal.

Teerã afirma que retaliações recentemente impostas pelos EUA violam o acordo, fechado em 2015 entre Teerã e o chamado Grupo P5+1 (cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – China, França, Rússia, Reino Unido e EUA – e a Alemanha). O pacto amenizou as sanções internacionais contra o Irã em troca de restrições ao programa nuclear iraniano.

Não ficou imediatamente claro a que o presidente estava se referindo nesta terça-feira e se o Irã poderia reativar centrífugas de enriquecimento de urânio.

As declarações do presidente foram dadas após o Parlamento decidir aumentar os gastos com o programa de mísseis e com as operações de sua Guarda Revolucionária no exterior, também em resposta às sanções americanas.

No início de agosto, o presidente americano, Donald Trump, sancionou novas medidas restritivas contra o Irã, a Rússia e a Coreia do Norte, que têm como alvo, entre outros, os programas de mísseis iranianos e violações de direitos humanos.

As novas sanções dos Estados Unidos incluem penalidades obrigatórias para envolvidos com o programa de mísseis balísticos do Irã.

Os EUA afirmam que testes de mísseis balísticos realizados pelo Irã nas últimas semanas violam o espírito do pacto de 2015 e uma resolução da ONU. Esta endossou o acordo nuclear e pediu que Teerã não realizasse atividades relacionadas a projéteis capazes de transportar armas nucleares, incluindo lançamentos usando tal tecnologia.

O Irã afirma que seu programa de mísseis não viola a resolução, alegando que eles não são destinados a transportar ogivas nucleares.

"O mundo já viu claramente que sob Trump, os EUA ignoraram acordos internacionais e, além de minarem o acordo nuclear, quebraram sua palavra em relação ao acordo de Paris e ao de Cuba, e que os Estados Unidos não são um bom parceiro ou um negociador confiável", afirmou Rouhani.

Ao mesmo tempo, o líder iraniano disse que Teerã pretende permanecer leal a seu compromisso com o acordo nuclear, o qual "abriu um caminho de cooperação e estabelecimento de confiança" com o mundo.

"O acordo foi um modelo para a vitória da paz e da diplomacia contra a guerra e o unilateralismo. O pacto foi a preferência do Irã, mas não era e não vai permanecer sendo a única opção do país", declarou Rouhani.

DW - Deutsche Welle

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