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19 de fevereiro de 2024

A VBE Soc MAXXPRO RECOVERY VEHICLE e o aumento da prontidão logística

Os combates no conflito entre Rússia e Ucrânia estão se caracterizando pelo elevado emprego de carros de combate, outras viaturas blindadas e sistemas de artilharia, o que traz impacto direto à logística, com destaque para as funções logísticas manutenção e salvamento no nível tático.

Isso fica evidenciado ao verificar-se que várias unidades do sistema de mísseis móveis Pancir-S, de milhões de dólares, ficaram retidos na lama após poucas semanas de combate devido a pneus defeituosos em decorrência da não realização do giro técnico com as viaturas provavelmente por um ano.

Essa situação, em que Produtos de Defesa (PRODE) estão danificados e incapacitados de se locomoverem em posições mais avançadas na zona de combate, diminui a capacidade operativa e dificulta a progressão das peças de manobras.

Além disso, a incapacidade de rebocar sistemas de armas danifcados impede o deslocamento desses meios para as áreas mais à retaguarda, a fim de serem reparados e dificulta a recuperação do poder de combate das tropas empregadas.

Como exemplo, tem-se os vários comboios russos parados nas vizinhanças de Kiev nas primeiras semanas de combate, isso ocorreu devido à resistência das forças ucranianas e também porque havia uma baixa capacidade da Rússia de remoção, reboque e manutenção dos seus sistemas de armas danificados.

Os aspectos apresentados acima mostram a relevância da manutenção e do salvamento na zona de combate. Na Força Terrestre, tem-se como principal fração responsável por essas atividades, no âmbito das Brigadas de Infantaria e de Cavalaria, a Companhia de Manutenção (Cia Mnt) do Batalhão Logístico (B Log).

A Cia Mnt/B Log tem por missões realizar o apoio de manutenção de 2º escalão, o salvamento do material e complementar a manutenção de 1º escalão das Organizações Militares (OM) apoiadas.

Para isso tem a seguinte estrutura organizacional: Comando; Seção de Comando (Seç Cmdo); Pelotão de Apoio de Material Bélico (Pel Ap MB); Pelotão Leve de Manutenção (Pel L Mnt); 1º Pelotão Pesado de Manutenção (1º Pel P Mnt); e 2º Pelotão Pesado de Manutenção (2º Pel P Mnt).

Figura 1- Organização da Cia Mnt/B log

Dentro do cenário anteriormente apresentado, da grande importância das funções logísticas salvamento e manutenção na zona de combate nas operações militares modernas, destaca-se na organização da Cia Mnt/B Log a Seção de Salvamento (Seç Slv) do Pelotão de Apoio de Material Bélico (Pel Ap MB).

Essa fração tem entre suas missões realizar “[...] a remoção e o reboque de recursos materiais acidentados, salvados e capturados ou cargas ou itens específicos em proveito dos elementos apoiados” 
[2, p. 3–8].

A Seç Slv está organizada em 4 (quatro) Grupos de Salvamento (Gp Slv), que são divididos em 2 (duas) Equipes de Salvamento. Essas frações possuem meios de grande mobilidade e capacidade de salvamento adequada à natureza das Organizações Militares (OM) apoiadas.

Diante dos aspectos já apresentados e de acordo com o Programa Estratégico Forças Blindadas, o Exército Brasileiro recebeu recentemente em solo brasileiro 20 Viaturas Blindadas Especiais Socorro (VBE Soc) 6×6, modelo 
MaxxPro Recovery Vehicle, fabricadas pela empresa estadunidense Navistar Defense.

A referida viatura possui proteção blindada, suportando disparos dos calibres 5,56mm e 7,62mm, além de artefatos explosivos improvisados, minas e estilhaços de artilharia 
[3]Características que garantem a essa VBE Soc a capacidade de prestar o apoio mais cerrado às OM apoiadas, com o desdobramento das Equipes de Salvamento o mais à frente possível na zona de combate, e ainda proporciona maior segurança aos militares que compõem a guarnição da viatura.

Além disso, o emprego das Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal (VBTP) Guarani pelas Brigadas de Infantaria Mecanizada e pelas Brigadas de Cavalaria Mecanizada impuseram novas demandas técnicas e operacionais, relativas à função logística salvamento, para as Cia Mnt/ B Log dessas Grandes Unidades.

Essas necessidades serão atendidas pela capacidade técnica da VBE Soc 
MaxxPro Recovery Vehicle. O mencionado PRODE possui lança hidráulica, suporta 27,2 Ton de içamento de carga no guindaste, 22,6 ton de arraste no cabo de aço, 42 ton para reboque e 15,8 Ton durante o uso da “asa delta” traseira.[3]–[7]

Dessa forma, a VBE Soc
 MaxxPro Recovery Vehicle irá aumentar a prontidão logística das Cia Mnt/B Log, isto é, “[...] a capacidade de pronta resposta das organizações militares logísticas para fazer face às demandas de apoio à F Ter em tempo de paz e em operações[...]”. [2, p. 1–4]

Conclui-se que, nos combates modernos, uma logística eficiente e eficaz é a base para a 
geração e a sustentação da capacidade operativa da Força Terrestre, sendo a aquisição e o início da operação da VBE Soc MaxxPro Recovery Vehicle um aumento de capacidade significativo para as funções logísticas manutenção e salvamento em operações, adestramento e nas atividades rotineiras das Cia Mnt/B Log das Grandes Unidades Mecanizadas.


Maj Diego Ébio de Sant’ana

O Maj QMB Diego Ébio de Sant’ana, além dos cursos de formação e aperfeiçoamento, possui Mestrado Profisional em Ciências Militares, com ênfase em Gestão Operacional, pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (2018); Especialização em Comunicações pela Escola de Comunicações (2013); Especialização em Logística Empresarial pela Faculdade Unyleya (2020); Logistics Captains Career Course pela Army Sustainment University/US Army (2022); Graduação em Administração pela Universidade do Sul de Santa Catarina (2014). Exerceu as funções de Comandante de Companhia e Pelotão, no 18 Batalhão Logístico, de Instrutor do Curso de Material Bélico da AMAN e de Chefe do Centro de Operações Logísticas do 2 Batalhão Logístico. Atualmente é Ajudante de Ordens do Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

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