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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

AFEGANISTÃO: CH-46 Sea Knight civis, mas armados, participam da retirada americana

Por Ricardo Pereira – Assuntos Militares

Vários sites estão acompanhando passo a passo a evacuação de diplomatas e outros cidadãos estrangeiros de Cabul, principalmente a partir da Embaixada dos EUA e, via-de-regra, a aeronave mais mencionada é o helicóptero pesado CH-47 Chinook. No entanto, pouco destaque vem sendo dado a um outro modelo de helicóptero que, embora de configuração semelhante, é de porte muito menor que o CH-47: trata-se do Boeing-Vertol 107, cuja designação militar é CH-46 Sea Kinight. O CH-46 foi empregado em grande quantidade pelo U. S. Marine Corps, mas o derradeiro exemplar dessa aeronave deixou o serviço ativo no USMC em 2015, tendo o último voo para aquela força sido realizado em 25 de setembro daquele ano.




Mas, então, como pode ser que esse tipo de aeronave esteja sendo empregada na evacuação de Cabul? A explicação é que o Department of State (Departamento de Estado) tem nada menos que vinte
CH-46 registrados em seu nome (das variantes D e F), todos com matrículas civis. Esses helicópteros são operados pela Embassy Air, uma empresa aérea estabelecida em 2009 especialmente para dar apoio às Embaixadas americanas no Iraque e no Afeganistão. Seu principal emprego é deslocar dignitários e funcionários diplomáticos entre os aeroportos internacionais de Bagdá e de Cabul) e as respectivas Embaixadas, evitando assim fazer o trajeto por via terrestre, o que implicaria numa série de perigos, principalmente por parte de Artefatos Explosivos Improvisados.



Mas, apesar de seu “status” não militar, as aeronaves podem ser armadas com metralhadoras M240D Minigun, de 7,62mm, ou Browning M2, de 12,7mm, atirando pelas janelas laterais ou pela rampa traseira, de acordo com a necessidade. Além disso, possuem sensores para alerta de aproximação de mísseis e são equipadas com lançadores de chaff e flares. Se a situação assim exigir, esses CH-46 podem ser acompanhados por outros helicópteros com armamento mais pesado, como os UH-1N Twin Huey do próprio Departamento de Estado.




É também interessante o fato de que a Air Embassy opera como uma empresa aérea regular, cobrando pelas passagens. Segundo informações, as tripulações são fornecidas pela empresa civil DynCorp (uma “empresa militar privada”) e, muito provavelmente, são compostas por ex-membros do USMC. Como resultado, os custos de um assento num voo da Air Embassy (pagos, obviamente, pelo próprio Departamento de Estado) estão longe de ser baratos: estima-se que uma viagem de sete minutos entre o aeroporto de Cabul e a Embaixada custe cerca de US$1.500. Daí, pode-se deduzir que uma situação como a que os americanos estão enfrentando no momento é imensamente lucrativa para alguns.

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