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terça-feira, 5 de junho de 2018

Comunicação por enlace de dados também será aplicada no espaço aéreo continental brasileiro


Comunicar é sinônimo de transmitir, informar, divulgar. Aprofundando o conceito latino "communicare", encontramos ainda a definição de partilhar, participar algo, tornar comum. O princípio básico da comunicação leva em consideração a existência de um emissor, que define o canal que será utilizado para a transmissão da mensagem através de códigos e signos pré-definidos para um receptor.


A boa comunicação pressupõe que o emissor consiga passar a informação de forma eficaz ao destinatário da mensagem, o que muitas vezes pode ser um desafio, especialmente quando se trata de comunicações aeronáuticas baseadas em VHF, com modulação analógica. Ruído, interferências e a baixa intensidade do sinal podem dificultar a compreensão da mensagem.


É exatamente esta assertividade e eficácia no trânsito de informações que é proposta pela comunicação por enlace de dados entre controladores e pilotos, a CPDLC (do inglês Controller Pilot Data Link Communications), tecnologia que permite o envio de mensagens de texto pré-formatadas e é uma alternativa às comunicações de voz, atualmente existentes, para operações de controle do espaço aéreo. A CPDLC surge como um meio adicional para as comunicações entre pilotos e controladores.


Desde 2009 esta aplicação é utilizada no Brasil, mais especificamente no Centro de Controle de Área Atlântico (ACC-AO), juntamente com o Sistema de Vigilância Dependente Automática por Contrato (ADS-C), no qual o equipamento de bordo das aeronaves transmite informações de posicionamento do sistema de navegação. Esta e outras informações relevantes para o controle de tráfego aéreo provenientes dos sistemas embarcados são encaminhadas para o sistema instalado em terra por meio de enlace de dados (data link).

No espaço aéreo oceânico, o uso da CPDLC, conjugado com a ADS-C, foi a solução para a melhoria das comunicações, quando comparado ao sistema de alta frequência até então utilizado de forma exclusiva. Houve aumento da consciência situacional dos controladores naquela região, remota, em que a instalação de outros sistemas de comunicações e vigilância, como radar, por exemplo, não são possíveis devido a inviabilidade, custos ou aspectos técnicos.

Funciona assim: o ATCO acompanha, monitora o percurso das aeronaves a partir de uma console, que utiliza o software Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional (SAGITARIO), e emite orientações por meio da funcionalidade CPDLC. Nos aviões, dentro da cabine, as informações são recebidas pelo piloto em telas de comando, o que possibilita uma interpretação inequívoca, com possibilidade, inclusive, de revisão das mensagens anteriores e, se necessário, impressão, a partir de ações rápidas e simples.

Além do emprego de mensagens pré-definidas, que refletem a fraseologia padrão empregada, é possível a inserção de textos livres, de acordo com a necessidade operacional. Por sua característica digital, a comunicação é livre de ruído e interferências, o que diminui a probabilidade de erro ou falha de entendimento do comando passado e todo o histórico de comunicação fica registrado.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) definiu um cronograma de ações para que a operação da CPDLC se estenda ao espaço aéreo continental. Na última semana, uma equipe de militares que fazem parte do grupo de estudos – GT CPDLC Continental – esteve reunida no Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), em São José dos Campos.

O grupo é composto por engenheiros, especialistas em comunicações, controladores de tráfego aéreo e analistas de sistemas. O GT baseou sua composição, principalmente, na expertise de profissionais que já tinham trabalhado com a CPDLC no Centro de Controle de Área Atlântico (ACC-AO), área de responsabilidade do Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III), localizado em Recife.

Considerando as entregas na estrutura analítica de projeto, o grupo foi dividido em nove subgrupos: Doutrina de Emprego, Interface Homem Máquina (IHM), Capacidade do Espaço Aéreo, Pesquisa, Legislação, Análise SGSO, Capacitação, Técnico e Equipamentos Aeroembarcados.

O objetivo do encontro foi a atualização dos trabalhos e continuação das atividades planejadas para suporte à implementação da CPDLC em porções do espaço aéreo doméstico brasileiro de interesse operacional.

Mas, para que este cenário se torne realidade no Brasil, é preciso que a comunidade aeronáutica participe ativamente deste processo. A regulamentação e aprovação de aeronaves para operações data link e suas respectivas tripulações é um exemplo desta participação.

Também é preciso que as companhias aéreas estejam capacitadas com equipamentos de bordo que utilizem o sistema FANS1/A (do inglês, Future Air Navigation System), para efetiva utilização do sistema e alcance dos benefícios projetados.

Segundo o chefe do Subdepartamento de Operações do DECEA, Brigadeiro do Ar Ary Rodrigues Bertolino, a implantação da CPDLC Continental tem potencial para trazer benefícios para os usuários do espaço aéreo.

“Com a melhoria do entendimento das comunicações e a inexistência de interferências e ruídos, não haverá necessidade do controlador repetir uma autorização ou instrução. Isso, poderá reduzir a carga de trabalho tanto de controladores como de pilotos, o que se traduzirá em maior segurança nas operações aéreas”, explicou o Brigadeiro Bertolino.

Os estudos para implantação CPDLC Continental vem sendo realizados desde 2016. A proposta é que sua aplicação aconteça em fases pré-definidas, de forma gradual, considerando aspectos como complexidade do espaço aéreo, conjunto de mensagens, dentre outros.

A primeira delas, que está programada para dezembro de 2020, prevê a operação com um conjunto restrito e mais simples de mensagens, que permitirá a adaptação dos ATCO à nova ferramenta. Esta fase será realizada em uma porção do espaço aéreo que compreende partes de duas Regiões de Informação de Voo (FIR), Recife (RE) e Amazônico (AZ).

Primeiros passos

O projeto CPDLC Continental teve início em meados de 2013. O primeiro passo foi o desenvolvimento estratégico e oportuno de uma plataforma de simulação de comunicações por enlace de dados que, até então, não existia no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), denominado MSCS (Simulador de Pilotagem e Controle de Tráfego Aéreo utilizando comunicações por enlace de dados).
Esse simulador foi implantado no Laboratório de Simulação do ICEA e no CINDACTA III. Assim, desde 2016, acontece o treinamento dos ATCO do ACC-AO em situações não rotineiras, como por exemplo, falha de comunicações, desvios meteorológicos, aeronaves em emergência, falha de CPDLC e ADS-C, conexões manuais. O treinamento possibilita o aprimoramento das habilidades psicomotoras dos controladores e a habilitação de novos supervisores de equipe.

O MSCS, integrado ao SAGITARIO, também suportará os trabalhos do GT CPDLC. “Nenhum trabalho de desenvolvimento, maturação e avanço para a operacionalização da CPDLC Continental será realizado sem que haja um ambiente para simulações exaustivas das propostas e validação do cenário projetado”, esclareceu gerente do projeto, o 1º Tenente Marcelo Mello Fagundes, Especialista em Comunicações.

Programa SIRIUS Brasil

O projeto CPDLC Continental faz parte do Programa SIRIUS Brasil, que contempla diversos empreendimentos, instituídos com base em orientações da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) para evolução do gerenciamento de tráfego aéreo

(ATM) global.

Como signatário da ICAO, o Brasil tem acompanhado a evolução mundial a partir da aplicação de ferramentas para a melhoria do serviço de navegação aérea no Brasil, em atendimento às demandas operacionais no SISCEAB.

O empreendimento “Infraestrutura e Aplicações de Comunicações Ar-Terra e Terra-Terra” tem o objetivo de melhorar a eficiência do sistema de comunicações ar-terra com emprego de enlace de dados entre os sistemas de terra e os sistemas de bordo, para um melhor gerenciamento do tráfego aéreo, menor incidência de falhas de entendimento nas comunicações entre controladores e pilotos e, o consequente, aumento da segurança operacional.

Comunicação do ICEA/ ASCOM DECEA

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