
Exercício combinado reuniu navios, submarino e aeronaves em águas argentinas e fortaleceu a cooperação entre as duas Forças Navais
A Marinha do Brasil (MB) concluiu, no dia 24 de agosto, a Operação “FRATERNO XXXIX”, exercício combinado realizado com a Armada Argentina. Durante a comissão, meios das duas Forças Navais participaram de atividades de adestramento no mar, voltadas ao aprimoramento da interoperabilidade, à troca de experiências profissionais e ao emprego coordenado em diferentes cenários operacionais.
Pela MB, participaram as Fragatas “União” (F45) e “Tamandaré” (F200), o Submarino “Humaitá” (S41), o Navio de Socorro Submarino “Guillobel” (K120) e duas aeronaves AH-11B (Super Lynx). Pela Marinha da Argentina, foram empregados o Destróier ARA “La Argentina”, as Corvetas ARA “Robinson” e ARA “Espora”, o Navio Logístico ARA “Patagonia” e o Navio-Patrulha Oceânico ARA “Storni”. O componente aeronaval argentino contou ainda com um helicóptero Sea King, uma aeronave P-3C Orion, um B-200 Super King Air e duas aeronaves T-34C-1 Turbo Mentor.
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| Operações de mergulho - Imagem: Primeiro-Sargento Cassiano/Marinha do Brasil |
Por parte do Brasil, a comissão foi conduzida pelo Comando da Segunda Divisão da Esquadra, responsável pela coordenação dos meios brasileiros empregados no exercício. Para o Comandante do Grupo-Tarefa brasileiro, Contra-Almirante Carlos Marcelo Fernandes Considera, a operação reforçou a capacidade das duas Marinhas de atuarem de forma coordenada.
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| Operações aéreas
integram os exercícios realizados durante a “FRATERNO XXXIX” - Imagem: Cabo
Antunes/Marinha do Brasil |
A Comissão ‘Fraterno’ é um tradicional exercício naval realizado pelas Marinhas da Argentina e do Brasil há cerca de 40 anos. O exercício nos permite desenvolver capacidades e aprimorar procedimentos, incrementando a interoperabilidade entre duas forças navais de singular relevância no Atlântico Sul”, destacou.

A comissão teve início em 30 de julho, com a saída dos meios brasileiros de suas bases. Antes de seguirem para a Argentina, os navios realizaram escala operativa em Rio Grande (RS). Em território argentino, as atividades foram desenvolvidas a partir das Bases Navais de Porto Belgrano e Mar del Plata e nas áreas marítimas compreendidas entre as duas localidades.
Adestramento combinado no mar
Antes do início dos exercícios no mar, militares brasileiros e argentinos participaram de reuniões de coordenação, conferências e atividades preparatórias. A etapa incluiu ainda testes de comunicações e adestramentos destinados a preparar as tripulações para a fase marítima.
A fase de exercícios teve início com a saída das Fragatas “União” e “Tamandaré” de Porto Belgrano e do Submarino “Humaitá” da Base Naval de Mar del Plata. Durante a navegação, meios brasileiros e argentinos foram empregados em áreas de operações entre as duas bases navais.
Entre as atividades realizadas estiveram ações de guerra antissubmarino, defesa aérea e de superfície, manobras táticas, operações aéreas, comunicações, operações de mergulho, controle de área marítima, operações de interdição marítima, exercícios de tiro e procedimentos de transferência entre navios.
A Comissão contemplou também o intercâmbio de militares entre os navios dos dois países, permitindo às tripulações conhecerem procedimentos, rotinas e formas de atuação da Marinha amiga. A troca de experiências contribuiu para ampliar o conhecimento de ambas as Forças e favorecer a padronização de procedimentos empregados durante os exercícios combinados.
A presença do Submarino “Humaitá” contribuiu especialmente para o adestramento em guerra antissubmarino, permitindo que unidades de superfície e aeronavais exercitassem procedimentos de busca, detecção e acompanhamento de uma ameaça submarina.
O Navio de Socorro Submarino “Guillobel”, por sua vez, integrou o componente dedicado ao apoio às operações submarinas e de mergulho. Nos dias 18 e 19 de agosto, o navio recebeu mergulhadores brasileiros e argentinos para uma operação de mergulho a ar dependente (MARDEP), na região de Mar del Plata. Foram realizados 12 mergulhos a 20 metros de profundidade, com troca de experiências sobre procedimentos e técnicas de mergulho de intervenção e salvamento.
No componente aeronaval, as aeronaves AH-11B (Super Lynx) ampliaram as possibilidades de emprego dos navios brasileiros durante os exercícios. Operados a partir das fragatas, os helicópteros foram empregados em missões como esclarecimento, acompanhamento de contatos de superfície e guerra antissubmarino, contribuindo para aumentar o alcance dos sensores e sistemas de armas dos meios de superfície.
Novos meios em operação no exterior
A 39ª edição da “FRATERNO” também marcou a participação da Fragata “Tamandaré” e do submarino “Humaitá” em seu primeiro exercício combinado internacional.
A “Tamandaré” integra a nova geração de escoltas da Esquadra e, durante a comissão, operou ao lado da Fragata “União”, permitindo o emprego simultâneo de meios de diferentes gerações em um mesmo Grupo-Tarefa.
Já o “Humaitá”, segundo submarino da Classe “Riachuelo”, participou das atividades de guerra antissubmarino desenvolvidas com unidades argentinas, ampliando a experiência de sua tripulação em operações combinadas.
Ao término da fase de exercícios no mar, os meios chegaram a Mar del Plata, onde foi realizada a etapa final da operação, dedicada à análise dos resultados e à avaliação dos exercícios conduzidos.
Cooperação entre Brasil e Argentina
Realizada pela primeira vez em 1978, a Operação “FRATERNO” integra o calendário tradicional de exercícios entre as Marinhas do Brasil e a Armada Argentina.
A continuidade do exercício contribui para a manutenção de procedimentos comuns de planejamento e execução de operações navais. A edição anterior, realizada no Brasil em 2025, teve a participação de meios argentinos em águas brasileiras, enquanto a 39ª edição teve sua fase combinada realizada em águas argentinas.
Como parte das atividades de encerramento, no dia 21 de agosto, os Comandantes dos Grupos-Tarefas das duas Marinhas assinaram o memorando de entendimento manifestando a intenção de realizar a próxima edição do Exercício combinado.
Além dos exercícios no mar, as tripulações participaram de ações de intercâmbio entre as duas Marinhas. Em 17 de agosto, a tripulação do Submarino “Humaitá” prestou homenagem aos tripulantes do ARA “San Juan”, no cenotáfio dedicado à memória dos submarinistas, na Base Naval de Mar del Plata.
A interação entre os militares durante as fases de porto e de mar, somada às atividades de intercâmbio técnico e profissional, favoreceu o conhecimento das capacidades, procedimentos e formas de atuação empregados pelas duas Forças Navais. Com o encerramento das atividades em Mar del Plata, no dia 24 de agosto, a Operação “FRATERNO XXXIX” concluiu mais um ciclo de adestramento entre as Marinhas do Brasil e da Argentina.
TEXTO E FOTOS: Marinha do Brasil (MB)
FOTOS: Armada de la República Argentina (ARA)
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