Por Ricardo Pereira O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (Specially Designated Global Terrorists, SDGT). Segundo o comunicado, a medida entra em vigor imediatamente, enquanto a classificação dos grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations, FTO) passará a valer em 5 de junho. O comunicado, assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, afirma que o PCC e o Comando Vermelho figuram entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com atuação ligada ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, assassinatos e ataques contra agentes de segurança pública e civis. Segundo Washington, a influência das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da América Latina e os Estados Unidos, por meio de redes transnacionais de narcotráfico e crime organizado. A medida integra a estratégia do governo dos EUA de ampliar o combate a cartéis e organizações criminosas transnacionais, interromper o fluxo de drogas ilícitas e enfraquecer estruturas financeiras associadas ao chamado narcoterrorismo. Impactos da designação Com a classificação, eventuais ativos vinculados às organizações sob jurisdição americana poderão ser bloqueados. Além disso, cidadãos e empresas dos Estados Unidos ficam proibidos de fornecer apoio material, recursos financeiros ou qualquer tipo de assistência aos grupos designados. Integrantes ou representantes associados às facções também poderão enfrentar restrições migratórias, incluindo impedimento de entrada e deportação. No campo político, o senador Jair Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter solicitado a classificação diretamente ao presidente Donald Trump durante encontro realizado na Casa Branca em 26 de maio. Em sentido oposto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao governo americano, em 7 de maio, um documento defendendo que PCC e Comando Vermelho não se enquadram na definição de terrorismo prevista pela legislação brasileira, sob o argumento de que suas atividades estariam relacionadas ao crime organizado, sem motivação ideológica, política ou religiosa.





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