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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Durante a RIDEX 2018 representantes do Setor Naval falam sobre os principais entraves e iniciativas necessárias para a retomada do setor no país


Representantes de quatro dos maiores estaleiros do país e do SINAVAL estiveram presentes no último dia da Rio International Defense Exhibition (RIDEX 2018) para compor o painel promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (ABENAV), na tarde desta sexta-feira (29/06), com o tema: “Análise conjuntural sobre a Indústria da Construção Naval no Brasil e seus segmentos de atuação - offshore, navios, embarcações militares, embarcações de apoio marítimo, barcaças, empurradores e rebocadores”.

Para Ivan Fonseca, representante do SINAVAL e do estaleiro BRASA - que fica na Ilha da Conceição, em Niterói/RJ - a retomada do setor só será possível se houver iniciativas por parte do governo, como uma Política de Estado que realmente interesse e beneficie o setor. “Há uma grande necessidade de consolidar uma base, calcada em programas para renovação da frota da Marinha, por exemplo, ou até compartilhar o fundo que hoje é destinado à Marinha Mercante, para construção não só de empreendimentos offshore, mas também de navegações de especificação bélica. Mas as questões que envolvem o setor e que precisam ser trabalhadas para mudança desse quadro de crise, não param por aí”, destaca.

Segundo Fonseca, entre outras medidas que poderiam ser tomadas para incentivar o setor estão:

- Fortalecimento da cadeia de suprimentos;
- Mudar/aprimorar as regras de conteúdo local que hoje afligem o setor;
- Reduzir o custo Brasil, tanto no quesito mão-de-obra quanto no tributário;
- Investimentos na capacitação e qualificação da mão-de-obra;
- Investir em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para, de fato, gerar riquezas e avanços consistentes na construção naval;
- Elaboração de contratos de longo prazo para manter a previsibilidade dos negócios, para estimular investimentos;
- Criação de dispositivos legais que fomentem o mercado para estimular demanda potencial à Indústria Naval Offshore, entre outros.

De acordo com Luiz Carlos Caetano dos Santos, diretor operacional do estaleiro Brasfels - localizado em Angra dos Reis/RJ - outras propostas que podem contribuir para o setor incluem o compartilhamento de tecnologia proporcionada pelas parcerias formadas entre as empresas nacionais e estrangeiras. “Muitas das demandas que temos criam a necessidade de formarmos parcerias e isso é bom para o setor, pois possibilita que venhamos adquirir conhecimentos tecnológicos, além de ampliarmos nossa visão quanto a necessidade de capacitação técnica de nossa mão de obra. É diante dessa visão que temos que investimos cada vez mais em qualificação. E por isso mudamos nosso foco de atuação que antes era mais voltado para Óleo & Gás e hoje atuamos em outros segmentos da construção naval, como reparos e conversões”.

Rodrigo Bastos, da Wilson Sons, afirma que a busca pela perenização dos negócios tem sido uma luta árdua do setor, que atua sem previsibilidade em razão das condições atuais de mercado. “Temos que variar nossa atuação de mercado e por isso, além da construção naval, temos um terminal de conteiners, uma divisão de rebocadores, 23 embarcações, atuamos com cabotagem, além de construção de embarcações. Tudo isso para termos mais opções no mercado”.

Frederico Mithio, do Estaleiro Enseada, localizado às margens do Rio Paraguassua, na Bahia, afirma que o setor de Construção Naval sempre foi uma grande fonte de empregos em seu auge. Mas desde 2014, com o declínio do setor, vem se mostrando um retrato da crise econômica no Brasil e que deveria obter por parte do governo medidas que estimulassem a retomada de seu crescimento.

Luiz Vieira Morgado, do estaleiro Atlântico do Sul, de Pernambuco, destacou que a criação de um núcleo da Indústria Naval fortalece toda uma cadeia produtiva e contribui para o desenvolvimento local, tanto na geração de emprego, quanto na distribuição de renda. E que parcerias entre empresas do setor, podem ser a solução para o fortalecimento de atuação no mercado.

Diante do quadro atual da Indústria Naval, todos os presentes no debate concordaram que o setor necessita de bons projetos para serem executados no mercado interno e que medidas legislativas e tributárias são urgentes.


Razões para a crise

Desde o fim de 2014, quase 45 mil trabalhadores perderam seus empregos. O número, de acordo com o SINAVAL, associação que reúne as companhias do setor, passou de 82.472 para 37.747, uma redução de 54%.

Para especialistas, vários fatores explicam a crise do setor. Um deles é o fato da Petrobras estar direcionando parte das encomendas para a China. Outro é que o setor naval passa por forte momento de reestruturação por causa da crise da Petrobras e do novo patamar do preço do petróleo.

Por isso, as empresas precisam se reestruturar operacional e financeiramente para se adaptar à realidade.

A Feira

A RIDEX 2018 é uma realização da Emgepron (Empresa Gerencial de Projetos Navais) que é vinculada ao Ministério da Defesa e aconteceu entre os dias 27 e 29 de junhonos armazéns 3 e 4 do Píer Mauá, na zona portuária do Rio de janeiro.

Entre os expositores estarão representantes dos Estados Unidos, China, Alemanha, França, Holanda, Suíça, Suécia, Colômbia, Peru, além do Brasil, é claro. Entre as mais de 20 delegações internacionais, estão confirmados representantes do Oriente Médio e dos continentes americanos (América do Norte e América do Sul), África, Europa e Ásia.

Em razão do sucesso da Rio International Defense Exhibition, a expectativa é que a 2ª edição do evento, prevista para 2020, tenha o dobro de tamanho e o dobro de expositores.

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