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27 de junho de 2026

Marinha do Brasil lança Fragata “Cunha Moreira” em Itajaí e reforça avanço do Programa Fragatas Classe "Tamandaré"

Terceiro navio da Classe "Tamandaré" amplia a capacidade operacional da Esquadra e representa mais um passo na modernização do Poder Naval brasileiro Por Marinha do Brasil (MB) A Marinha do Brasil (MB) realizou, nesta sexta-feira (26), no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), a cerimônia de lançamento e batismo da Fragata “Cunha Moreira” (F202), terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT). O evento contou com a presença do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, além de reunir autoridades civis e militares, representantes da indústria de defesa e profissionais envolvidos na construção do navio, marcando mais uma etapa do maior programa de construção naval militar atualmente em desenvolvimento no País.
Construída integralmente no Brasil, com mão de obra nacional e transferência de tecnologia da Alemanha, a Fragata “Cunha Moreira” representa um importante avanço na modernização da Esquadra brasileira e no fortalecimento da Base Industrial de Defesa. O lançamento ao mar marca a conclusão de uma das principais fases da construção da embarcação, que seguirá agora para a etapa de integração de sistemas, testes e preparação para sua futura incorporação à MB, prevista para 2028.
Durante a cerimônia, o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, destacou a importância estratégica do mar para o desenvolvimento, a soberania e a prosperidade do País. Em seu discurso, ressaltou que o ambiente marítimo concentra riquezas essenciais para o Brasil, como as reservas responsáveis por 95% da produção nacional de petróleo e 70% do gás natural, reforçando a necessidade de uma Força Naval moderna, capaz de proteger esses recursos e garantir a segurança dos interesses nacionais. O lançamento da Fragata ‘Cunha Moreira’ não representa apenas uma etapa formal do Programa Fragatas Classe 'Tamandaré'. Representa a consolidação da disposição nacional em construir meios eficientes para serem empregados nas áreas marítimas de interesse do Brasil”, afirmou o Comandante da Marinha. As Fragatas Classe "Tamandaré" foram projetadas para atuar em operações de alta complexidade, reunindo modernos sistemas de sensores, gerenciamento de combate e armamentos capazes de detectar, acompanhar e neutralizar ameaças no ambiente marítimo. Equipadas com radares multifuncionais, sonar, sistema de mísseis antinavio, canhão naval de última geração e capacidade para operar helicópteros embarcados, esses navios ampliam significativamente o poder de combate da Esquadra, contribuindo para o controle de áreas marítimas, proteção das infraestruturas críticas, defesa das ilhas oceânicas e garantia da segurança das linhas de comunicações marítimas. Com 107,2 metros de comprimento, deslocamento aproximado de 3.500 toneladas e velocidade superior a 25,5 nós (o equivalente a 46 km/h), as fragatas foram concebidas para operar em diferentes cenários, desde missões de patrulha e presença naval até operações de guerra antissuperfície, antiaérea e antissubmarino. Durante a cerimônia, a madrinha da embarcação, Marcella Olsen, realizou o tradicional batismo da fragata, simbolizado pela quebra da garrafa no casco, rito que marca oficialmente a atribuição do nome ao navio antes de seu lançamento ao mar. Em seu discurso, destacou que o Programa Fragatas Classe "Tamandaré" vai além da construção de navios. “Esse programa mobiliza conhecimento, desenvolve tecnologia, gera empregos e renda, capacita profissionais e fortalece a indústria nacional”, afirmou. Ao se dirigir à futura tripulação da Fragata “Cunha Moreira”, Marcella desejou que o navio fosse conduzido com zelo e segurança: “Rogo que zelem por esse navio, confiando que ele também os protegerá e os conduzirá em segurança mares afora.” Na sequência, a F202 foi preparada para a operação conhecida como load out, processo no qual a embarcação é transferida para um dique flutuante e, posteriormente, colocada na água para dar continuidade às próximas fases de construção e testes. Homenagem a um dos construtores da Marinha brasileira A Fragata “Cunha Moreira” homenageia Luís da Cunha Moreira, Visconde de Cabo Frio, primeiro brasileiro nato a ocupar o cargo de Ministro da Marinha do Brasil independente. Nascido em Salvador (BA), em 1777, Cunha Moreira participou da conquista da Guiana Francesa e desempenhou papel decisivo na organização da Primeira Esquadra brasileira após a Independência. Sua atuação foi fundamental para estruturar a Marinha Imperial, consolidar a soberania nacional e garantir a integridade territorial do recém-liberto Estado brasileiro. Programa fortalece a capacidade naval do País O lançamento da F202 representa mais um importante marco do Programa Fragatas Classe "Tamandaré", desenvolvido pela MB em parceria com a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis - formada pela TKMS, Embraer e Atech - e gerenciado pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON). Atualmente, a Fragata “Tamandaré” (F200), primeira da classe, já integra os meios operativos da MB. A Fragata “Jerônimo de Albuquerque” (F201), segunda embarcação da classe, encontra-se em fase final de construção e deverá iniciar, em breve, os testes de aceitação no mar, etapa que antecede sua incorporação à Esquadra. A quarta embarcação do primeiro lote, a Fragata “Mariz e Barros” (F203), também está em construção no estaleiro de Itajaí. Para o CEO da TKMS Brasil, Paulo Alvarenga, a evolução do Programa Fragatas Classe "Tamandaré" demonstra a consolidação de uma capacidade industrial estratégica para o País. “Com a incorporação da Fragata ‘Tamandaré’, a proximidade dos testes de mar da Fragata ‘Jerônimo de Albuquerque’ e agora o lançamento da Fragata ‘Cunha Moreira’, estamos testemunhando a combinação entre a qualidade e o planejamento alemães com a criatividade e a resiliência brasileiras, resultando em um avanço contínuo e consistente”, afirmou. Segundo Alvarenga, o Programa tornou-se um símbolo da autonomia tecnológica brasileira e do fortalecimento da indústria nacional de defesa, reforçando a importância da continuidade dos investimentos para preservar capacidades industriais e tecnológicas estratégicas. Essa conquista foi construída ao longo dos últimos anos com muita cooperação, muita visão estratégica. Isso mostra que, juntos, nós aqui todos reunidos, governo, indústria, Forças Armadas, nós conseguimos fazer com que o Brasil ingressasse num restrito grupo. Poucas nações do mundo são capazes de construir meios navais de defesa com elevado conteúdo tecnológico. Justamente num momento global extremamente importante. Por isso, a perspectiva do segundo lote de fragatas representa uma oportunidade única para consolidar todo esse ecossistema industrial, de uma maneira sustentável, e transformar o Brasil num polo exportador de tecnologia, de influência e de poder. Em nome do Brasil, nós não temos o direito de desperdiçá-la. Ela precisa ser concretizada agora”, reforçou o CEO da TKMS Brasil. Além do andamento das quatro primeiras unidades, a Marinha prepara a próxima etapa do PFCT. Em abril deste ano, foi assinado um Memorando de Entendimento entre a União, representada pelo Ministério da Defesa, e as empresas garantidoras da Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, com o objetivo de viabilizar a construção de um novo lote de quatro fragatas no Brasil, iniciativa voltada à continuidade da recomposição do Núcleo do Poder Naval brasileiro. O CEO da Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, Fernando Queiroz, destacou que os impactos do Programa extrapolam o fortalecimento da capacidade de defesa do País. “Projetos estratégicos como o Programa Fragatas Classe 'Tamandaré' possuem significado que vai muito além da defesa. Eles representam soberania nacional, desenvolvem tecnologia, capacitam trabalhadores, formam engenheiros, movimentam centenas de empresas brasileiras, impulsionam a inovação e aumentam a capacidade da indústria nacional”, afirmou. O Programa amplia a capacidade operacional da Força Naval; promove a nacionalização de tecnologias estratégicas; fortalece a indústria nacional de defesa; estimula a formação de mão de obra altamente especializada e impulsiona a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico do País.
Essas embarcações terão papel fundamental na proteção da Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira com cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, onde se concentram importantes recursos naturais, infraestruturas estratégicas e rotas por onde circula mais de 90% do comércio exterior brasileiro.

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