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domingo, 22 de outubro de 2017

Homenagem à participação brasileira em Missão de Paz

Rio de Janeiro, 21/10/2017 – Neste sábado (21), cerca de 300 boinas azuis* da Marinha, do Exército e da Aeronáutica se reuniram no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial (MNMSGM), no Rio de Janeiro (RJ), em cerimônia realizada pelo Ministério da Defesa e as Forças Armadas. O evento marcou o término da participação brasileira na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e homenageou os mais de 37,5 mil militares que atuaram ao longo de 13 anos no país caribenho.


O ministro da Defesa, Raul Jungmann, presidiu a cerimônia e falou sobre o importante papel da participação brasileira na Missão. “A MINUSTAH foi emblemática e está em ponta de linha com o nosso papel, enquanto provedores de paz”. Ele lembrou ainda que, em 24 de outubro próximo, a Organização das Nações Unidas (ONU) estará comemorando os 72 anos de sua criação. “Em todos esses anos, participamos de 50 missões de Paz. Hoje, estamos a participar, de forma individual ou coletiva, de 13 missões em todo globo. Destaco aqui, a Força Marítima no Líbano, coordenada pela Marinha do Brasil”, ressaltou.


Durante a cerimônia, o toque de silêncio e uma salva de quinze tiros executada pelo navio patrulha Gurupi, da Marinha, lembrou os 26 brasileiros que morreram no cumprimento do dever no Haiti, 24 militares e dois civis, sendo 18 militares, devido ao terremoto que atingiu o país em 2010.


Jungmann falou do orgulho de todo o povo brasileiro e dos desafios enfrentados pelos 26 Contingentes que foram desdobrados ao longo desses 13 anos, 4.745 dias. “Enfrentamos lá dias difíceis. Inicialmente, o desafio de Cité Soleil, numa demonstração do nosso profissionalismo, da nossa capacidade, do preparo de nossas tropas. Superamos, e de forma absolutamente reconhecida”, disse.



Os ex-Force Commanders do componente militar, ex-comandantes da Brigada de Força de Paz e das tropas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, que integraram o Contingente Brasileiro, também foram homenageados. Receberam das mãos do ministro Jungmann e de autoridades do Ministério da Defesa um diploma de reconhecimento pela missão cumprida em prol da paz mundial.


O capitão de Mar e Guerra, fuzileiro naval Alexandre José Gomes Doria, foi o comandante do 26º Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais e um dos homenageados. “Nós sentimos a missão muito bem cumprida, deixando no Haiti um legado muito importante, que foi a ajuda humanitária e a segurança que nós devolvemos ao país. Esse diploma representa o reconhecimento não só do Brasil, mas também das Nações Unidas perante a missão realizada”, disse o comandante Doria.

Após a entrega dos diplomas aos homenageados, ao som de “Barão do Rio Branco”, “Fibra de Heróis” e da canção de cada uma das Forças, os boinas azuis desfilaram em continência ao ministro da Defesa.

Em seguida, a aeronave C-130 Hércules, da Força Aérea Brasileira, realizou um desfile aéreo. O Brasil foi o único país que utilizou suas próprias aeronaves para transportar e suprir sua tropa no Haiti. Ao longo da missão foram utilizados também o KC-137, o C-105 Amazonas, o C-99 e, a partir de 2016, o C-767.

Ainda abrilhantou o evento a Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais, que, em sua apresentação, escreveu os nomes “Haiti” e “Brasil”, durante as execuções de seus 96 integrantes.

Para encerrar, o ministro Jungmann solicitou uma salva de palmas para a tropa presente, em demonstração de respeito e orgulho por todos que participaram da MINUSTAH.

Estavam ao lado do ministro da Defesa no evento o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general José Elito Siqueira; o diretor-geral do Pessoal da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior, como comandante interino da Marinha; o comandante do Exército, general Eduardo Dias Da Costa Villas Boas; o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho; o ex- comandante do Exército, general Enzo Martins Peri; o diretor geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, brigadeiro Jeferson Domingues de Freitas, representando o comandante da Aeronáutica; o primeiro Force Commander da MINUSTAH, general Heleno Ribeiro Pereira.

Participaram também do evento os demais Force Commanders, membros do almirantado, do Alto Comando do Exército e da Aeronáutica, do Corpo Diplomático, Secretários do Ministério da Defesa, oficiais generais das Forças, representantes do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, adidos estrangeiros, ex-combatentes e militares integrantes dos Contingentes.

Bon Bagay, Missão Cumprida!

O cessar das operações do Brasil no Haiti e o processo de desmobilização, coordenado pelo Ministério da Defesa, foi iniciado em agosto deste ano, em Porto Príncipe, e concluído no dia 15 de outubro, quando se encerraram as medidas de repatriação de pessoal e material.

“Realizar a etapa de desmobilização com a magnitude de materiais a serem repatriados possibilitou as Forças Armadas brasileiras adquirirem uma experiência na parte logística que poderá ser levada para as próximas missões”, explicou o comandante do último Batalhão de Infantaria de Força de Paz (26º BRABAT), coronel do Exército, Alexandre Cantanhede, sobre o trabalho da tropa ao deixar o Haiti.

Esse trabalho é reconhecido pelo povo haitiano, que, em diversas situações, se referiu aos brasileiros como “bon bagay" (boa gente, em creole), e por autoridades internacionais pela capacidade de alinhar funções militares às atividades de cunho humanitário.

O principal objetivo do CONTBRAS foi contribuir com o Componente Militar da MINUSTAH na manutenção do ambiente seguro e estável no Haiti, apoiar as atividades de assistência humanitária e de fortalecimento das instituições nacionais, e realizar operações militares de manutenção da paz na sua área de responsabilidade.

Para o encerramento da MINUSTAH, o 26º CONTBRAS foi composto por 970 homens e mulheres, sendo 120 da Companhia de Engenharia do Exército Brasileiro e 850 do Batalhão Brasileiro (181 da Marinha, 639 do Exército e 30 da Força Aérea), que desenvolveram suas atividades no país até o cessar das operações.

Com a retirada do Componente Militar do Haiti, a missão prossegue tendo como foco o ambiente político e jurídico, bem como a finalização da formação da Polícia Nacional Haitiana, sob a égide da ONU, sendo ativada a Missão das Nações Unidas para Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH).

Moção de Louvor

A Câmara dos Deputados, por intermédio da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), nos termos do artigo 117, do seu Regimento Interno, manifestou, em 5 de setembro de 2017, voto de louvor aos militares brasileiros que integraram a MINUSTAH, em razão do trabalho desempenhado.

O requerimento sobre a Moção de Louvor foi aprovado por unanimidade e destaca o empenho e a excelência profissional das tropas, principalmente na ocasião dos desastres naturais vividos pelo Haiti.

Novas Missões

O Brasil permanecerá com suas Forças Armadas em condições de enviar efetivos para atuarem no exterior, especificamente em Missões de Paz sob o comando das Nações Unidas.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, sinalizou a preparação da tropa brasileira para uma próxima missão. “Seja onde for, tenho certeza que esse profissionalismo, a nossa cultura democrática e respeito ao outro serão levados aos outros cantos do mundo. As Forças Armadas do Brasil entendem que nós precisamos mais de missões de Paz e muito menos de guerra e de conflitos. Por isso, seja na República Centro Africana, seja em qualquer outro país, lá estaremos, em nome do entendimento, enfim, da paz mundial”, afirmou o ministro.

O Ministério da Defesa e o Ministério das Relações Exteriores ainda avaliam as demandas internacionais que possam implicar o envio de tropas de paz para outros países e ainda o interesse nacional em atender à solicitação.

*Boinas azuis: assim são conhecidos os militares integrantes das missões da ONU.

Por Sylvia Martins


Ministério da Defesa

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