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sábado, 5 de junho de 2021

EUA acompanham navios iranianos suspeitos de levar armas para a Venezuela

O Pentágono e as agências de inteligência americanas estão acompanhando de perto dois navios iranianos que, segundo Teerã, se dirigem à Venezuela.


No Pentágono e em outras agências, autoridades dizem que no momento a passagem dos navios não é uma preocupação, mas eles estão sendo monitorados e a comunidade de inteligência está trabalhando para avaliar quais são as intenções do Irã. Os dois países – que são alvo de duras sanções americanas -- são aliados e parceiros comerciais que têm ajudado um ou outro a suportar as providências americanas.


Embora ainda não esteja claro se os navios estão transportando armas, de acordo com diversas autoridades americanas, as imagens de satélite revelam que um deles está transportando um tipo de pequena embarcação rápida de ataque, que o Irã tem usado para incomodar os navios americanos no Golfo Pérsico. E se os navios iranianos ganharam acesso ao Atlântico, analistas dizem que seria um significativo passo à frente para a Marinha do país, que tem tentado conseguir isso no passado, sem sucesso.


Autoridades disseram que os EUA vêm monitorando os navios por aproximadamente duas semanas. Os navios passaram ao largo da costa ocidental da África nos últimos dias. Inicialmente se esperava que eles dobrassem o Cabo da Boa Esperança, na extremidade sul do continente, entre 9 e 11 de junho, os peritos que acompanham seu movimento dizem que agora só devem chegar a esse ponto em julho.

O porta-voz do Pentágono John Kirby, falando sobre a possibilidade de qualquer remessa de armas iranianas ao Hemisfério Ocidental, disse que seria um “ato de provocação” e uma ameaça aos aliados dos EUA.


“Embora o Departamento de Defesa não comente sobre assuntos de inteligência, podemos dizer que a entrega de tais armas seria um ato de provocação e uma ameaça aos nossos parceiros no hemisfério. Assim, reservamos o direito de tomar as medidas apropriadas – em conjunto com nossos parceiros – para deter a entrega ou o trânsito de tais armas”, disse Kirby à CNN.

Na 4ª feira, a agência semioficial Mehr reportou que o vice-chefe da comissão de segurança nacional e relações exteriores do Parlamento do Irã tinha dito que “a ameaça a navios iranianos é uma violação da lei internacional e, se continuar assim, a Marinha americana certamente estará em perigo, e podemos ameaçar navios americanos nas águas da região”.

Um dos navios iranianos, uma base flutuante chamada “Makran”, apareceu no final de abril em imagens de satélite da Maxar Technologies no porto de Bandar Abbas, com sete pequenas embarcações rápidas de ataque no convés. Uma fragata menor está acompanhando o “Makran”.

A preocupação americana é se as lanchas forem transferidas à Venezuela. Essas embarcações rápidas e ágeis são frequentemente usadas pela Guarda Revolucionária do Irã no Golfo Pérsico para assediar navios comerciais e militares, incluindo navios da U. S. Navy e da U. S. Coast Guard que operam na área. Elas podem ser equipadas com uma variedade de armamento, desde armas pequenas a mísseis antinavio e torpedos.

As autoridades frisam que não estão certas se as armas estão a bordo dos navios iranianos. “A preocupação é se se trata realmente de lanchas lança-mísseis”, disse uma autoridade da Defesa. “esse tipo de arma é algo que não gostaríamos de ter próximo ao nosso litoral”.

Há uma certa incerteza sobre a rota dos navios. Um oficial da USN disse à CNN que em dias recentes eles navegaram de forma confusa, que deixou os observadores sem saber se eles continuarão na direção do Atlântico.

Enquanto os EUA tentam descobrir as intenções do Irã, duas fontes disseram que uma teoria é que o Irã está tentando verificar a capacidade de operar no Atlântico – é uma declaração tipo “Ei, estamos aqui presentes”. Ambas as autoridades enfatizaram que o navio e a fragata que o acompanha não são, por enquanto, uma grande preocupação, e que há esperança de que o Irã ache uma maneira honrosa de fazer meia volta e retornar para casa.

“A deles não é uma Marinha para operações em águas azuis”, disse uma das fontes. Os EUA usam esse termo para se referir a Marinhas que podem operar prontamente em mar aberto, a grandes distâncias de suas bases, por longos períodos.

Por enquanto as autoridades americanas estão vendo se alguns portos permitirão a entrada dos navios para reabastecimento antes que eles tentem chegar ao Atlântico. Os EUA acreditam que eles poderiam ter problemas numa viagem tão longa.

A viagem potencial para as águas do Atlântico seria um passo difícil para a Marinha do Irã, disse Benham Ben Talebu, que observa os militares iranianos em nome da Fundação para a Defesa das Democracias. Talebu e outras pessoas estão acompanhando de perto o movimento do “Makran” devido a uma promessa que o Irã fez em 2016 de desenvolver uma capacidade naval no Atlântico. Uma tentativa de circundar a África naquele mesmo ano falhou, segundo Talebu, quando os navios tiveram que fazer uma escala de emergência em Durban, na África do Sul, inviabilizando a tentativa.

“Se essa viagem tiver sucesso... não significa que o Irã não vai ter uma Marinha de águas azuis imediatamente, mas poderia representar uma significativa evolução para a Marinha convencional do Irã, que se atrofiou em comparação com a Guarda Revolucionária”, disse. Autoridades iranianas apontam o “Makran” como uma base expedicionária avançada, uma plataforma a partir da qual poderiam lançar drones suicidas, helicópteros, embarcações de ataque, etc., disse Talebu.

Numa crítica velada, Kirby culpou a administração Trump pelas ações do Irã, devido à campanha de pressão máxima através de sanções exercida contra autoridades do Irã. Kirby destacou os esforços diplomáticos, em coordenação com aliados dos EUA, para frear as atividades nucleares iranianas.

“Essa e uma situação que a administração atual herdou, e como muitas coisas que dizem respeito ao Irã – incluindo o seu programa nuclear rapidamente em expansão, ultrapassam os limites impostos pelo acordo nuclear – estamos agora trabalhando para evitar, através de meios diplomáticos e outros”, disse ele.


Fonte: https://edition.cnn.com/2021/06/03/politics/us-iran-ships-venezuela/index.html



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