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terça-feira, 10 de abril de 2018

Brasil desiste de participar de missão de paz na República Centro-Africana


Governo considerou que não há dinheiro para custear envio de tropas

Por Bruno Góes Publicada Em 09/04 - 20h55

BRASÍLIA — O Brasil desistiu de enviar tropas em missão de paz à República Centro-Africana. A informação foi confirmada ao GLOBO, nesta segunda-feira, pelo Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx). O país vai rejeitar o pedido da ONU, que queria 750 militares para atuar na região. O governo brasileiro considerou que não há dinheiro para custear a missão.

No mês passado, a ONU pressionou o Ministério da Defesa para que o país se posicionasse sobre o assunto, segundo fonte ouvida pelo GLOBO. Em 2017, a diplomacia brasileira havia sinalizado às Nações Unidas que participaria da missão. A área técnica do governo chegou a diminuir o orçamento para o primeiro ano de ação para R$ 280 milhões — inicialmente, eram R$ 400 milhões.

Mas, quando o assunto chegou à mesa do presidente Michel Temer, a conclusão a que se chegou foi a de que há restrição orçamentária. E a prioridade, para o governo, é a intervenção federal no Rio de Janeiro.

A ONU contava com a presença de tropas brasileiras e chegou a avisar que não tinha plano B, ou seja, não cogitava ocupar a região com tropas de outro país. Agora, terá que procurar outro parceiro. Em novembro do ano passado, Jean-Pierre Lacroix, chefe das operações de manutenção de paz da ONU, declarou publicamente que a experiência do Brasil no Haiti seria importante para a missão na África.

A missão era vista por militares como uma continuidade do trabalho bem-sucedido no Haiti, que durou entre 2004 e 2017.

Durante as negociações, a Defesa explicou à ONU que o país está em ano eleitoral e com dificuldades para fechar o orçamento. Em novembro do ano passado, as Nações Unidas fizeram o convite oficial para o Brasil participar da missão. À época, pedia o reforço das tropas "o mais breve possível".

A guerra civil na República Centro-Africana fez com que meio milhão de pessoas se refugiassem em países vizinhos, segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Em janeiro, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) afirmou que metade da população necessitava de ajuda humanitária.

O Globo

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