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1 de maio de 2026

Marinha destaca papel da ciência e tecnologia para soberania nacional durante cerimônia em Brasília

Evento reuniu autoridades, premiou pesquisas estratégicas e reforçou integração entre Defesa, indústria e academia

Por Edwaldo Costa – Jornalista

A importância da ciência e da inovação para a soberania nacional foi destaque em cerimônia da Marinha do Brasil (MB) realizada em Brasília, no dia 28, em comemoração ao Dia da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). A data faz referência ao nascimento, em 22 de abril, do Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, Patrono da CT&I na Força.

Comandante da Marinha destacou que o investimento contínuo em ciência e tecnologia impulsiona o desenvolvimento e amplia a autonomia do Brasil – Imagem: Segundo Sargento Coronha/Marinha do Brasil

O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, afirmou que a data reforça a soberania nacional e destacou a importância do investimento em conhecimento, tecnologia e inovação para o futuro do País.

Segundo ele, o avanço científico e a capacidade de inovação são fundamentais para a legitimidade do poder naval e para o desenvolvimento nacional. O Almirante também ressaltou que programas estratégicos, como o Programa Nuclear da Marinha e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, projetam o Brasil em posição de destaque no cenário internacional.


O Comandante da Marinha destacou ainda que a continuidade da construção naval se evidencia com a incorporação de novos meios, como as Fragatas da Classe “Tamandaré”, o lançamento de Navios-Patrulha e o emprego do Navio de Apoio Oceanográfico Antártico “Almirante Maximiano”, reforçando a presença brasileira em áreas estratégicas, como a Antártica.

A Secretária-Geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo, que representou o Ministro da Defesa no evento, ressaltou que o fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação, voltado a aplicações militares e civis, é essencial para o País. De acordo com ela, o desenvolvimento de tecnologias de uso dual atende a demandas estratégicas da Defesa e conta com o apoio institucional do Ministério.

Durante o evento, o Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, e o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), professor Olival Freire Junior, assinaram um memorando de entendimento que fortalece a cooperação entre as instituições.

O acordo também viabiliza a realização do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, considerado a principal premiação da ciência brasileira e destinado a reconhecer pesquisadores com contribuições relevantes para o desenvolvimento do País.

DGDNTM e CNPq firmam memorando de entendimento que viabiliza a cooperação para a execução do Prêmio Almirante Álvaro Alberto para a Ciência e Tecnologia – Imagem: Segundo-Sargento Coronha

Em homenagem aos 75 anos do CNPq, o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, entregou o “Farol do Conhecimento” ao Presidente do CNPq. A honraria simboliza a orientação proporcionada pelo Conselho para o desenvolvimento científico do País e remete ao legado do Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, que defendia a ciência como base da soberania nacional.

Almirante de Esquadra Bettega entrega o farol do conhecimento ao presidente do CNPq – Imagem: Marinha do Brasil

Segundo o professor doutor Olival Freire Junior, a homenagem expressa o alto valor atribuído à pesquisa em ciência e tecnologia tanto pelo CNPq quanto pela Marinha.

A homenagem expressa o alto valor atribuído à pesquisa em ciência e tecnologia tanto pelo CNPq quanto pela Marinha e muito nos honra. De fato, Álvaro Alberto foi, ao mesmo tempo, um militar, no posto de Almirante, e um homem de ciência, como químico e ex-Presidente da Academia Brasileira de Ciências. Foi um dos primeiros brasileiros a compreender, em toda a sua extensão, o impacto da ciência na Segunda Guerra Mundial e as potencialidades brasileiras nesse campo, o que o levou a propor aos governos Dutra e Vargas a criação do CNPq”, afirmou o professor.

O Secretário-Executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Fernandes, destacou a importância da integração entre ciência e defesa e afirmou que o setor deve ser tratado como prioridade permanente. Segundo ele, a atuação do Ministério busca ampliar o acesso ao conhecimento e transformá-lo em desenvolvimento para o País.

A atuação da Marinha demonstra como a integração entre ciência, indústria e defesa é fundamental para fortalecer a autonomia tecnológica nacional”, afirmou.

A programação incluiu a exibição de um vídeo sobre os projetos e programas da DGDNTM e o legado do Almirante Álvaro Alberto. Também foi realizada uma palestra da pesquisadora Camila Martins Cardoso, doutora em história pela Universidade de São Paulo (USP), que abordou aspectos pouco conhecidos de sua vida com base em documentos do arquivo Álvaro Alberto.

A historiadora Camila Cardoso afirmou que não é possível tratar de ciência, tecnologia e inovação na Marinha sem mencionar o Almirante Álvaro Alberto. Segundo ela, o Almirante atuou em diversas frentes: foi cientista, inventor e químico de explosivos, características herdadas do pai, o que também o levou a atuar como empresário no setor. Disse ainda sua dedicação ao ensino, como professor da Escola Naval, e seu papel como articulador político, com atuação nas políticas científicas nacionais e internacionais.

Historiadora Camila Cardoso apresentou sua pesquisa desenvolvida na USP sobre o arquivo Almirante Álvaro Alberto – Segundo Sargento Coronha/Marinha do Brasil

O Almirante Álvaro Alberto foi um estrategista que pensava a energia atômica como instrumento de soberania nacional. Desde 1946, quando representou o Brasil na recém-criada Comissão de Energia Atômica da ONU, defendia que o País tivesse o direito de explorar seus próprios minerais nucleares, como o urânio e o tório, e de desenvolver tecnologia própria”, explicou a pesquisadora.

Na ocasião, foi realizado o lançamento da 37ª edição da Revista Pesquisa Naval (RPN), periódico científico anual que reúne estudos desenvolvidos por civis e militares em áreas de interesse da Força Naval.

Entrega oficial da 37ª edição da Revista Pesquisa Naval ao Comandante da Marinha – Imagem: Segundo Sargento Coronha/Marinha do Brasil

Entre os trabalhos analisados pelo corpo editorial da RPN, alguns se sobressaíram pelo potencial de contribuição à Marinha. Em reconhecimento, a DGDNTM concedeu menções honrosas à Primeiro-Tenente (Quadro-Técnico) Tailah Bernardo de Almeida, também vencedora do Prêmio “Soberania pela Ciência”, e ao servidor civil Fernando Augusto de Andrade, pelo desenvolvimento de placas de cerâmica balística de alta performance à base de carbeto de boro.

Também foi reconhecida a Capitão de Corveta (Quadro Técnico) Alana de Lima Pontes Gadelha, do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), por pesquisa sobre o uso de modelos de inteligência artificial na previsão meteorológica em regiões polares.

O Almirante de Esquadra Rabello destacou que o desenvolvimento científico, tecnológico e, sobretudo, a inovação orientada às necessidades da Força são fundamentais para a construção da Marinha do presente e do futuro. Segundo ele, as restrições de acesso a determinadas tecnologias, impostas por dinâmicas geopolíticas, reforçam a necessidade de o País desenvolver capacidades próprias ou aproveitar conhecimento científico existente para inovar.

As atividades de CT&I da Marinha buscam atender às necessidades atuais da Força, especialmente no que diz respeito ao poder de combate existente, mas, sobretudo, contribuir para a construção da Marinha do futuro. Os trabalhos apresentados na Revista Pesquisa Naval refletem esse esforço, ao apontar caminhos para o desenvolvimento de uma Marinha cada vez mais preparada”, afirmou o Almirante de Esquadra Rabello.

A entrega do Prêmio “Soberania pela Ciência” foi um dos momentos mais aguardados da cerimônia. Criado para reconhecer artigos desenvolvidos por pesquisadores e equipes das instituições de CT&I da Marinha, o prêmio foi concedido ao estudo intitulado Protótipo de ração operativa de alto valor nutricional: estudo sobre aceitabilidade e intenção de consumo, de autoria da Primeiro-Tenente (Quadro Técnico) Tailah Bernardo de Almeida, da Divisão de Bioprodutos do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, que apresentou um protótipo de ração operativa funcional com foco em alto valor nutricional, praticidade de emprego e possibilidade de adaptação a diferentes cenários operacionais.

Entrega do Prêmio “Soberania pela Ciência” – Imagem: Segundo Sargento Coronha/Marinha do Brasil

"O estudo é inovador por propor rações operativas de alto valor nutricional e agregado, apresentadas nas formas de cracker e de barra, considerando a associação de superalimentos naturais terrestres e marinhos. Os protótipos desenvolvidos reúnem micro e macronutrientes funcionais, oferecendo sugestões de produtos mais completas quando comparadas a uma ração de sobrevivência já utilizada pela MB. Além disso, o protótipo da barra apresentou a maior aceitação e intenção de consumo entre os entrevistados, indicando boa viabilidade de uso. Além de aplicações em operações militares que envolvam alto gasto de energia e necessidade de reposição nutricional rápida e prática, o produto também mostra potencial para o mercado civil, ampliando seu impacto e alinhando-se à proposta de uso dual”, afirmou a Tenente Tailah.

Entrega do prêmio em valor, realizada pelo representante da Fundação Conrado Wessel, Dr. André Pereira da Silva – Imagem: Segundo Sargento Coronha/Marinha do Brasil

Para o professor da Escola de Guerra Naval, Capitão de Mar e Guerra (Reserva) Leonardo Mattos, a velocidade das transformações tecnológicas, especialmente em áreas como inteligência artificial, veículos autônomos e computação avançada, tem impactado diretamente o cenário internacional e os conflitos contemporâneos. Segundo ele, exemplos recentes demonstram como essas tecnologias vêm alterando o equilíbrio operacional em diferentes contextos, reforçando sua relevância estratégica.

Um país que pretende ser respeitado no cenário internacional precisa desenvolver ciência e tecnologia próprias. Não se trata apenas da Marinha ou das Forças Armadas, mas de um esforço que envolve toda a sociedade. Investir em conhecimento e inovação é condição para garantir soberania e reduzir assimetrias em relação às grandes potências”, afirmou.

O evento contou, ainda, com a presença de embaixadores, ministros, deputados e representantes de universidades, centros de pesquisa, fundações, empresas públicas e privadas, além de outras autoridades militares e civis.

Marinha do Brasil 

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