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17 de março de 2026

Fragata “Tamandaré” chega pela primeira vez ao Rio de Janeiro

Por Primeiro-Tenente (RM2-T) Thaís Cerqueira e Segundo-Tenente (RM2-T) Ribeiro A Fragata “Tamandaré” (F200) chegou pela primeira vez ao Rio de Janeiro (RJ) nesta segunda-feira (16), após partir de Itajaí (SC), onde foi construída. O navio percorreu cerca de 765 quilômetros até a capital fluminense e será preparado para a Cerimônia de Mostra de Armamento, prevista para 24 de abril, data que marcará sua incorporação oficial à Marinha do Brasil (MB). A fragata integra o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), voltado à renovação dos meios de superfície da Força.
Na Baía de Guanabara, a F200 foi recebida pela Fragata “Defensora” - Imagem: Marinha do Brasil
A viagem marca a conclusão da fase de construção da fragata, iniciada em 2022 com o corte da primeira chapa de aço. O navio foi lançado ao mar em 9 de agosto de 2024 e passou por testes de mar em 2025.
De acordo com o Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Eduardo Machado Vazquez, o dia é motivo de orgulho para os brasileiros. Nós estamos renovando o Poder Naval com a nossa indústria, isso é um fato marcante. É uma conquista de todos nós, marinheiros e não marinheiros, todos que amamos a nossa pátria. Dentro desse espírito de comprometimento total, a “Tamandaré” chega para mudar a história da Marinha. Hoje é um momento histórico para a Marinha e para o País”, destaca.
Fragata “Tamandaré” navegando no Rio Itajaí-Açu durante a saída de Santa Catarina, na última sexta-feira (13) – Imagem: Primeiro-Sargento Ferreira/Marinha do Brasil
Para o Comandante da F200, Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé, esse momento não se trata apenas da incorporação de um novo meio, mas um passo importante para renovar o núcleo do Poder Naval.
Temos o papel central na proteção da nossa Amazônia Azul. Essas fragatas serão essenciais para o monitoramento e controle do espaço marítimo, para a defesa das ilhas oceânicas, para proteção de estruturas críticas e para salvaguarda das comunicações marítimas de interesse nacional. Nessa segunda-feira, após a atracação, iniciamos oficialmente a nossa história na Esquadra brasileira e, em breve, estaremos prontos para cumprir qualquer missão que seja atribída ao navio”, ressalta.
Um dos canhões localizados na proa (frente) da F200 - Imagem: Primeiro-Sargento Ferreira/Marinha do Brasil

No mesmo dia, na Base Naval do Rio de Janeiro, foram entregues novas instalações para que parte dos 154 militares da tripulação possa atuar também em terra. A Fragata “Tamandaré” representa um marco para a modernização da Esquadra, é a primeira fragata desse projeto nacional de construção naval, que faz parte do Novo PAC do Governo Federal. A F200 foi integralmente construída no Brasil, no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), com utilização de mão de obra local e por meio de um processo de transferência de tecnologia, que contribui para o fortalecimento da Indústria Naval Nacional.
Sistemas Navais No contexto das operações, a Fragata “Tamandaré” está preparada para conduzir missões de guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície de forma simultânea. De acordo com o Chefe de Operações da Fragata “Tamandaré”, o Capitão de Corveta Tiago Lino Henriques, essa capacidade se dá por alguns motivos principais.
F200 durante a travessia de Itajaí até o Rio de Janeiro em dois dias e meio de navegação - Imagem: Primeiro-Sargento Ferreira/Marinha do Brasil
O navio possui sensores com alta capacidade de detecção e acompanhamento de contatos, destaca-se o radar de busca volumétrica - principal sensor do navio para contatos acima d’água, como embarcações a longas distâncias, aeronaves e drones. Outra gama de sensores do qual o navio é dotado são os de monitoramento de guerra eletrônica. Com eles, a F200 consegue monitorar emissões eletromagnéticas e de radiofrequência. Isso permite uma consciência situacional mais aprimorada e uma detecção maior na antecipação desses contatos”, destaca.
Essas capacidades são integradas pelo Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) das Fragatas Classe Tamandaré, desenvolvido em parceria pela brasileira Atech e pela alemã Atlas Elektronik GmbH. O sistema reúne dados provenientes dos sensores e dos armamentos, consolidando informações para manter a consciência situacional e garantir o emprego eficiente dos sistemas de armas. O CMS utiliza algoritmos avançados para identificar e classificar ameaças, definindo a melhor combinação de sensores e armamentos para neutralização.
Na imagem, a Fragata “Tamandaré” ao lado da “Jerônimo de Albuquerque”, que realizará testes de mar no segundo semestre de 2026 - Imagem: Primeiro-Sargento Ferreira/Marinha do Brasil
Ele integra sensores e armas e possui um algoritmo que, ao processar essas informações, auxilia o operador no processo decisório, permitindo identificar, classificar e engajar contatos com grande rapidez”, ressalta.
Munições nacionais nos sistemas de armas das Fragatas Classe Tamandaré Alinhada às iniciativas de fortalecimento da Base Industrial de Defesa, a MB firmou um protocolo de intenções com a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). O objetivo é avaliar a compatibilidade de munições nacionais com os sistemas de armas das Fragatas Classe "Tamandaré", incluindo a F200.
A ação busca promover cooperação técnica voltada ao desenvolvimento de munições compatíveis com sistemas navais contemporâneos, reduzindo a dependência de fornecedores externos e fortalecendo a cadeia logística necessária para a prontidão da Força Naval.
Proteção da Amazônia Azul As Fragatas Classe "Tamandaré" são consideradas estratégicas para as atividades de controle e monitoramento da área marítima sob jurisdição brasileira, conhecida como Amazônia Azul, que abrange mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.
Os navios também contribuem para o apoio à política externa brasileira e para a presença naval em áreas de interesse estratégico, reafirmando o compromisso da Marinha do Brasil com a defesa da soberania nacional e a segurança marítima.
Próximos passos do Programa Fragatas Classe "Tamandaré" Além da F200, outros três navios estão sendo construídos concomitantemente no estaleiro: As Fragatas “Jerônimo de Albuquerque” (F201), “Cunha Moreira” (F202) e “Mariz e Barros” (F203). A F201 iniciará a etapa de testes de mar no segundo semestre de 2026; já a F202 está na fase de conclusão da montagem do casco e a cerimônia de Lançamento ao Mar está prevista para o dia 17 de junho deste ano. A F203 começou a ser construída em janeiro de 2026 e o batimento de quilha da embarcação será feito ainda este ano.
Com o início da construção da Fragata “Mariz e Barros”, a TKMS Estaleiro Brasil Sul atinge o auge da produção do PFCT. As quatro primeiras embarcações do programa passam a ser construídas simultaneamente em território brasileiro, com alto índice de conteúdo local. A iniciativa contribui para consolidar a expertise nacional em tecnologia de defesa naval e abre caminho para entregas escalonadas até 2029.

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