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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

The Times: Sistema de defesa antiaérea Pantsir-S1 levado da Líbia pelos EUA para uma base na Alemanha.


A The Times recebeu informações de que um sistema de mísseis de defesa aérea montado em um caminhão, capturado num campo de batalha líbio, foi retirado do país intacto, por via aérea, e levado a uma base aérea americana, numa missão secreta.


A operação foi desencadeada em meio à preocupação de que a bateria de mísseis Pantsir S-1, que pode facilmente abater aeronaves civis, caísse nas mãos de milícias ou traficantes de armas naquele pais norte-africano, devastado pela guerra.


A operação envolveu o envio, em julho passado, de uma equipe num avião cargueiro C-17 Globemaster da USAF para o aeroporto de Zuwara, a oeste de Trípoli, para embarcar e transportar o equipamento de volta à base de Ramstein, no sudoeste da Alemanha. O sistema havia sido adquirido à Rússia pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), que o haviam enviado para a Líbia para dar apoio às forças leais ao Marechal Khalifa Haftar.


Na ocasião da captura, essas forças estavam envolvidas numa batalha para tomar Trípoli ao governo reconhecido pelas Nações Unidas e apoiado pela Turquia. O Marechal é apoiado pelos EAU e pela Rússia, e acredita-se que mercenários do grupo russo Wagner operavam alguns dos sistemas de defesa aérea. O Pantsir foi capturado depois que uma base aérea foi tomada num contra-ataque.


A missão permitiu conhecer mais sobre as operações secretas dos EUA contra a presença russa na Líbia, país que possui uma das maiores reservas de petróleo da África. Embora o Presidente Trump mostrasse pouco interesse no conflito na Líbia, os militares e o Departamento de Estado têm procurado expor o crescente papel da Rússia naquele país.


Em 2019, os EUA haviam alertado as autoridades líbias sobre a presença de consultores políticos russos em Trípoli, trabalhando para Yevgeny Prigozhin, fundador da Wagner, que também estabeleceu operações em várias outras áreas da África. No ano passado, o Africa Command americano tomou a decisão não usual de tornar públicas as informações sobre o desdobramento na Líbia de jatos russos avançados para dar suporte ao Marechar Haftar.


Os EUA tinham contas a acertar com a Rússia porque acredita-se que uma bateria de Pantsir operada por técnicos da Wagner havia abatido uma de suas Aeronave Remotamente Pilotada Reaper, de £23 milhões, quando ela fazia um voo de vigilância sobre o país.


Os militares americanos pediram de volta os destroços, mas o Marechal Haftar alegou não conhecer sua localização.


Uma autoridade russa declarou que Moscou tinha conhecimento que os Estados Unidos haviam removido o Pantsir, mas sugeriu que sua captura terá um valor limitado em termos de inteligência, pois os EUA teriam a oportunidade de estudar o mesmo sistema nos EAU. Embora os EAU trabalhassem ligados à Wagner, e alegadamente tenham ajudado a financiar os milhares de mercenários na Líbia, o país é um aliado próximo dos americanos, e adquiriu mais de 50 baterias de Pantsir.


Versões de exportação, como a que foi capturada na Líbia, não possuem a cuidadosamente guardada base de dados de identificação de amigos ou inimigos, com os códigos de transponder de todos os jatos da Força Aérea russa. O sistema é capaz de engajar múltiplos alvos, desde baixa altitude até 50.000 pés, e tem alcance de cerca de 20 milhas.


Após sua captura na base aérea de Watiya em 18 de maio de 2020, o sistema foi transportado para a cidade de Zawiya, a oeste de Trípoli, onde ficou em poder de um notório comandante de milícias chamado Mohamed Bahroun, apelidado de “Rato”. Ele é suspeito de ter ligações com contrabandistas e extremistas islâmicos.


No entanto, forças sob o comando do ministro do interior forçaram os soldados de Bahroun a entregar o sistema, que foi então transportado para uma base ocupada por forças turcas, sendo depois levado para o aeroporto para ser removido.


Observadores disseram que o episódio não foi visto com bons olhos nem pela Rússia nem pelos EAU. Supostamente existe um embargo de armas da ONU que proíbe a importação/exportação de armas da Líbia, que tem estado numa situação de constante tumulto desde que uma revolta apoiada pela OTAN depôs o Coronel Muammar Gaddafi, em 2011.


“É digno de nota que um estado que é um importante importador de armamento americano tenha passado um sistema de armas sofisticado para um chefe militar que o usa tão descuidadamente que o deixa cair nas mãos de um potencialmente perigoso líder de milícias do outro lado”, disse Wolfram Lacher, uma autoridade sobre a Líbia que trabalha no “think tank” alemão SWP.


Um sistema de mísseis antiaéreos produzido na Rússia foi usado para abater o voo MH17 da Malaysia Airlines sobre a Ucrânia em 2014, com a perda de 298 passageiros e tripulantes. Um outro sistema russo, vendido para forças iranianas, abateu um avião de passageiros ucraniano que voada de Teerã em janeiro último, matando 176 pessoas. Em ambas as ocasiões, acredita-se que as guarnições dos mísseis erradamente acreditaram estar disparando contra aeronaves ou mísseis inimigos.


FONTE: https://www.thetimes.co.uk/article/russian-missile-system-spirited-out-of-libya-by-us-hjjtz0kd2


Tradução e Adaptação do Texto: Mário Roberto Vaz Carneiro.


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