Teste realizado em Itaguaí avaliou a estanqueidade do casco e o funcionamento dos sistemas de bordo antes das provas de mar Por Edwaldo Costa - Jornalista , Capitão-Tenente (T) Gisele Costa e Primeiro-Tenente (RM2-T) Marcondes, Imagem: Suboficial Ronaldo e Terceiro-Sargento (ET) Coronha, Marinha do Brasil.
O Submarino “Almirante Karam” concluiu sua primeira imersão estática na área marítima de Itacuruçá, próximo ao Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. O procedimento avaliou o comportamento do submarino na água e permitiu a verificação de parâmetros importantes para a continuidade dos testes.
Sem utilizar a propulsão, o “Karam” foi levado à condição de imersão de maneira controlada. Durante a atividade, militares, engenheiros e técnicos acompanharam a estanqueidade do casco, o funcionamento dos sistemas de bordo e a resposta do submarino às variações de peso e inclinação.
O Comandante do Submarino “Almirante Karam”, Capitão de Corveta Leandro Amaral, explicou que, na imersão estática, a água do mar preenche os tanques de lastro por meio da abertura dos suspiros dos tanques até que o submarino alcance a condição prevista para o teste. Os pesos posicionados ao longo da embarcação também podem ser movimentados para observar as inclinações transversais e longitudinais. Os dados obtidos ajudam a determinar o deslocamento e as condições de equilíbrio da embarcação.
Mais do que verificar se o submarino é capaz de mergulhar, a atividade possibilita conferir como ele se comporta na água. É nessa fase que os resultados calculados durante o projeto são comparados às respostas apresentadas pela embarcação.
Entre o cálculo e o mar
Antes de um submarino mergulhar, os engenheiros estimam como ele deverá flutuar, inclinar e reagir às mudanças na distribuição de peso. Esses cálculos consideram o peso do casco, dos equipamentos, das baterias, dos tanques e dos demais sistemas instalados, bem como sua distribuição a bordo.
O Encarregado da Seção da Fiscalização da Construção dos S-BR no Estaleiro de Construção, Capitão-Tenente (Engenheiro) Amós Rodrigues, da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, ressaltou que a imersão estática mostra como essas previsões se confirmam na prática. Mesmo submarinos de uma mesma classe, construídos a partir de um mesmo projeto, podem apresentar pequenas diferenças na distribuição de peso. Por isso, cada unidade precisa passar por avaliações próprias.
Para a tripulação, o teste também representa um contato mais próximo com o comportamento do novo meio. É quando passam a conhecer, na prática, o comportamento do submarino na água.
Os dados obtidos nesta etapa aumentam a familiaridade com o meio e contribuem para a preparação para os próximos testes.
O próximo desafio será navegar submerso
Na imersão estática, o submarino permanece em uma condição controlada, sem utilizar a propulsão para se deslocar. Nas próximas fases, o “Karam” será submetido a avaliações progressivamente mais complexas, envolvendo a navegação na superfície, a imersão dinâmica e os testes de desempenho de seus principais sistemas.
Durante essas atividades, serão observadas a resposta dos lemes, a propulsão, os equipamentos de navegação, comunicação e detecção, além do desempenho do submarino em diferentes condições operacionais.
Cada teste é realizado somente após a análise dos resultados das etapas anteriores. Esse processo permite que eventuais ajustes sejam feitos antes do avanço para avaliações mais exigentes, como a imersão a grandes profundidades e os testes dos sistemas de armas.
Um Scorpène construído no Brasil
O “Almirante Karam” é o quarto submarino convencional da Classe “Riachuelo”, versão brasileira baseada no projeto francês Scorpène. O modelo recebeu adaptações para atender às necessidades operacionais da Marinha do Brasil, com alterações em suas dimensões e maior autonomia em relação ao projeto original.
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) surgiu da parceria estratégica firmada entre o Brasil e a França e envolve transferência de tecnologia, formação de profissionais e desenvolvimento de infraestrutura especializada.
Para o Diretor-Presidente da Itaguaí Construções Navais, Pierre Edouard Gille, a primeira imersão estática representa uma conquista de todos os profissionais envolvidos na construção do “Karam”:
“A primeira imersão estática do Submarino ‘Almirante Karam’ representa um marco para a ICN e para todos os profissionais envolvidos no PROSUB. É nessa etapa que o trabalho realizado no projeto, na construção e na integração dos sistemas começa a ser confirmado na água. O resultado demonstra a capacidade técnica desenvolvida no Brasil e nasce da atuação conjunta da Marinha, da ICN e de nossos parceiros. Meu reconhecimento a cada profissional que contribuiu para que o ‘Karam’ chegasse a este momento e pudesse seguir com segurança para os próximos testes”.
A mesma infraestrutura construída em Itaguaí foi utilizada na construção dos submarinos “Riachuelo”, “Humaitá” e “Tonelero”, já incorporados à Marinha. O conhecimento adquirido durante esse processo também contribuirá para a construção do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado “Álvaro Alberto”.
Com a conclusão da imersão estática, o “Karam” prossegue no programa de avaliações previsto antes de sua incorporação. A entrega ao setor operativo da Marinha está programada para o segundo semestre de 2027.





Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.